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Naufrágio na costa leste da África deixa mais de 130 mortos

Embarcação de migrantes afundou próxima ao litoral do Djibuti, em rota utilizada por pessoas que buscam trabalho nas nações mais ricas do Golfo, fugindo de guerras e da pobreza

Cidade a Cidade
Por Cidade a Cidade
Naufrágio na costa leste da África deixa mais de 130 mortos
Perigosa rota de travessia do Chifre da África para a Península Arábica é muito utilizada por migrantes rumo ao Golfo/Foto: Luis Tato/AFP
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Ao menos 139 pessoas, incluindo crianças, morreram após um barco com mais de 300 migrantes adernar na costa do Djibuti, no leste da África, informou a Organização Internacional para as Migrações (OIM) neste domingo.

Esse número inclui apenas as pessoas sepultadas pelas autoridades do Djibuti. Outras foram enterradas pelos próprios migrantes, mas não serão incluídas na contagem oficial até que as autoridades possam verificar os corpos, informou Alexandre Coissac, chefe da missão da OIM no Djibuti.

"O que é terrível é que foram enterradas sem identificação, em uma vala comum, como em uma situação de guerra", disse Coissac. "Todos eles têm mãe e pai, e talvez nunca saibamos o que aconteceu."

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Ele afirmou que os migrantes embarcaram na noite de 8 de outubro e que a embarcação afundou logo em seguida, perto da costa, "principalmente por estar superlotada".

"As autoridades locais fizeram o possível", disse Coissac, "mas ficaram sobrecarregadas com a quantidade de corpos que chegavam todos de uma vez à costa."

Rota de migrantes que buscam trabalho nas nações do Golfo

Os mais de 80 sobreviventes  – todos cidadãos etíopes – foram levados para o centro de resgate da OIM em Obock, onde recebem assistência médica, devido à ingestão de água do mar, e apoio psicológico.

"Estão todos em estado de choque", disse Coissac, que visitou o local do naufrágio neste sábado (10/10). "Tentei conversar com alguns deles, mas é muito difícil."

Pelo menos 84 pessoas continuavam desaparecidas em um dos naufrágios mais letais já registrados na movimentada, porém perigosa, rota de travessia do chamado Chifre da África para a Península Arábica, onde muitos migrantes buscam trabalho nas ricas nações do Golfo.

O barco viajava do Djibuti para o Iêmen quando virou, na noite de quinta-feira ou na manhã de sexta-feira, segundo a OIM. A agência de migração da ONU, sediada em Genebra, informou que a embarcação transportava 305 pessoas e alertou que o número de mortos ainda pode aumentar.

As operações de resgate prosseguiam enquanto crescia a preocupação com o destino dos desaparecidos.

Funcionários da OIM se aproximam de barco de migrantes em praia do DjibutiFuncionários da OIM se aproximam de barco de migrantes em praia do Djibuti
Dezenas de milhares de migrantes viajam todos os anos passando pelo Djibuti e através do Estreito de Bab el-MandebFoto: International Organization for Migration/Handout/REUTERS

Dezenas de milhares de migrantes do Chifre da África viajam todos os anos passando pelo Djibuti e atravessando o Estreito de Bab el-Mandeb em direção aos países do Golfo, em busca de segurança e oportunidades econômicas, afirmou a OIM em seu comunicado.

Esse fluxo migratório continua ativo apesar da recente intensificação do conflito no Iêmen, situado do outro lado do estreito.

Mais de 900 mortos ou desaparecidos em 2025

"É uma perda de vidas devastadora", disse Coissac. "Essa tragédia é um lembrete contundente dos perigos enfrentados pelos migrantes ao longo desse corredor migratório em sua busca por oportunidades econômicas."

Nas últimas semanas, pelo menos 2 mil iemenitas receberam assistência no Djibuti, em meio à escalada nos combates entre o governo reconhecido internacionalmente – apoiado pela Arábia Saudita – e os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã.

Mais de 900 migrantes morreram ou desapareceram ao longo dessa rota no ano passado, segundo o Missing Migrants Project (Projeto Migrantes Desaparecidos) da OIM.

"Ninguém entra em uma embarcação desse tipo a menos que acredite não haver outra alternativa segura", afirmou a diretora-geral da OIM, Amy Pope. "Não podemos continuar tratando essas mortes como algo normal. Vias seguras e legais salvam vidas. Peço aos governos e doadores que ajam antes que a próxima embarcação naufrague."

FONTE/CRÉDITOS: Redação DW

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