O engenheiro civil e ex-professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Luiz Carlos Guerra, de 75 anos, quase foi atingido por uma placa de madeira repleta de pregos, que caiu de um prédio em construção na manhã de sábado (11) no Bairro Morada da Colina, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.
Ao g1, Luiz Carlos relembrou o dia que ele define como 'chato' e, de maneira exata, relembra que apenas seis passos evitaram ferimentos graves ou até mesmo, a morte.
"Naquele dia eu fui buscar o meu cachorro que estava no pet shop naquela rua, a José Custódio Pereira. Lembro de sair do carro, dar exatos seis passos e ouvir um barulho como se fosse um choque. Quando olhei para trás vi que a placa caída. Na hora demorei um pouco para raciocinar o que aconteceu, mas hoje sei que Deus me salvou e quer que eu cumpra minha missão na Terra", contou o engenheiro.
Luiz lembra, ainda, que após entender a gravidade da situação, olhou para o prédio e viu que pelo menos quatro trabalhadores estavam na obra. Ele foi até a construção e questionou o que ocorrer.
"Eu cheguei na obra e perguntei quem era o responsável. Logo eu vi que a obra era irregular, não no sentido de documentação, mas sim no que se trata da estrutura que tinha pouca segurança e proteção. Os funcionários não disseram nada e acionei a PM para registrar o boletim de ocorrência".
O g1 tenta contato com a construtora responsável pelo empreendimento.
Acionada por Luiz, a PM esteve na obra e registrou a ocorrência. Segundo os militares, as fotos e imagens registradas foram encaminhadas para os órgãos competentes.
Ministério Público do Trabalho não foi acionado
O g1 entrou em contato com o auditor do Ministério do Trabalho, Paulo Valadão, que informou que não foi informado sobre possíveis irregularidades na obra indicada, mas disse que irá até o local para verificar a situação.
O auditor analisou as fotos do prédio em construção e afirmou ser possível identificar algumas falhas de implementação de medidas de proteção.
"Olhando por alto, é possível ver que tem falhas na implementação das medidas de proteção coletiva contra queda de trabalhadores e projeção de materiais. Esse bandejão que vemos na imagem deveria cobrir todo o perímetro da obra, sendo que a cada três lajes deveria ter mais um bandejão. É importante vermos o programa de gerenciamento de riscos e quais medidas de proteção foram previstas pela construtora. Mas, só pelas fotos, vemos que as medidas não foram completamente implementadas, por isso houve a projeção dessa placa de madeira que quase atingiu o idoso", disse Valadão.
Ainda de acordo com ele, problemas em obras são comuns e toda construtora deve determinar medidas de proteção que serão implementadas durante a construção, seja a presença de telas, do bandejão ou dos dois equipamentos.
“Hoje não há mais a exigência da presença da tela, por isso, cada caso deve ser analisado de forma particular. Se for constatado que a falta das medidas de proteção geram perigo para trabalhadores ou para os cidadãos, a obra pode ser embargada ou interditada. Em outros casos, mesmo que as medidas que devem ser tomadas pela construtora sejam simples, a obra ainda pode ser autuada pela ausência da proteção”, finalizou o auditor.
Depois do susto, o engenheiro Luiz Carlos afirmou que, quem tem fé, sabe porque ele está vivo.
"Eu nasci de novo. Quem tem fé sabe a dimensão do que aconteceu. Eu continuo vivo por um motivo, minha missão não acabou. Ainda tenho muita coisa boa para fazer nesse mundo".

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