Depois de seis anos de carreira, 26 músicas lançadas e uma transformação significativa em sua relação com a música, a cantora e compositora carioca Manolaapresenta "THE PRIZE", seu primeiro álbum. Com oito faixas autorais, o projeto percorre diferentes etapas de uma jornada de maturidade emocional, passando pelo vitimismo, relacionamentos disfuncionais, medo, términos e autossabotagem até chegar ao autoconhecimento, à autorresponsabilidade com autocompaixão, ao fortalecimento da autoestima e à possibilidade de viver uma vida mais intencional e construir relações de mais qualidade.
O álbum reúne as faixas "Any Reason", "Try Harder", "Generous", "Girlfriend Experience", "It's Not Me, It's Me", "I'm Fine", "The Prize" e "Girassol", sendo as três últimas inéditas. As músicas são autorais, escritas por Manola e Carol Sardou, com produção musical de Rodrigo Lampreia e Alessandro Washington. O projeto é lançado pela Soho Music Records, distribuído pela Virgin Music Brasile editado pela Sony Music Publishing.
"THE PRIZE" nasce de um processo profundamente pessoal. Manola transforma em música experiências que atravessaram sua própria vida e, ao mesmo tempo, refletem questões universais sobre relacionamentos, escolhas e amadurecimento. Mais do que narrar uma história de superação, o álbum investiga a passagem de um lugar de vitimismo para o autoconhecimento, a autorresponsabilidade e a autocompaixão, entendendo que assumir a responsabilidade pela própria vida pode ser também uma forma de recuperar autonomia e transformar a própria história.
"The Prize é sobre assumir as rédeas da própria vida, conseguir mergulhar pra dentro de si, encarar o que tiver que encarar com autorresponsabilidade e autocompaixão, a busca por maturidade que torna nossa vida mais intencional e nossas relações com mais qualidade", explica Manola.
O conceito do álbum também está diretamente ligado à trajetória recente da artista. No início de 2025, enquanto cursava duas pós-graduações, em Psicologia Positiva e Neurociência, Manola criou o quadro "Hora do Chá", voltado para reflexões sobre maturidade emocional, autoconhecimento e poesia. O conteúdo provocou uma mudança expressiva em sua presença digital: sua audiência no Instagram saltou de aproximadamente 22 mil para 240 mil seguidores.
Com o crescimento, veio também uma nova responsabilidade. O aprofundamento dos temas que já faziam parte de sua produção de conteúdo levou Manola a iniciar uma segunda graduação, desta vez em Psicologia. A busca por compreender melhor o comportamento humano passou a dialogar diretamente com sua arte.
"Eu acho que o meu crescimento no Instagram se deu porque tudo o que eu falo eu realmente aprendi. Se eu falo 'Quebra Tudo', é porque é o que eu falo pra mim também, porque eu ativamente busquei me encarar mais profundamente nos últimos anos. Eu digo profundamente porque foi uma virada de chave imensa pra mim nesse mergulho de autoconhecimento: até os 30 anos, eu ficava me aprofundando para tentar entender e justificar o porquê de eu estar certa. Depois dos 30, eu tô buscando onde eu tô errada. Porque o que atrapalha a gente não é o que a gente não sabe, é o que a gente tem certeza que é, e muitas vezes não é. Eu posso achar que tenho toda a razão, mas, se não tô conseguindo certas coisas que são importantes pra mim, tenho que considerar desconsiderar as minhas certezas. E aí começa a maior aventura", conta.
Uma jornada contada em oito faixas
A narrativa de "THE PRIZE" se desenvolve ao longo do álbum como uma travessia. Em "Any Reason", Manola parte de um lugar de desorientação e vulnerabilidade. "Try Harder" mergulha no medo das mudanças, do término e da incerteza sobre ter tomado a decisão certa. Em "Generous", a artista brinca com a ideia de ter dois relacionamentos, usando o humor para construir uma narrativa sobre desejo, escolhas e contradições afetivas.
"Girlfriend Experience" aprofunda a busca por amor em lugares que talvez não sejam capazes de oferecer o que se procura, enquanto "It's Not Me, It's Me"apresenta uma das viradas conceituais do projeto: em vez do conhecido "não é você, sou eu", Manola encara a própria responsabilidade diante de padrões de autossabotagem.
A faixa "I'm Fine" representa um momento posterior ao enfrentamento e ao luto de um término. É quando a personagem deixa de apenas reconhecer seus conflitos e começa, de fato, a ocupar o próprio lugar.
Na faixa-título, "The Prize", a artista sintetiza a ideia central de todo o projeto: o verdadeiro prêmio não está em vencer uma disputa, receber validação ou encontrar alguém que complete sua história, mas em conquistar autonomia para escolher quem se quer ser.
"O meu prêmio é ser quem eu sou, agindo a partir da minha essência, e não mais reagindo a partir da minha falta."
O percurso chega a "Girassol", faixa que rompe propositalmente com a estética das demais músicas. Enquanto as outras faixas são em inglês e transitam pelo pop com elementos eletrônicos, "Girassol" é cantada em português e francês e aposta em uma sonoridade de bossa nova. Solar e leve, a canção representa um novo momento, um recomeço e a possibilidade de seguir em direção à luz, ao conhecimento, à alegria e ao amor.
"'Girassol' é diferente de todo o resto do álbum. Depois de tudo, é só o começo. É seguir em direção da luz, do conhecimento, da alegria e do amor", define a artista.
Uma estética em que tudo significa
A narrativa de "THE PRIZE" também se manifesta visualmente. Os vídeos que acompanham o projeto foram concebidos como visualizers performáticos e conceituais, com uma estética enxuta e carregada de significados. Manola assina a direção de arte de todos os trabalhos e participa diretamente da construção de cada elemento visual.
