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Reino Unido tem surto "sem precedentes" de meningite

Vinte casos são confirmados em poucos dias, com duas mortes, na região de Canterbury. Surto afeta sobretudo estudantes, e milhares já receberam tratamento com antibióticos

Cidade a Cidade
Por Cidade a Cidade
Reino Unido tem surto
Centenas de estudantes fizeram fila no campus da universidade de Kent para receber antibióticos como medida preventiva/Foto: Carl Court/Getty Images
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Cinco novos casos de meningite foram detectados em Kent, no sudeste da Inglaterra, comunicou o governo do Reino Unido nesta quarta-feira (18/03), o que eleva o total de casos conhecidos para 20.

Esse surto, classificado como "sem precedentes" pelas autoridades, já matou dois jovens, segundo a Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido: um estudante de 21 anos da Universidade de Kent e uma secundarista de 18 anos da cidade de Faversham.

A agência afirmou ainda estar ciente de um bebê com infecção confirmada por meningococo do grupo B, que não está relacionado ao surto.

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O número de casos pode aumentar, pois o período de incubação pode chegar a 14 dias.

Cerca de 2.500 pessoas na região de Canterbury já receberam um tratamento com antibióticos, anunciou o governo britânico. "Uma única dose de antibióticos é altamente eficaz na prevenção da contração e da propagação desta doença em 90% dos casos", afirmou o ministro da Saúde, Wes Streeting, ao parlamento.

Ele rejeitou críticas à atuação da Agência de Segurança Sanitária britânica, a UKHSA, e disse que a situação de alerta geral foi desencadeada no domingo de manhã, apesar de a agência ter sido notificada do primeiro caso na sexta-feira passada.

Cientistas disseram que ainda é cedo para avaliar se a cepa em Kent é mais virulenta do que outras. Streeting disse não estar preocupado com a possibilidade de o surto se espalhar para outras partes do país com a saída dos estudantes de Canterbury.

O que é meningite

A meningite é uma infecção das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal e pode ser causada por vírus ou bactérias.

Contrair meningite pode levar a uma infecção sanguínea grave chamada sepse meningocócica, que geralmente se manifesta como uma erupção cutânea e que pode ser fatal se não for tratada rapidamente.

A meningite também pode levar à amputação de membros. Os surtos mais perigosos geralmente são causados por bactérias. A maioria dos casos em Canterbury foi confirmada como decorrente de uma infecção bacteriana.

Os sintomas iniciais, como dor de cabeça, febre, sonolência e rigidez na nuca, podem ser facilmente confundidos com outras doenças comuns, como uma gripe ou ressaca, o que dificulta o diagnóstico precoce.

Até o momento seis dos casos confirmados são de doença meningocócica do grupo B, de acordo com a agência sanitária britânica.

Os sintomas da meningite meningocócica podem incluir febre, dor de cabeça, respiração acelerada, sonolência, calafrios, vômitos e mãos e pés frios, segundo a agência britânica.

Possível evento de superpropagação

As pessoas infectadas teriam frequentado uma discoteca, o Clube Chemistry, em Canterbury, entre 5 e 7 de março, e a Universidade de Kent apelou a todos os estudantes que tenham tido contato com os infectados para que recebam tratamento. 

Segundo a proprietária do Clube Chemistry, cerca de duas mil pessoas frequentaram o local naqueles dias, e vários funcionários da discoteca foram hospitalizados.

Nesta segunda-feira, centenas de estudantes fizeram fila no campus da universidade de Kent para receber antibióticos como medida preventiva, em meio à preocupação dos jovens e de grande parte da comunidade do condado inglês. 

Médicos de todo o Reino Unido foram instruídos a prescrever antibióticos para qualquer pessoa que tenha visitado o Clube Chemistry durante essas datas, além dos estudantes da Universidade de Kent.

Estudantes são mais vulneráveis

A meningite é uma doença rara no Reino Unido, com cerca de 350 casos por ano, mas pode se espalhar em comunidades fechadas, como dormitórios universitários.

Os estudantes são considerados particularmente vulneráveis, pois a bactéria geralmente permanece latente no nariz ou na garganta e pode se espalhar por meio da tosse, espirros, beijos ou compartilhamento de bebidas.

O Reino Unido introduziu apenas em 2015 uma vacinação para bebês que protege contra as formas mais comuns de meningite B, o que significa que os atuais adolescentes e universitários não estão cobertos por ela.

FONTE/CRÉDITOS: DW Brasil
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