Morreu nesta segunda-feira, 31 de agosto de 2026, aos 77 anos, o jornalista Carlos Américo Aguiar Monforte, um dos nomes históricos do telejornalismo brasileiro e um dos primeiros profissionais a exercer o papel de âncora na televisão do país. Natural de Santos, no litoral de São Paulo, Monforte construiu uma carreira de mais de quatro décadas, marcada pela reportagem, pela apresentação de telejornais e, principalmente, pela cobertura política em Brasília.
A morte foi confirmada pela família à TV Globo e pela GloboNews. A causa não foi divulgada oficialmente. Informações publicadas pela imprensa indicam que o jornalista estava em tratamento contra um câncer.
De Santos para o jornalismo nacional
Nascido em Santos, em 3 de julho de 1949, Carlos Monforte começou sua carreira jornalística ainda durante a faculdade. Estudante da Faculdade de Comunicação de Santos, começou a trabalhar como repórter no jornal A Tribuna, tradicional veículo da cidade.
Formou-se em Jornalismo em 1972 e, posteriormente, trabalhou na Secretaria de Obras do Estado de São Paulo. Entre 1973 e 1978, foi repórter especial de O Estado de S. Paulo. Durante esse período, também buscou aperfeiçoamento profissional no exterior, realizando cursos na Universidade de Navarra, na Espanha, e na Fundação Beauve Marie, na França.
A experiência adquirida no jornalismo impresso seria fundamental para sua passagem à televisão, iniciada em 1978.
A chegada à Globo
Monforte entrou na TV Globo em 1978 como repórter local em São Paulo. Em pouco tempo, passou a produzir reportagens para o Jornal Nacional e o Fantástico, participando de importantes coberturas jornalísticas, entre elas as greves dos metalúrgicos do ABC Paulista.
Na década de 1980, sua carreira ganhou ainda mais projeção. Em 1982, assumiu a editoria de Política do Jornal da Globo e também passou a atuar como editor e apresentador do Bom Dia São Paulo.
Mas foi no ano seguinte que seu nome entrou definitivamente para a história da televisão brasileira.
O primeiro rosto do Bom Dia Brasil
Em janeiro de 1983, a Globo estreou o Bom Dia Brasil, novo telejornal voltado principalmente para as primeiras notícias do dia e para os acontecimentos políticos de Brasília. Carlos Monforte foi escolhido para ser o editor-chefe e apresentador da primeira edição.
Ele permaneceu à frente do programa durante nove anos, tornando-se uma das figuras mais conhecidas do jornalismo televisivo brasileiro naquele período. Sua atuação ajudou a consolidar um modelo de apresentação no qual o jornalista também participava ativamente da edição e da construção do conteúdo do telejornal.
Além do Bom Dia Brasil, Monforte teve passagens pelo Jornal da Globo, Jornal Nacional, Fantástico e outros produtos jornalísticos da emissora.
Jornalismo político e Brasília
A relação de Carlos Monforte com Brasília se tornou uma das marcas de sua trajetória profissional. Depois de deixar o Bom Dia Brasil, ele continuou atuando como repórter especial e posteriormente assumiu funções importantes na cobertura política.
Entre 1992 e 1994, ficou temporariamente afastado da Globo para participar da estruturação do departamento de comunicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Depois, retornou à emissora como repórter especial em Brasília.
Um dos episódios mais conhecidos de sua carreira aconteceu em 1994, durante o chamado "escândalo da parabólica". Uma conversa informal entre Monforte e o então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, acabou sendo captada acidentalmente por telespectadores que utilizavam antenas parabólicas. O episódio teve grande repercussão nacional e se tornou um dos momentos marcantes do jornalismo político brasileiro daquela década.
Na GloboNews
Com a criação e expansão da GloboNews, Monforte também passou a ter papel importante no canal de notícias. Em 1998, integrou o Espaço Aberto e, posteriormente, assumiu a coordenação da GloboNews em Brasília.
A partir da capital federal, participou e comandou programas como o Jornal das Dez, consolidando sua imagem como um dos profissionais mais experientes da emissora na cobertura dos acontecimentos políticos do país.
Monforte deixou definitivamente a Globo em 2016, depois de quase quatro décadas de atuação no grupo.
Um santista que ganhou o Brasil
Apesar de ter construído grande parte da carreira longe de sua cidade natal, Carlos Monforte nunca deixou de ter sua origem santista registrada em sua trajetória. Santos foi o ponto de partida de sua formação e de seus primeiros passos no jornalismo.
A própria Prefeitura de Santos incluiu Monforte entre os personagens que marcaram os 480 anos da cidade, destacando sua carreira na imprensa e sua contribuição para o jornalismo brasileiro.
Seu percurso, que começou nas páginas de A Tribuna, passou por O Estado de S. Paulo e chegou às principais bancadas e redações da televisão brasileira, representa também uma parte da própria transformação do jornalismo no país.
Velório e cremação
Carlos Monforte será velado nesta terça-feira, 1º de setembro, em Brasília, cidade onde viveu durante décadas.
A cerimônia será realizada das 13h às 15h, na Capela 1 do Cemitério Campo da Esperança, em Brasília. A cremação está prevista para as 15h15, também no local.
A despedida acontece na capital federal, cidade que se tornou uma das principais referências de sua vida profissional e onde Monforte viveu por cerca de 43 anos.
Legado
Carlos Monforte deixa como legado uma trajetória marcada pelo compromisso com o jornalismo e pela participação em momentos importantes da história política e social brasileira.
Para uma geração de telespectadores, seu rosto e sua voz ficaram associados às primeiras notícias da manhã, especialmente durante os nove anos em que esteve à frente do Bom Dia Brasil. Para o jornalismo brasileiro, fica a trajetória de um profissional que transitou pela reportagem, edição, apresentação e cobertura política, ajudando a construir o modelo de telejornalismo que se consolidou no país.
Natural de Santos, Carlos Monforte saiu do litoral paulista para conquistar espaço entre os grandes nomes da televisão brasileira. Aos 77 anos, encerra sua trajetória profissional, mas permanece na memória do jornalismo como um dos pioneiros da era dos grandes âncoras da televisão brasileira.

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