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Segunda-feira, 15 de Junho de 2026
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Acordo EUA-Irã causa irritação em Israel

Netanyahu diz que campanha contra o Irã e seus aliados regionais não acabou, e que manterá soldados no sul do Líbano. Mesmo recado veio do ministro da Defesa, que também prometeu atacar o Irã, se necessário.

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Por Cidade a Cidade
Acordo EUA-Irã causa irritação em Israel
"Israel não é subordinado aos EUA. Somos um país independente e soberano", disse o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, ao rejeitar acordo imposto por Trump/Foto: Debbie Hill/UPI Photo/IMAGO
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acordo anunciado no fim de semana pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para pôr fim à guerra no Irã foi recebido com ampla irritação em Israel – tanto por membros do governo de Benjamin Netanyahu quanto por oposicionistas que pretendem desafiá-lo nas eleições de outubro, informou a imprensa israelense.

Embora os termos do acordo ainda não tenham sido revelados, mediadores afirmam que ele prevê o "fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes", incluindo o Líbano.

Um dos membros mais radicais do governo Netanyahu, o ministro da Defesa, Israel Katz, assegurou que manterá soldados no sul do Líbano e que responderá "com força total" a eventuais ataques do Irã.

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"O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e eu estamos liderando uma política clara que determina que as Forças de Defesa de Israel permanecerão nas zonas de segurança no Líbano, Síria e Gaza, sem qualquer limite de tempo, para proteger a fronteira e comunidade israelenses ali de elementos jihadistas", declarou Katz em comunicado reproduzido pelo jornal The Times of Israel. "Não vamos comprometer os interesses de segurança de Israel e a proteção de nossos cidadãos."

Israel está em guerra contra o Hezbollah no Líbano desde o início de março. A milícia xiita aliada do Irã passou a atacar Israel depois que Washington e Tel Aviv deflagraram uma guerra contra o Irã, no final de fevereiro. Em resposta, o Irã fechou a navegação no Estreito de Ormuz, medida que teve repercussões globais na economia.

Negociações sobre um cessar-fogo até agora têm sido difíceis porque o Irã insiste que elas devem abranger também o Líbano. Israel discorda. Ataques recentes trocados entre Irã, Hezbollah e Israel, porém, irritaram Trump, que acusou Netanyahu de ser um "cara difícil".

O próprio Netanyahu foi à imprensa nesta segunda-feira (15/06) para dizer que a campanha contra o Irã e seus aliados regionais não acabou, e que as FDI seguirão estacionadas no sul do Líbano, na Síria e em Gaza "pelo tempo que for necessário".

Outro aliado de ultradireita do premiê israelense, o titular da Segurança Nacional, ministro Itamar Ben Gvir, frisou que o acordo "não garante a nossa segurança" e que Israel "não é subordinada aos Estados Unidos". "Somos um país independente e soberano", disse, citado pelo Times of Israel. "Não somos parceiros deste acordo [...]. Não devemos nos retirar de qualquer território [no Líbano] que nossos combatentes capturaram."

Oposição também critica acordo

O líder da oposição, Yair Lapid, acusou Netanyahu de falhar, queixando-se de "um presidente americano aberta e publicamente dizer ao primeiro-ministro de Israel: 'Sou seu chefe, e você fara o que eu digo.'"

Na avaliação de Lapid e outros opositores, Netanyahu não cumpriu sua promessa de eliminar o programa nuclear do Irã, acabar com seu estoque de mísseis balísticos e seu apoio a aliados terroristas, bem como criar as condições para o fim do regime iraniano.

Já o ex-premiê Naftali Bennett disse que Netanyahu arrastou Israel para guerras de "estagnação e atrito", e é "incapaz de chegar a uma vitória decisiva".

Outros oposicionistas mencionaram, ironicamente, que a maior conquista de Trump será a reabertura do Estreito de Ormuz, que estava aberto antes de a guerra começar.

Jornalistas próximos do governo Netanyahu também estão irritados com Trump. Alguns deles, citados pelo jornal Haaretz, acusaram o presidente americano de ser um "traidor" e "fraco".

FONTE/CRÉDITOS: DW Brasil
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