“Sempre me senti um peixe fora d’água. Quando veio o diagnóstico, o alívio foi muito grande”. A história de Luana Oliveira, de 41 anos, reflete a realidade de muitas pessoas que recebem o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) apenas na vida adulta. Algo que Luana encontrou ao longo de sua trajetória como servidora pública há 14 anos, atualmente na Secretaria de Assuntos Portuários e Emprego (Seporte). “Decidi falar abertamente sobre o autismo e fui muito bem recebida", revelou.
"Meus colegas respeitam meus limites, e isso faz toda a diferença. Sou muito metódica, gosto de organização e previsibilidade. Ambientes abertos, com barulho e muitas conversas, também me causam grande sobrecarga sensorial", contou. Hoje, seis anos após a descoberta, Luana desenvolveu estratégias para o dia a dia: pequenas pausas durante o expediente, uso de abafadores de ruído e organização prévia das tarefas ajudam a manter o equilíbrio.
Nesta quinta-feira (2), o Dia Mundial de Conscientização do Autismo destaca a importância da informação, do acolhimento e da qualidade de vida - fatores que podem ser encontrados em Santos por meio de iniciativas municipais.
Para a campanha nacional deste ano, o tema escolhido foi “Autonomia se constrói com apoio”. Isso porque autonomia não significa independência total, nem um padrão único a ser alcançado, mas ampliar, com segurança e dignidade, as possibilidades de cada pessoa autista fazer escolhas e expressar preferências.
De acordo com o Panorama do Censo 2022, 6,3% dos munícipes possuem algum tipo de deficiência, enquanto 1,3% têm diagnóstico de TEA. A inclusão dessas pessoas é prioridade para a Coordenadoria de Defesa de Políticas Públicas para a Pessoa com Deficiência (Codep), vinculada à Secretaria da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos (Semulher), e para o Conselho dos Direitos das Pessoas com Deficiência (Condefi).
“O tema deste ano mostra que cada pessoa com TEA tem seu modo de ser, de se comunicar e de se desenvolver. É no reconhecimento dessas singularidades que a autonomia se constrói. Não é um ponto de chegada individual, mas uma construção coletiva e multidisciplinar. É resultado de uma rede que sustenta, de políticas públicas que garantem direitos e de uma cultura que respeita as diferenças”, destaca a titular da Codep, Cristiane Zamari.
ESTATÍSTICA
Dados do IBGE (Censo 2022) indicam que a prevalência de diagnósticos é maior entre homens em todas as faixas etárias até os 44 anos. Já nas faixas de 50 a 54 e 60 a 69 anos, as mulheres apresentam predomínio ligeiramente maior.
Os números mostram um padrão observado mundialmente: mulheres tendem a ser diagnosticadas mais tardiamente. Segundo outro levantamento do Hospital das Clínicas de São Paulo, 80% das mulheres autistas chegam à vida adulta sem diagnóstico.
O tema da campanha deste ano dialoga diretamente com a trajetória de Luana, que construiu sua autonomia mesmo diante das dificuldades. “Sempre tentei provar para mim mesma que sou capaz. Já morei sozinha, trabalho, cuido da minha rotina", ressaltou.
"Quero ser sempre melhor do que fui ontem. Dá trabalho, mas é possível desenvolver autonomia e qualidade de vida. E é importante lembrar que autistas existem também na vida adulta, não só na infância”, complementou Luana.
CAMINHADA DE CONSCIENTIZAÇÃO
Para celebrar a data e o Abril Azul, mês de conscientização sobre o autismo, Santos promove, no domingo (5), às 10h, a Caminhada de Conscientização do Autismo “Autonomia se constrói com apoio”. Com concentração em frente aos quiosques do Canal 6 e chegada na Fonte do Sapo, a ação reunirá participantes em um momento de mobilização, inclusão e informação.
Camisetas gratuitas serão distribuídas na concentração, das 9h às 10h, conforme disponibilidade de tamanhos.

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