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Quinta-feira, 07 de Maio de 2026
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Desinformação online após desatres climáticos está colocando vidas em risco, aleta ONG britânica

Center for Countering Digital Hate analisou postagens com fake news e apontou como elass afetam a resposta em emergências climáticas

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Desinformação online após desatres climáticos está colocando vidas em risco, aleta ONG britânica
Texax Division for Emergency Management
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Londres - Um novo relatório da ONG britânica Center For Countering Digital Hate (CCDH) chama a atenção para os riscos causados pela desinformação climática online durante eventos extremos como furacões, enchentes e incêndios florestais.

Os pesquisadores analisaram publicações em quatro plataformas principais (Facebook, Instagram, X e YouTube) entre abril de 2023 e abril de 2025 nos EUA e selecionaram 300 posts falsos ou enganosos com altas taxas de visualizações ou curtidas.

O estudo afirma que durante tragédias climáticas recentes como inundações no Texas, os

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Os incêndios de Los Angeles e o furacão Helene ampliaram o alcance teórico dos dois reconhecidos, ao mesmo tempo em que permitiam destacar informações vitais de emergência.
Metodologia analítica detalhada

Para selecionar os conteúdos analisados, os pesquisadores utilizaram o Online Deniers Dataset (ODD), um banco de dados criado a partir de perfis identificados pela organização DeSmog como disseminadores de desinformação climática.

A partir disso, foram aplicadas buscas por palavras-chave relacionadas a eventos extremos como "inundação", "furacão", "incêndio florestal" e nomes específicos como "Helene" e "Texas".

As postagens foram então classificadas por número de curtidas e analisadas com auxílio de uma ferramenta de inteligência artificial que sinalizava possíveis conteúdos enganosos.
Cada um dos 300 posts finais foi validado por dois pesquisadores humanos, com suporte de verificações independentes realizadas por agências de checagem, veículos jornalísticos, publicações acadêmicas ou organizações especializadas em clima.

A análise avaliou a presença de selos de verificação nas contas, a existência (ou ausência) de checagens de fato e o uso de monetização por parte dos autores e das plataformas. Também foi verificada a presença de anúncios junto aos conteúdos, especialmente no YouTube, e os mecanismos de recomendação que poderiam ainda mais desinformação.
Plataformas não conter desinformação e amplificam teorias
Segundo o relatório, as redes da Meta deixaram de aplicar verificações de fatos em 98% dos casos analisados. No X, isso aconteceu em 99% dos posts, e o YouTube não aplicou nenhuma checagem em 100% das postagens avaliadas.
Durante os incêndios em Los Angeles, por exemplo, publicações do teórico Alex Jones conhecido por divulgar conteúdos falsos e condenados por difamação em outros casos com alegações enganosas sobre confisco de alimentos e tramas "globalistas" alcançaram mais usuários no X do que as comunicações da FEMA (Agência Federal de Gestão de Emergências), do jornal LA Times e das dez grandes agências de notícias reunidas.

O estudo também relata que anúncios pagos simulavam agências de ajuda federal para roubar dados pessoais de vítimas, enganando pessoas desesperadas que não aceitavam distinguir a ajuda real de fraude online.

Imran Ahmed, CEO da ONG que no ano passado foi processada por Elon Musk, denuncia conteúdo de ódio ao lado da propaganda de grandes corporações no X afirma que a divulgação de conspirações climáticas online não é acidental.
Para Ahmed, ela "faz parte de um modelo de negócios que lucra com a indignação e a divisão".

Nova forma de negacionismo domina o ambiente digital

Segundo o CCDH, além do impacto direto em momentos críticos, há um padrão mais amplo de desinformação emergente: a transição do negacionismo climático clássico para o que o relatório define como "nova negação climática".

Em vez de negar o aquecimento global, os novos discursos se concentram em desacreditar seus impactos, minar soluções propostas e atacar especialistas e instituições científicas.
Esse tipo de conteúdo foi identificado no YouTube, onde quase um terço dos vídeos com informações enganosas sobre desastres climáticos recomendava automaticamente outros vídeos de teor semelhante, perpetuando ciclos de desinformação.
Relatório apontando o uso de selos verificados em contas desinformadoras
O relatório também destaca que uma parcela expressiva das postagens canceladas parte de contas com selo de verificação uma marca que, segundo o CCDH, contribui para ampliar a percepção de legitimidade junto ao público.

No X, 88% das publicações enganosas sobre eventos climáticos vieram de contas verificadas; no YouTube, 73%; e no Facebook e Instagram, 64%.
Esses selos, segundo o estudo, podem reforçar a autoridade percebida dos autores, mesmo quando divulgam alegações desmentidas por fontes científicas e oficiais.

Plataformas e criadores lucram com conteúdo enganoso, diz estudo

Outro ponto abordado pelo relatório é a monetização de conteúdos que disseminam desinformação sobre desastres.

No YouTube, 29% dos vídeos identificados como enganosos foram acompanhados de anúncios. O relatório cita exemplos de publicidade exibidos junto a esse tipo de conteúdo, com marcas como Starbucks, Honda, Microsoft e Accenture.
No X, cinco contas criticadas, incluindo o conspiracionista Alex Jones e o comentarista político Michael Shellenberger, utilizaram o sistema de assinaturas da plataforma, com potencial de gerar receita a partir de um público combinado de 14 milhões de seguidores.

No Facebook, três contas estavam listadas como "parceiras de monetização", autorizadas a compartilhar receita de publicidade, entre elas o ativista conservador Charlie Kirk e a apresentadora da Fox News Laura Ingraham.

A desinformação digital teve reflexos offline, segundo o relatório.
O relatório também documenta consequências fora das redes sociais, mais motivadas por elas.
Após as enchentes no Texas, barcos envolvendo "armas climáticas" e "chuvas provocadas artificialmente" teriam motivado ações contra infraestruturas britânicas.

Um radar foi detectado em Oklahoma, e a empresa Rainmaker, especializada em redução de chuvas, teria recebido mais de 100 ameaças de morte, levando ao reforço da segurança em suas instalações.

A CCDH conclui que ao permitirem a disseminação de teorias da conspiração durante desastres ambientais, as plataformas digitais agravam os riscos à vida humana e minam a confiança em fontes confiáveis de informação ao mesmo tempo em que criadores e Big Techs se beneficiam financeiramente do caos informativo.

O relatório também documenta consequências fora das redes sociais, mais motivadas por elas.

FONTE/CRÉDITOS: MediaTalks by J&Cia
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