A Rússia realizou neste sábado (09/05) um desfile do Dia da Vitória reduzido e sob forte esquema de segurança, devido à ameaça de ataques da Ucrânia, onde as forças de Moscou têm enfrentado dificuldades. Na Praça Vermelha, o presidente Vladimir Putin se disse confiante da vitória contra o vizinho na guerra que já completou quatro anos.
Havia temores na Rússia de que drones ucranianos tentassem interromper o evento, que celebra a vitória há 81 anos sobre a Alemanha nazista. As tensões foram aplacadas na véspera com um cessar-fogo de três dias acordado.
O chefe do Kremlin elogiou as tropas russas, afirmando que elas "enfrentam uma força agressiva armada e apoiada por todo o bloco da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)".
"A vitória sempre foi e sempre será nossa", disse Putin, frente a colunas de soldados. "A chave do sucesso é nossa força moral, coragem e bravura, nossa unidade e capacidade de resistir a tudo e superar qualquer desafio."
O Dia da Vitória, feriado secular mais importante da Rússia, tradicionalmente serve para o Kremlin exibir poderio militar.
Mas, neste ano, pela primeira vez em quase duas décadas, o desfile ocorreu sem tanques, mísseis e outras armas pesadas, com exceção do tradicional sobrevoo de jatos de combate.
Desfiles menores são normalmente realizados em outras partes do país. Desta vez, muitos deles também foram reduzidos ou até cancelados por razões de segurança.
Mísseis só no telão
Armamentos como o míssil balístico intercontinental Yars, o novo submarino nuclear Arkhangelsk, a arma a laser Peresvet, o caça Sukhoi Su-57, o sistema de defesa antiaérea S-500, além de diversos drones e peças de artilharia, foram exibidos em telões e na televisão estatal.
O evento de 9 de maio celebra a vitória da União Soviética (URSS) sobre a Alemanha nazista, prestando homenagem aos 27 milhões de cidadãos soviéticos, incluindo muitos da Ucrânia, que morreram na guerra.

Soldados e marinheiros, alguns dos quais serviram na Ucrânia, marcharam e comemoraram. Enquanto isso, Putin se sentava ao lado de veteranos russos, à sombra do Mausoléu de Vladimir Lenin. Tropas norte-coreanas, que combateram forças ucranianas na região russa de Kursk, também desfilaram.
A Rússia, que invadiu a Ucrânia em 2022, havia alertado que qualquer tentativa da Ucrânia de interromper o desfile levaria a um ataque maciço com mísseis contra Kiev. O Kremlin informou a diplomatas estrangeiros que deveriam retirar funcionários da capital ucraniana em caso de tal ataque.
Ucrânia "autorizou" desfile
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, emitiu decreto que, em tom irônico, autorizava a realização do evento, afirmando que armas ucranianas não atingiriam a Praça Vermelha.
"A Praça Vermelha importa menos para nós do que as vidas dos prisioneiros de guerra ucranianos que podem ser trazidos para casa", escreveu Zelenski no Telegram.
A mensagem desagradou os russos. "Não precisamos da permissão de ninguém", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, à televisão estatal. "Coitado de quem tentar zombar do Dia da Vitória e fazer piadas tão estúpidas."
Mais cedo nesta semana, ele negou que a proteção de Putin seria reforçada por temores de golpeou assassinato, afirmaram reportagens da CNN e de outros veículos ocidentais. Um amplo aparato de segurança protegeu o presidente na Praça Vermelha, e a internet móvel foi desligada.
O Kremlin também retirou convites a jornalistas estrangeiros em cima da hora e impôs restrições aos serviços de mensagens de texto na capital russa, citando a necessidade de garantir a segurança pública. O governo vem endurecendo de forma sistemática a censura na internet e estabelecendo controles cada vez mais rígidos sobre atividades online.
Cessar-fogo de três dias
O cessar-fogo entre sábado e segunda-feira, alcançado sob intermédio dos Estados Unidos, sucede acusações mútuas de violações unilaterais nos últimos dias. As duas partes também concordaram em trocar mil prisioneiros.
"Eu gostaria de ver isso parar. Rússia-Ucrânia: é a pior coisa desde a Segunda Guerra Mundial em termos de vidas. Vinte e cinco mil jovens soldados por mês. É uma loucura", disse Trump a jornalistas em Washington.

Quatro anos após invasão da União Soviética pela Alemanha nazista em 1941, o Exército Vermelho acabaria empurrando as forças nazistas de volta a Berlim. Lá Adolf Hitler se suicidou, e a bandeira soviética da vitória foi hasteada sobre o Reichstag em maio de 1945.
A rendição incondicional da Alemanha nazista entrou em vigor às 23h01 de 8 de maio de 1945, data marcada como o Dia da Vitória na Europa por Reino Unido, Estados Unidos e França. Em Moscou, já era 9 de maio, que se tornou o Dia da Vitória da URSS naquela que a Rússia chama de Grande Guerra Patriótica de 1941 a 1945.



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