Levantamento realizado pela Escola de Comunicadores aponta que mais de 58% dos profissionais da área considerou abandonar a atividade devido ao burnout nos últimos dois anos
Um estudo abrangente realizado com 550 profissionais de assessoria de comunicação e imprensa, entre jornalistas e relações-públicas, revelou uma alarmante prevalência de estresse e desafios de saúde mental no setor.
O levantamento intitulado Panorama do estresse e saúde mental em Assessoria de Imprensa / PR, que incluiu colaboradores, gestores, freelancers e profissionais em busca de recolocação, destaca um cenário preocupante: mais de 58% dos participantes afirmaram já ter considerado sair da área devido ao burnout, enquanto 53,6% já deixaram empregos ou negócios por esse motivo.
Estresse em alta: impacto na produtividade e qualidade de vida
Os dados revelam que o estresse é uma constante no cotidiano dos profissionais de PR, com quase metade dos respondentes classificando seus níveis de estresse em 8 ou mais, em uma escala de 1 a 10. A pressão por resultados imediatos (66,4%), a expectativa de estar sempre disponível (50,9%) e a falta de clareza sobre funções (41,8%) são apontados como os principais fatores que contribuem para o esgotamento.
Além disso, 52,7% dos entrevistados relataram que o estresse reduz significativamente sua produtividade, evidenciando o impacto direto do problema no desempenho profissional. O cenário se agrava com a dificuldade de desconectar do trabalho: 60,9% dos profissionais trabalham mais de 41 horas por semana, e 60% não conseguiram tirar pelo menos 20 dias de férias no último ano.
Sintomas físicos e demandas por melhores condições de trabalho
Os sintomas físicos do estresse também foram evidenciados nas respostas. Cansaço constante (76,4%), problemas de sono (75,5%) e dores musculares (69,1%) foram os mais relatados, indicando uma relação direta entre o trabalho e a saúde física dos profissionais.
Diante desse quadro, os participantes sugerem mudanças importantes para melhorar o bem-estar no setor, como uma comunicação interna mais eficaz (40,9%), aumento salarial (39,1%) e mais suporte psicológico (30%). A maioria dos profissionais (35,5%) também prefere um modelo de trabalho completamente flexível, que permita melhor gestão do tempo e das demandas.
Os resultados refletem um problema estrutural nas relações de trabalho no setor, onde o ritmo acelerado e a pressão contínua são muitas vezes a norma.
Com base nas respostas fornecidas pelos profissionais, seriam bem-vindas a adoção de medidas concretas para a promoção de saúde mental, como acesso a suporte psicológico, políticas de feedback mais frequente e eficaz, além de maior flexibilidade no horário de trabalho.
“A pesquisa deixa claro o quão é urgente a implementação de estratégias que promovam o bem-estar e uma cultura de trabalho mais saudável na área. Isso não acontece só no Brasil, mas por aqui o tema ainda é deixado de lado, sendo pouco relevante pela maioria das empresas, agências e pelos próprios indivíduos que enfrentam um dia a dia de pressão”, afirma Diego Pudo, diretor da Escola de Comunicadores e responsável pela pesquisa. “Sem um olhar mais aprofundado e sem ação, o setor corre o risco de perder interesse de novos profissionais, perder quem hoje faz a área acontecer, e ainda ver a qualidade do trabalho comprometida”, conclui.
Sobre a Pesquisa Panorama do estresse e saúde mental em Assessoria de Imprensa / PR
O estudo foi conduzido de forma independente e teve como objetivo entender melhor as dinâmicas de estresse e saúde mental entre os profissionais de comunicação, um setor conhecido por sua alta demanda e ritmo intenso de trabalho. A amostra incluiu profissionais de diferentes níveis e tipos de atuação, proporcionando uma visão abrangente sobre o estado atual do setor.
Abaixo, alguns dos principais resultados:
- Níveis de estresse no trabalho Alta prevalência de estresse: mais da metade dos respondentes (58,2%, 320 pessoas) já considerou deixar a área devido ao burnout/esgotamento nos últimos 24 meses, e 53,6% (295 pessoas) já deixou empregos ou negócios anteriores pelo mesmo motivo. Intensidade do estresse: quase metade dos respondentes (44,6%, 245 pessoas) avaliou seu nível de estresse em 8 ou mais, em uma escala de 1 a 10, e 24,5% (135 pessoas) relatou sentir estresse diariamente no trabalho. Fatores contribuintes: os principais fatores de estresse são a pressão por resultados imediatos (66,4%, 365 pessoas), expectativas de disponibilidade constante (50,9%, 280 pessoas), ambiguidade de funções (41,8%, 230 pessoas) e acúmulo de trabalho (42,7%, 235 pessoas).
- Equilíbrio entre vida profissional e pessoal Horas de trabalho excessivas: 60,9% (335 pessoas) trabalha mais de 41 horas por semana, com 19,1% (105 pessoas) relatando trabalhar fora do horário normal (ex: noites, fins de semana) sete ou mais vezes por mês. Dificuldade para desconectar: Apenas 3,6% (20 pessoas) consegue sempre se desligar do trabalho após o expediente; 60% (330 pessoas) não tirou ao menos 20 dias de folga no último ano. Impacto no bem-estar: Os respondentes relatam sintomas físicos frequentes relacionados ao estresse, como cansaço constante (76,4%, 420 pessoas), problemas de sono (75,5%, 415 pessoas) e dores musculares (69,1%, 380 pessoas).
- Percepção de suporte e recursos Falta de suporte para saúde mental: apenas 20% (110 pessoas) dos empregadores oferecem serviços de saúde mental, e apenas 15,5% (85 pessoas) acredita que receberia apoio considerável da liderança em momentos de dificuldades mentais. Necessidade de melhor comunicação e feedback: 52,7% (290 pessoas) afirma que o estresse reduz significativamente sua produtividade; apenas 11,8% (65 pessoas) recebe feedback construtivo mensalmente, e 17,3% (95 pessoas) raramente ou nunca recebe feedback.
- Condições de trabalho preferidas Trabalho remoto e flexível: atualmente, 33,6% (185 pessoas) trabalha de forma totalmente remota, mas 35,5% (195 pessoas) prefere um modelo completamente flexível, em que pode decidir a seu critério sobre onde trabalhar, indicando uma demanda por estruturas de trabalho mais adaptáveis para melhorar a gestão do estresse. Ferramentas que contribuem para a carga de trabalho: o uso regular de ferramentas de comunicação, especialmente WhatsApp (95,5%, 525 pessoas), e-mail (87,3%, 480 pessoas) e Google Meet (55,5%, 305 pessoas), adiciona à carga de trabalho.
- Gestão da saúde mental Estratégias de enfrentamento: os métodos mais comuns de enfrentamento do estresse incluem exercícios físicos (59,1%, 325 pessoas), terapia (44,5%, 245 pessoas) e mindfulness (19,1%, 105 pessoas). No entanto, 28,2% (155 pessoas) recorre a medicamentos e 4,5% (25 pessoas) não utiliza estratégias específicas. Melhorias desejadas: os respondentes sugerem uma melhor comunicação interna (40,9%, 225 pessoas), aumento salarial (39,1%, 215 pessoas), suporte psicológico (30%, 165 pessoas) e redução da carga de trabalho (22,7%, 125 pessoas) como formas de reduzir o estresse.

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