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Economia

Falta de infraestrutura atrasa evolução do comércio exterior brasileiro

Apesar dos recordes de movimentação, portos brasileiros ainda enfrentam gargalos que afetam a competitividade e ampliam a distância em relação à infraestrutura chinesa 

Cidade a Cidade
Por Cidade a Cidade
Falta de infraestrutura atrasa evolução do comércio exterior brasileiro
Barbara Reis
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Os portos brasileiros nunca movimentaram tanta carga. Em 2025, o setor alcançou a marca histórica de 1,4 bilhão de toneladas, crescimento de 6,1% em relação ao ano anterior. O avanço mostra a força do comércio exterior brasileiro, mas também aumenta a pressão sobre uma infraestrutura que precisa responder com mais velocidade, previsibilidade e integração. É nesse ponto que a comparação com a China ajuda a dimensionar o desafio.

Dados da UN Trade and Development mostram que os portos chineses movimentaram cerca de 279,8 milhões de TEUs em 2024. No Brasil, foram aproximadamente 11,6 milhões no mesmo período. A diferença de escala é enorme e vem acompanhada de investimentos em automação, digitalização, integração entre modais e ampliação da capacidade portuária.

O contraste aparece também nos indicadores globais de desempenho. Segundo o Banco Mundial, os portos do Leste e Sudeste Asiático ocuparam 13 das 20 primeiras posições do Container Port Performance Index de 2023, índice que avalia o tempo necessário para os navios permanecerem nos portos. A região asiática também concentra algumas das operações portuárias mais automatizadas do mundo.

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Para Igor Cazeiro, diretor comercial da Logical, empresa de Logística Internacional, o principal ponto não é simplesmente comparar o tamanho das duas economias, mas observar a capacidade que cada estrutura possui de absorver imprevistos sem transferir todo o impacto para a cadeia logística.

“Quando acontece um problema no Brasil, muitas vezes ele vira uma sequência de atrasos. O navio atrasa, a carga atrasa e isso chega no cliente. Uma infraestrutura mais preparada consegue absorver melhor esse impacto e recuperar a operação mais rápido.”

Na China, essa capacidade fica evidente em grandes complexos como o Porto de Xangai. O terminal automatizado de Yangshan, por exemplo, utiliza sistemas inteligentes para coordenar guindastes, veículos autônomos e movimentações em tempo real. Segundo dados oficiais de Xangai, a automação elevou em cerca de 30% a eficiência operacional do terminal.

Em 2025, mesmo enfrentando períodos de altas temperaturas e a passagem de tufões, o Porto de Xangai superou os 55 milhões de TEUs movimentados e permaneceu pelo 16º ano consecutivo como o porto de contêineres mais movimentado do mundo. Após eventos climáticos, sistemas de previsão, planejamento de berços, automação e capacidade instalada ajudam a reduzir o tempo necessário para reorganizar as operações.

Isso não significa que tufões ou outros fenômenos extremos não provoquem paralisações nos portos chineses. Provocam. A diferença está na estrutura disponível para administrar a interrupção e recuperar capacidade depois dela.

“Não existe logística sem imprevisto. Tufão, chuva, congestionamento e mudança de rota fazem parte do jogo. A diferença está em quanto tempo você leva para voltar ao normal. Para quem importa ou exporta, a previsibilidade vale tanto quanto a velocidade, explica.”

O Brasil também vem avançando. Além do recorde de movimentação portuária em 2025, dados recentes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários mostram crescimento de 9,81% na produção do transporte aquaviário brasileiro no ano, que alcançou 374,6 bilhões de toneladas-quilômetros úteis, o maior resultado dos últimos cinco anos.

O desafio, portanto, não está na falta de demanda. Está em fazer a infraestrutura acompanhar o crescimento do fluxo comercial.

Para empresas brasileiras que dependem de importação e exportação, atrasos portuários não ficam restritos ao cais. Podem afetar estoques, programação de produção, contratos, armazenagem, transporte terrestre e entrega ao cliente final. Quanto menor a previsibilidade da cadeia, maior a necessidade de margens de segurança e planejamento.

Nesse cenário, investimentos em automação portuária, integração ferroviária e rodoviária, digitalização de processos e planejamento de contingência deixam de ser apenas uma discussão de infraestrutura. Passam a ser uma questão de competitividade.

A experiência chinesa mostra que eficiência logística não significa impedir que uma crise aconteça. Significa construir uma cadeia capaz de sofrer o impacto, reorganizar a operação e continuar funcionando.
Para o Brasil, que movimenta volumes cada vez maiores no comércio exterior, essa talvez seja uma das discussões mais importantes dos próximos anos.

FONTE/CRÉDITOS: Increase

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