Junho é reconhecido internacionalmente como o mês de conscientização sobre a escoliose, condição caracterizada por um desvio tridimensional da coluna vertebral que pode surgir em diferentes fases da vida, mas que costuma ser identificada com maior frequência durante a infância e a adolescência. A campanha Junho Verde busca ampliar o conhecimento da população sobre a doença, seus sinais de alerta e a importância do diagnóstico precoce para reduzir impactos futuros na qualidade de vida.
O tema ganha relevância, já que a escoliose afeta entre 2% e 4% da população mundial. De acordo com a Agência Brasil, mais de 6 milhões de brasileiros convivem com a condição. A conscientização sobre a doença tem mobilizado entidades médicas e especialistas em coluna em todo o país, especialmente durante o Junho Verde, período dedicado à orientação da população sobre a importância da identificação precoce da doença.
De acordo com o especialista em coluna vertebral, Dr. André Luís Fernandes Andújar (CRM/SC 6736 | RQE 3708), a escoliose pode se manifestar de diferentes formas. “A mais comum é a escoliose idiopática, cuja causa exata ainda não é totalmente conhecida. Ela costuma surgir durante o período de crescimento acelerado do adolescente, especialmente entre os 10 e 18 anos de idade. Existem ainda outros tipos da doença, como a escoliose congênita, presente desde o nascimento devido a alterações na formação das vértebras, a neuromuscular associada a condições que afetam músculos e nervos, e as sindrômicas, associadas a doenças sindrômicas, entre outras”, comenta.
Ainda segundo o especialista, Dr. André Luís Fernandes Andújar, embora muitos casos apresentem evolução lenta, a doença pode progredir durante o crescimento e provocar alterações visíveis na postura. “Ombros com alturas diferentes, assimetria da cintura, inclinação do tronco para um dos lados e saliência de uma das escápulas estão entre os sinais mais comuns. Em alguns casos, a condição pode comprometer a mobilidade, causar dores e dificultar a realização de atividades físicas, escolares e tarefas do dia a dia”, esclarece.
Os ortopedistas pediátricos e especialistas em cirurgia da coluna, Dr. André Luís Fernandes Andújar (CRM/SC 6736 | RQE 3708) e Dr. Rodrigo dos Santos Grandini (CRM/SC 21921 | RQE 17315), sócios e cirurgiões da Clínica da Coluna de Florianópolis, destacam que a identificação precoce continua sendo um dos principais fatores para evitar a progressão das curvaturas durante a fase de crescimento.
“Normalmente a escoliose não provoca dor, o que faz com que o diagnóstico aconteça apenas quando a deformidade já está mais evidente. Por isso, a observação de sinais como ombros desalinhados, assimetria da cintura ou inclinação lateral do tronco é fundamental. Quanto mais cedo a condição for identificada, maiores são as possibilidades de acompanhamento e controle da evolução da curva durante o crescimento”, explica o Dr. André Luís Fernandes Andújar.
Diagnóstico precoce
O diagnóstico geralmente é realizado por meio de avaliação clínica associada a exames de imagem, que permitem medir o grau da curvatura e acompanhar sua evolução. A partir dessas informações, é possível definir a conduta mais adequada para cada paciente.
Segundo o Dr. Rodrigo dos Santos Grandini, nem todos os casos exigem intervenção cirúrgica. “O tratamento depende de fatores como a idade do paciente, o estágio de crescimento e o grau da curvatura. Em muitos casos, o acompanhamento periódico é suficiente. Em outros, podem ser indicados exercícios específicos e o uso de órteses para auxiliar no controle da progressão da deformidade. O mais importante é que cada paciente seja avaliado individualmente para que a conduta seja adequada à sua realidade e ao estágio da doença”, informa.
Os especialistas, Dr. André Luís Fernandes Andújar e Dr. Rodrigo dos Santos Grandini, ressaltam que o tratamento precoce pode contribuir para evitar a progressão e evitar a necessidade do tratamento cirúrgico. Quando identificada em fases iniciais, a escoliose apresenta maiores possibilidades de acompanhamento e controle, especialmente durante a adolescência, período em que ocorre o estirão de crescimento.
“Além dos aspectos físicos, a doença também pode gerar repercussões emocionais e sociais, principalmente entre adolescentes. Alterações na postura e na aparência corporal podem afetar a autoestima e influenciar a participação em atividades esportivas, escolares e sociais. Por esse motivo, entidades médicas e organizações voltadas à saúde da coluna defendem ações permanentes de conscientização e orientação para famílias e educadores”, detalha o especialista Dr. Rodrigo dos Santos Grandini.
O tema também vem sendo debatido em eventos científicos e fóruns médicos dedicados às deformidades da coluna, reforçando a importância da educação em saúde, do rastreamento precoce e do acompanhamento adequado dos pacientes. “Entre os assuntos discutidos estão os avanços no monitoramento da doença, estratégias para diagnóstico mais precoce e a ampliação do acesso à informação para a população”, pontua o Dr. André Luís Fernandes Andújar.
Durante o Junho Verde, a conscientização sobre a escoliose ganha destaque como forma de ampliar o conhecimento da população sobre a condição. A observação de alterações posturais e a busca por avaliação médica diante de sinais suspeitos estão entre as medidas que podem favorecer o diagnóstico em fases iniciais.
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