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EUA atacam 85 alvos na Síria e no Iraque

Operação é resposta a ataque de drones contra base americana na Jordânia na última semana que matou três militares americanos, diz Casa Branca. Irã aponta "erro estratégico" dos EUA.

Fonte: DW Brasil
EUA atacam 85 alvos na Síria e no Iraque Governo iraquiano afirma que ataque matou ao menos 16 pessoas, e observatório baseado no Reino Unido fala em 23 mortos na Síria/Hashd al-Shaabi Media Office/Anadolu/picture alliance

Os militares dos EUA promoveram na noite de sexta-feira (02/02) ataques contra 85 alvos na Síria e no Iraque, em retaliação a um ataque de drones que matou três soldados americanos em uma base militar na Jordânia na última semana.

A Casa Branca atribuiu o ataque contra sua base militar a um grupo ativo no Iraque e apoiado pelo Irã, chamado Resistência Islâmica, e disse que a retaliação de sexta-feira mirou centros de operação de controle e inteligência e bases de foguetes, munição e suprimentos de milícias e de seus patrocinadores.

O Irã, a Síria e o Iraque criticaram veementemente o ataques dos Estados Unidos, que foram considerados por Teerã um "erro estratégico".

"O ataque de ontem à noite contra a Síria e o Iraque é uma ação aventureira e outro erro estratégico do governo dos EUA, que não terá outro resultado a não ser intensificar a tensão e a instabilidade na região", disse Nasser Kanani, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, em um comunicado.

O Ministério das Relações Exteriores da Síria emitiu uma declaração no mesmo sentido: "O que [os EUA] cometeram serviu para alimentar o conflito no Oriente Médio de uma forma muito perigosa".

Já o Iraque disse que os ataques aéreos foram uma "violação da soberania iraquiana" e "representam uma ameaça que pode levar o Iraque e a região a consequências extremas". "Os resultados terão implicações graves sobre a segurança e a estabilidade no Iraque e na região", disse o porta-voz militar iraquiano, Yahya Rasool. 

Dezenas de mortos

De acordo com o porta-voz do governo iraquiano, Bassem al-Awadi, os ataques dos EUA mataram pelo menos 16 pessoas, incluindo civis, e feriram outras 23.

O Observatório Sírio para Direitos Humanos, um grupo com sede na Grã-Bretanha que monitora os conflitos na Síria, disse que os ataques não mataram civis, mas pelo menos 23 combatentes pró-Irã no país. "Dez combatentes pró-Irã na área de Deir Ezzor e 13 na área de Mayadeen", disse Rami Abdel Rahman, diretor do órgão.

Ele afirmou que nove dos combatentes eram sírios e seis eram iraquianos. Outras forças pró-Irã estavam deixando suas posições em Deir Ezzor por medo de que haja mais ataques dos EUA, disse.

Biden afirma que resposta dos EUA vai continuar

O ataque com drones na última semana matou três soldados americanos e feriu dezenas de outros em uma pequena base dos EUA na Jordânia, perto da fronteira com a Síria. O presidente dos EUA, Joe Biden, participou da devolução dos restos mortais dos três soldados na Base Aérea de Dover.

"Nesta tarde, sob minha orientação, as forças militares dos EUA atingiram alvos em instalações no Iraque e na Síria que o IRGC e milícias afiliadas usam para atacar as forças dos EUA", disse Biden.

"Nossa resposta começou hoje. Ela continuará nos momentos e locais de nossa escolha", afirmou o presidente americano. "Os Estados Unidos não buscam conflitos no Oriente Médio ou em qualquer outro lugar do mundo. Mas que todos aqueles que possam tentar nos prejudicar saibam: se você ferir um americano, nós responderemos."

Irã nega responsabilidade pelo ataque na Jordânia

A série de ataques dos EUA durou cerca de 30 minutos, disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby, acrescentando que o Departamento de Defesa ainda estava avaliando o resultado.

O governo Biden havia dito que sua reação não se resumiria a apenas um ataque, mas seria uma "resposta em camadas" ao longo do tempo, o que significa que os alvos atingidos nesta sexta-feira poderiam ser apenas os primeiros de um conjunto de retaliações do governo Biden.

O Irã negou que estivesse por trás do ataque à base americana na Jordânia. Na sexta-feira, o presidente iraniano, Ebrahim Raisi, repetiu que Teerã reagiria se os ataques dos EUA visassem seus interesses. "Não iniciaremos uma guerra, mas se um país, se uma força cruel quiser nos intimidar, a República Islâmica do Irã dará uma resposta forte", disse.

Londres também se manifestou, dizendo que apoia o "direito dos EUA de responder aos ataques". "O Reino Unido e os EUA são aliados inabaláveis", disse um porta-voz do governo britânico em um comunicado. "Há muito tempo condenamos a atividade desestabilizadora do Irã em toda a região, incluindo seu apoio político, financeiro e militar a vários grupos militantes."

A União Europeia (UE), por sua vez, alertou que a contínua instabilidade no Oriente Médio, refletida em parte pelos ataques dos EUA, era um perigo para a segurança global.

"O Oriente Médio é uma caldeira que pode explodir. E, certamente, há ataques tanto na fronteira com o Líbano, ao norte e ao sul; há ataques na Síria; há ataques no Iraque, ataques no Mar Vermelho", disse o principal diplomata da UE, Josep Borrell. Ele pediu a todos que tentem evitar uma escalada.




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