Um levantamento recente do Sistema Único de Saúde (SUS) revelou um dado preocupante: as internações por infarto em pessoas com menos de 39 anos mais do que dobraram nos últimos 16 anos. O aumento acende um alerta sobre a saúde cardiovascular da população jovem e reforça a necessidade de atenção às mudanças de comportamento e hábitos que vêm.
Segundo o Dr. George Novaes Farage, cardiologista do HNipo, a principal explicação está no estilo de vida moderno, cada vez mais sedentário e marcado por altos níveis de estresse, que acaba impactando diretamente o coração. “Nos últimos anos, houve uma mudança significativa no estilo de vida da população jovem. O sedentarismo aumentou, a alimentação se tornou mais ultraprocessada e o estresse crônico passou a fazer parte da rotina de muita gente. Além disso, o consumo de cigarros eletrônicos também tem contribuído para o dano vascular precoce, mesmo sendo visto como inofensivo. Todos esses fatores, somados ao sobrepeso e à falta de acompanhamento médico regular, favorecem o surgimento de doenças cardiovasculares em idades cada vez menores”, explica.
A médica alerta ainda que o cigarro eletrônico, popular entre os mais jovens, também é um importante fator de risco. “Existe uma falsa percepção de segurança, mas o cigarro eletrônico provoca inflamação nas artérias, aumenta a pressão e acelera o envelhecimento dos vasos sanguíneos. O risco de infarto é real, mesmo em pessoas sem outros problemas de saúde aparentes”, afirma a especialista.
Os sintomas, segundo a cardiologista, podem ser sutis e até confundidos com ansiedade ou desconfortos musculares, o que atrasa o diagnóstico. “Dor ou aperto no peito, falta de ar, suor frio e tontura são sinais de alerta. Diante de qualquer suspeita, é essencial procurar um pronto-socorro imediatamente. O tempo é decisivo para salvar o músculo cardíaco e evitar sequelas”, reforça.
Para o cardiologista, o caminho da prevenção começa em adotar hábitos saudáveis desde a juventude, com alimentação balanceada, prática regular de atividade física e acompanhamento médico periódico, atitudes fundamentais para frear essa tendência. “Cuidar do coração não é uma preocupação exclusiva da terceira idade. Quanto antes começarmos, maiores serão as chances de envelhecer com saúde e qualidade de vida”, conclui.

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