O comandante da Força Aérea Equatoriana (FAE) pediu desculpas públicas nesta quinta-feira (04/06) pelo desaparecimento e morte de quatro meninos negros, com idade entre 11 e 15 anos, cujos corpos foram encontrados carbonizados e com sinais de tortura, em 2024.
Em dezembro de 2025, a Justiça do Equador condenou 11 militares a 35 anos de prisão pelo crime. Outros cinco agentes, que colaboraram com a investigação, receberam pena de dois anos e meio de detenção.
Na cerimônia desta quinta, o general Mauricio Salazar, comandante da FAE, disse que a corporação reconhece "com vergonha e dor que o Estado é responsável por um fato horrendo: a desaparição forçada e a posterior morte de quatro crianças afrodescendentes".
O general afirmou que o Estado não protegeu os meninos nem forneceu às famílias informações imediatas, completas e verídicas sobre a detenção, o paradeiro e o destino dos jovens.
"Por tudo isso, pedimos perdão, de maneira explícita, às mães, pais, irmãs, irmãos e demais familiares de Josué, Ismael, Steven e Nehemías", acrescentou o comandante, lendo um texto determinado por decisão judicial.
Houve vaias e gritos de protesto, como "Estado repressor".
O caso comoveu o país quando os corpos dos meninos foram encontrados, na véspera do Natal, carbonizados, com sinais de tortura e tiros na cabeça.
Menores voltavam para casa depois do futebol
O crime ecoa a retórica linha-dura de combate ao crime do presidente de direita Daniel Noboa, alvo de críticas de organizações de direitos humanos.
Na noite de 8 de dezembro de 2024, uma patrulha com 16 soldados deteve Steven Medina, Nehemías Arboleda e os irmãos Josué e Ismael Arroyo. Eles haviam jogado bola e estavam nos arredores de um centro comercial próximo ao bairro onde viviam, na periferia da cidade de Guayaquil.
No entanto, em vez de entregá-los à polícia, os soldados os levaram até uma localidade a cerca de 40 quilômetros de Guayaquil, próxima a uma base militar da FAE. Sob a suspeita alegada de furto, eles agrediram os meninos, os obrigaram a se despir e, de acordo com os relatos dos militares, os abandonaram.
Os restos carbonizados foram encontrados vários dias depois em uma área próxima de mangue, e a autópsia apontou que ao menos três corpos tinham marcas de disparos.
Pedido de desculpas foi ordem judicial
O tribunal responsável pelo caso descartou a hipótese de roubo e condenou os militares pela desaparição forçada dos menores.

Em paralelo, o caso chegou à Corte Constitucional, que, além de exigir um pedido de desculpas, determinou que 8 de dezembro seja declarado dia em memória dos menores e ordenou mudanças em protocolos internos e leis, entre outras medidas de reparação.
Familiares dos quatro meninos e de outras vítimas estavam na cerimônia de quinta-feira. "Estou incompleta [...]. A única coisa que quero é saber a verdade. O que aconteceu com nossos filhos?", disse Johana Arboleda, mãe de Nehemías. "Gostaria que isso não se repetisse com nenhuma outra criança nem com ninguém", acrescentou.
De acordo com a Anistia Internacional, a Procuradoria equatoriana recebeu denúncias de possível desaparecimento forçado de cerca de 50 pessoas desde 2023, início do mandato de Noboa.


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