Alguns vídeos foram realizados em parceria com a V7 Filmes, produtora com a qual Manola já havia trabalhado no podcast "Que Não Saia Daqui". Outros foram desenvolvidos com a fotógrafa Naju, que a artista conheceu durante a graduação em Psicologia. A parceria entre as duas resultou nos vídeos de "Any Reason" e "I'm Fine".
A própria trajetória visual do álbum possui um elemento recorrente: as botas.
Em "Any Reason", Manola aparece descalça, em um bosque sob a chuva, usando um vestido cru. A ausência dos sapatos representa uma personagem sem chão, sem identidade e perdida. Em "It's Not Me, It's Me", o mesmo vestido reaparece, mas uma bota pressiona seu rosto contra o chão. A virada está justamente na revelação de que é a própria Manola quem coloca a bota ali.
A imagem materializa a ideia de que, muitas vezes, o peso que parece vir de fora também é alimentado pelas próprias incoerências e pela autossabotagem.
Em "I'm Fine", finalmente, Manola calça as botas. O figurino também muda, incorporando flores, renda e uma fivela. Ela se coloca de pé e assume o próprio lugar na própria vida.
"As ideias foram surgindo, as roupas eu já tinha, os elementos que eu escolhi para contar as narrativas dos vídeos também. Foi tudo muito natural, porque o processo de criação do álbum foi muito pessoal. Mais do que criadas, eu sinto que essas ideias foram reveladas", explica.
Nas faixas que atravessam os momentos de dor e evitação, a estética ganha tons mais escuros. Em "Try Harder", a imagem traduz o medo da incerteza e das mudanças. Em "Generous", duas pirâmides de taças de champanhe remetem às celebrações de casamento, enquanto dois anéis de noivado, um em cada mão, adicionam uma camada irônica à narrativa. Já "Girlfriend Experience" parte de uma estética inspirada no imaginário de uma noiva, mas atravessada por cinismo e pela sensação de procurar amor no lugar errado enquanto se acredita estar no controle.
"THE PRIZE", por sua vez, ainda preserva parte de seu universo visual como surpresa, mantendo o mistério em torno da faixa que dá nome ao álbum.
O encerramento visual dessa jornada acontece em "Girassol", gravado em Tulum, durante uma viagem de Manola com a irmã. Registrado em um único take, dentro de um Airbnb, o vídeo nasceu de maneira espontânea durante uma viagem que também celebrava o aniversário da irmã e incluía um workshop sobre felicidade promovido por ela.
A experiência tem uma conexão especial com a própria trajetória das duas. Na mesma época, as irmãs buscaram formação em Psicologia Positiva, e a irmã de Manola realizou mestrado na University of Pennsylvania, instituição reconhecida por sua tradição na área e onde estudou no programa associado a Martin Seligman, um dos principais nomes responsáveis pelo desenvolvimento da Psicologia Positiva. O workshop sobre felicidade realizado durante a viagem se conecta, assim, ao universo de pesquisa e interesse que também atravessa a trajetória de Manola.
Da composição ao primeiro álbum
Embora "THE PRIZE" seja seu primeiro álbum, Manola sempre escreveu as próprias músicas e compõe desde criança. A decisão de transformar essa produção em um álbum aconteceu em 2024, quando a artista sentiu que havia encontrado a sonoridade que queria levar adiante.
"Eu sempre compus minhas próprias músicas, sempre escrevi desde criança, mas me senti pronta pra fazer meu primeiro álbum lá em 2024, quando senti que encontrei minha sonoridade. Eu realmente não entendo de produção e tal, mas eu ouço e sei dizer se sou eu ou não sou eu. E 'The Prize' sou eu."
O processo de criação aconteceu ao lado de Carol Sardou, Rodrigo Lampreia e Alessandro Washington, em um ambiente que Manola descreve como leve, espontâneo e de troca.
"As histórias das músicas são mais autobiográficas do que eu gostaria de admitir. Eu escrevo o que eu vivo e sou visceral em tudo o que faço. Até mesmo agora que estou buscando profundidade, disciplina, presença, fé e consistência, eu dou um passinho de cada vez com serenidade visceral, se dá pra me entender", brinca.
Para Manola, a música também funciona como uma forma de elaboração e cura.
"Eu amo escrever, eu amo cantar, eu amo fazer os vídeos. Sinceramente, me cura."
A partir de agosto, a artista inicia uma sequência de lançamentos audiovisuais relacionados ao álbum, com vídeos semanais no YouTube. Em setembro, a estratégia ganha ainda mais intensidade, com dois conteúdos por semana, entre visualizers das faixas e materiais especiais faixa a faixa, ampliando a narrativa de "THE PRIZE" para além do álbum.
Ao transformar experiências pessoais em música, imagem e reflexão, Manola não apresenta apenas um disco de estreia. "THE PRIZE" funciona como o registro de uma mudança de perspectiva: sair da necessidade de provar que está certa para assumir a responsabilidade por aquilo que pode transformar.
"No momento em que eu pego a responsabilidade pra mim, ainda que a culpa não seja minha, eu me dou o poder de mudar, de assumir a narrativa da minha história. Eu não sou mais definida pelo que fizeram comigo e sim pelo que eu decido fazer a partir daí. E eu fiz arte, e eu me aprofundo, estudo, coloco no mundo, pra poder impactar positivamente as pessoas a partir do que eu aprendi de verdadeiro, dando sentido a toda a minha história."
No fim dessa jornada, a pergunta que permanece é também o manifesto que acompanha o projeto: qual é o seu prêmio?
Para Manola, a resposta está menos em conquistar algo externo e mais em recuperar a própria autonomia.
"O único prêmio real é se permitir ser quem se é."

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