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Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2026
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Berlim atribui apagão elétrico a "extremistas de esquerda"

Nova sabotagem à infraestrutura da capital mirou indústria fóssil, disseram supostos autores. Mais de 45 mil casas, hospitais, empresas e escolas ficaram no escuro e sem aquecimento no inverno

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Por Cidade a Cidade
Berlim atribui apagão elétrico a
Com temperatura próxima de zero grau, incêndio deliberado na rede elétrica interrompeu luz e aquecimento em BerlimFoto: Axel Schmidt/REUTERS
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Cerca de 45 mil residências e mais de 2 mil empresas em Berlim ficaram no escuro no sábado (03/01), após um aparente ataque de motivação política contra a rede elétrica da capital alemã, segundo autoridades.  

O prefeito Kai Wegner, do partido conservador União Democrática Cristã (CDU), atribuiu a interrupção do fornecimento de energia a um incêndio provocado deliberadamente por "extremistas de esquerda", falando inclusive em "ato de terrorismo".  

As chamas numa ponte de cabos sobre o Canal Teltow, que leva à usina termelétrica de gás em Berlim-Lichterfelde, danificou várias linhas de energia essenciais, afetando os distritos Nikolassee, Zehlendorf, Wannsee e Lichterfelde. 

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Em setembro, duas torres na cidade já haviam sido alvo de uma ação semelhante. "Suspeitos extremistas de esquerda colocaram vidas em risco conscientemente, especialmente as de pacientes em hospitais, bem como idosos, crianças e famílias", disse Wegner. 

Ataque à indústria fóssil

A autoria do ataque foi reivindicada numa extensa carta enviada a autoridades, que se intitulava "Cortando a energia dos governantes." Acredita-se que os executores do incêndio pertençam ao Grupo Vulcão, que escreveu na internet ter sido bem-sucedido no seu ato de sabotagem.

"Na ganância por energia, a Terra é drenada, sugada, queimada, abusada, incendiada, violentada, destruída", afirmava o texto. "Quedas de energia não foram o objetivo da ação, mas sim a indústria de energia fóssil."

Posto de gasolina fechado por causa de apagão elétrico em Berlim
Ataque mirando a indústria de combustíveis fósseis fechou posto de gasolina, estabelecimentos comerciais e outros em BerlimFoto: Michael Kappeler/dpa/picture alliance

A interrupção atingiu a iluminação pública, telecomunicações móveis, semáforos e geladeiras de supermercados. Em residências particulares, desligou sistemas de aquecimento, enquanto as temperaturas permaneciam próximas de zero grau.

A fornecedora de energia local reconectou cerca de 10 mil residências e pelo menos 150 empresas até a manhã de domingo, incluindo a maioria dos hospitais e clínicas afetados. 

Mas não será possível restabelecer a eletricidade para todos os domicílios afetados antes da tarde de quinta-feira, e escolas deverão fechar temporariamente. A interrupção em setembro também persistiu por vários dias.

Prejuízos milionários

Empresas afetadas esperam consequências econômicas devido à falta de energia. "Prevemos milhões de euros em danos a equipamentos e máquinas e grandes perdas de receita", disse Alexander Schirp, diretor-executivo da Associação Empresarial de Berlim e Brandemburgo (UVB).

Segundo a senadora de Assuntos Econômicos de Berlim, Franziska Giffey, dispositivos incendiários foram colocados diretamente sob os cabos.

"A força com que ocorreu o desenvolvimento contínuo de calor e um incêndio constante foi maior do que a força que uma 'bola explosiva' poderia ter desencadeado", disse Giffey à emissora local RBB na noite de sábado. 

O Grupo Vulcão já havia afirmado anteriormente ser responsável por um ato de sabotagem contra uma fábrica da Tesla na Alemanha, quando linhas de energia que abasteciam o local foram incendiadas.

Episódios como este vêm mostrando a necessidade de mais precaução para empresas, afirmou Schirp: "A queda de energia mostra que nossa infraestrutura não está adequadamente protegida contra ataques e acidentes".

A Alemanha tem estado em alerta máximo para atividades de sabotagem direcionadas à sua infraestrutura, incluindo por atores estrangeiros, como a Rússia.

FONTE/CRÉDITOS: DW Brasil
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