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Milhares de caminhões estão parados nas estradas da Bolívia

Manifestantes contrários ao governo de Rodrigo Paz fecharam várias rodovias pelo país. Impasse já dura mais de um mês.

Cidade a Cidade
Por Cidade a Cidade
Milhares de caminhões estão parados nas estradas da Bolívia
Protestos são impulsionados por setores ligados ao ex-presidente Evo Morales e já provocam desabastecimento em partes do país/Foto: Patricia Pinto/REUTERS
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Mais de 5 mil caminhoneiros estão parados há um mês e meio em diferentes rodovias na Bolívia devido a bloqueios de grupos que exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz. Eles estão sem acesso a alimentos, medicamentos ou serviços básicos, informou nesta segunda-feira (15/06) a Câmara Nacional de Transporte (CNT). 

Os motoristas retidos estavam em trânsito para transportar mercadorias de exportação ou importação. A situação provocou escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis no país.

Embora os bloqueios permaneçam em cinco das nove regiões da Bolívia, um dos pontos mais críticos é a zona de Sayari, na estrada entre a região central de Cochabamba e a andina de Oruro, a mais de 4 mil metros de altitude e com temperaturas que, a esta época do ano, podem cair abaixo de zero.

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"Nossas condições são desumanas, não temos medicamentos, mantimentos. Fomos sequestrados pelos manifestantes", disse por telefone à agência de notícias EFE o caminhoneiro Víctor Garvizu. Ele saiu no final de abril de Cochabamba rumo ao porto chileno de Iquique, mas está retido desde o início de maio em Sayari, a menos de 100 quilômetros de onde iniciou a viagem.

Garvizu relatou que os motoristas consomem água de um riacho que precisam ferver previamente para não adoecer e que se organizaram em pequenos grupos para conseguir alimentos e fazer pequenas cozinhas comunitárias. Ainda assim, ele afirma que o desabastecimento também afeta a zona rural.

Segundo o motorista, os que estão em pior situação são os caminhoneiros diabéticos. Alguns teriam deixado seus caminhões para tentar chegar até Cochabamba por conta própria, comprar medicamentos e depois retornar à estrada.

Garvizu contou que os manifestantes evitam qualquer contato, são hostis e não cumpriram uma promessa anunciada de abrir provisoriamente a passagem por razões humanitárias.

Caravana contra os bloqueios em Cochabamba

Caminhoneiros e proprietários de empresas de transporte responderam nesta segunda-feira com uma caravana de protesto em Cochabamba, com dezenas de caminhões que percorreram mais de 15 quilômetros até as portas da Governadoria departamental na capital da região.

Os veículos exibiram cartazes com pedidos de desbloqueio das rodovias e de respeito ao direito ao trabalho.

O diretor executivo da Câmara de Transporte de Cochabamba, Oscar López, disse à imprensa que o setor exige trazer seus colegas retidos em lugares como Sayari e que as rotas sejam liberadas para que possam trabalhar.

Governo Paz diz estar sendo pressionado por "narcoterroristas"

A Defensoria do Povo, a Cruz Vermelha e a entidade católica Cáritas iniciaram nesta segunda-feira uma caravana de ajuda humanitária para levar desde La Paz alimentos e medicamentos a cerca de 600 caminhoneiros presos nos bloqueios na região do altiplano.

Os bloqueios de estradas, iniciados em 6 de maio, são impulsionados pela Federação de Camponeses de La Paz, a Central Operária Boliviana (COB) e setores aliados ao ex-presidente Evo Morales (2006-2019), para exigir a renúncia de Paz, que completou sete meses de governo há uma semana. 

Os manifestantes rejeitam as propostas de reformas econômicas de Paz e exigem uma saída para a pior crise econômica do país em quatro décadas. O governo Paz, por sua vez, alega estar sendo pressionado por "narcoterroristas" ligados a Morales.

Os protestos já teriam deixado ao menos 16 mortos, 13 deles por falta de acesso a atendimento médico em função do bloqueio das estradas. Segundo a estatal Administradora Boliviana de Estradas, os bloqueios diminuíram de 100 nas duas últimas semanas para 50 nesta segunda-feira.

De acordo com a agência de notícias AFP, o governo de Paz não descarta impor um estado de exceção que restringiria a liberdade de reunião e movimento e permitiria usar militares para controlar os protestos.

Em La Paz, capital administrativa da Bolívia, moradores faziam filas de até três quarteirões do lado de fora de um supermercado estatal para tentar comprar carne de frango a preços subsidiados. Nos mercados privados da cidade e na vizinha El Alto, as carnes e os vegetais ainda custam mais do que o dobro do preço normal.

Nos hospitais também faltam medicamentos. E nas proximidades dos postos de combustível, motoristas dormem por dias em seus veículos à espera de uma chance de abastecer.

"Toda a população é que está sofrendo. E o governo não toma decisões. Estão esperando que, por cansaço, por desgaste, todos os bloqueios sejam suspensos", diz à AFP Paola Herrera, de 50 anos, funcionária de uma empresa de transporte.

FONTE/CRÉDITOS: DW Brasil

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