Um ataque russo a um armazém na região de Kiev matou ao menos 37 pessoas, disseram autoridades da Ucrânia neste sábado (29/08).
O ataque realizado por um drone provocou a detonação de projéteis, minas e drones, gerando uma explosão que danificou imóveis vizinhos.
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, prometeu punir os responsáveis pela explosão ocorrida na noite desta sexta-feira, que causou um dos maiores números de mortos em meses na guerra com a Rússia e parece ter sido o segundo incidente do tipo em poucas semanas.
Zelenski afirmou que dezenas de pessoas ficaram feridas e mais de 370 foram removidas da área do ataque no vilarejo de Myla, a menos de 5 quilômetros da periferia da capital. Infraestruturas próximas sofreram "danos significativos", incluindo prédios residenciais e uma instituição de acolhimento para idosos e pessoas com deficiência, acrescentou.
O ataque, no distrito de Bucha, a oeste de Kiev, se alastrou por casas e danificou pelo menos 50 edifícios residenciais, disse o governador da região de Kiev, Tymur Tkachenko.
O depósito que explodiu pertencia às Forças Armadas ucranianas e armazenava projéteis, drones, minas e outras munições "em grande escala", disse Zelenski.
"Aqueles que permitiram que isso acontecesse deverão ser responsabilizados por suas decisões", escreveu o líder ucraniano em postagem no X. "Existem regras em vigor: munição não pode ser armazenada perto de casas ou outras áreas residenciais. As conclusões apropriadas certamente serão tiradas."
Enxames de drones sobre Kiev
A Rússia intensificou os ataques aéreos contra a Ucrânia, utilizando uma quantidade maior de mísseis balísticos e drones a jato que são mais difíceis de abater.
Zelenski acrescentou que outras nove regiões foram alvo de ataques noturnos da Rússia. Kiev, em particular, esteve sob um "ataque praticamente ininterrupto" de drones de alta velocidade, relatou.
Segundo afirmou, foram mais de 260 ataques com drones em outras partes do país durante a noite, incluindo com os novos drones a jato Banderol, que Moscou passou a usar recentemente.
Neste sábado, sirenes soaram durante toda a manhã pelo terceiro dia consecutivo, enquanto a Força Aérea da Ucrânia alertava sobre novas ondas de drones se aproximando da capital.
O governador Tkachenko disse que uma menina de 14 anos foi morta em um ataque de drone na manhã deste sábado no distrito de Boryspil. Em Kiev, uma menina de 2 anos foi morta por um drone abatido, disse o prefeito Vitali Klitschko.
Os ataques em Kiev e arredores na quinta e sexta-feira danificaram armazéns e casas, o que, segundo autoridades ucranianas, faz parte de uma campanha que visa a "paralisar" a cidade onde atualmente vivem cerca de 3 milhões de pessoas.
"A Ucrânia não pode encontrar sozinha soluções para se proteger contra esses ataques. Gostaria de agradecer a todos que estão ajudando com pacotes de apoio adicionais e sanções contra a Rússia", disse Zelenski, que tem solicitado com urgência mais sistemas de defesa antiaérea, especialmente mísseis Patriot de fabricação americana, junto a seus aliados.

Segundo incidente semelhante em dois meses
A explosão desta sexta-feira se assemelha a outro incidente ocorrido na cidade de Vyshneve, na região de Kiev, no mês passado, quando dez pessoas foram mortas e centenas de casas danificadas após o ataque provocar explosões secundárias.
"No quinto ano de guerra em grande escala, não temos o direito de permitir a repetição de tragédias como a de Vyshneve e a do distrito de Bucha ", publicou o primeiro-ministro Sergiy Koretskyi, que visitou o local da explosão de sexta-feira, em postagem no Telegram.
Zelenski disse que processos criminais já foram abertos por acusações de negligência. Autoridades ucranianas não costumam divulgar danos a alvos militares causados por ataques russos.
Bucha foi palco de um dos maiores massacres ocorridos na guerra contra a invasão russa. Em 31 de março de 2022, quando tropas ucranianas libertam o subúrbio de Kiev das forcas russas que o ocupavam, veio à tona um cenário de horror. Em torno de 450 pessoas foram mortas por soldados russos, em muitos casos, de forma violenta.
Ucrânia intensifica ataques ao território russo
A Ucrânia, por sua vez, intensificou seus ataques de longo alcance contra indústrias militares e instalações de energia russas nos últimos meses, usando drones de fabricação local, com o objetivo de reduzir a receita de Moscou com a guerra e fazer com que a população e a economia russa sintam as consequências.
Em seu pronunciamento à nação na noite de sexta-feira, Zelenski disse que Kiev espera aumentar seus ataques de longo alcance contra a Rússia para atingir mil lançamentos de drones por dia.
"No momento, temos uma média de mais de 300 ataques de longo alcance", disse Zelenski sobre as investidas ucranianas, que também têm como alvo grandes redes de varejistas online russos. "Devemos ter mais. Temos um objetivo muito específico e vamos alcançá-lo."

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou neste sábado suas forças destruíram 313 drones ucranianos durante a noite.
Ataques de drones ucranianos feriram 11 pessoas na região de Rostov, na Rússia, disse o governador Yuri Slyusar. Em postagem nas redes sociais, ele afirmou que nove pessoas foram hospitalizadas, incluindo quatro crianças.
Usina nuclear de Zaporíjia sob risco de apagão
O fornecimento de energia para a usina nuclear de Zaporíjia, ocupada pela Rússia desde os primeiros meses da guerra na Ucrânia, está criticamente ameaçado pela diminuição dos estoques de combustível para seus geradores de emergência, alertou neste sábado a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
A usina está sem energia externa há mais de uma semana e depende de geradores a diesel, disse o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi. "A situação atual demonstra mais uma vez por que uma fonte de energia externa confiável e rotas de abastecimento seguras são indispensáveis para a segurança nuclear", pontuou.
Sem o restabelecimento do fornecimento de energia externa ou entregas adicionais de diesel, "a usina poderá enfrentar um apagão em aproximadamente dez dias", alertou Grossi.
A AIEA trabalha para estabelecer uma zona localizada de cessar-fogo para permitir reparos em uma linha de transmissão de energia essencial. Se a iniciativa for bem-sucedida, esses reparos restabeleceriam o fornecimento de energia externa da usina nuclear.

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