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Quinta-feira, 21 de Maio de 2026
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Santos discute estratégias para reduzir casos de tuberculose

Objetivo é reforçar as políticas públicas já vigentes no município

Mônica Silva
Por Mônica Silva
Santos discute estratégias para reduzir casos de tuberculose
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Tendo como gancho, o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, a Secretaria de Saúde de Santos realizou na terça-feira (24) o seminário “Santos Contra a Tuberculose: Fortalecendo Ações Locais Para um Futuro Sem TB”. O objetivo foi reforçar as políticas públicas vigentes no município, as novas estratégias adotadas, além de experiências e esclarecimento de dúvidas. També foram abordados os casos de abandono de tratamento e o interesse em aumentar o número de casos notificados de tuberculose pulmonar curados. O evento ainda buscou destacar a necessidade da conscientização da população por meio da orientação dos profissionais de saúde, enfatizando a importância da busca ativa e do vínculo com o paciente para que finalize o tratamento que dura, no mínimo, 6 meses.

O Plano Municipal de Saúde 2026-2029 tem duas metas acerca da tuberculose: aumentar a cura de casos notificados de tuberculose pulmonar em 50% em 2026, 60% em 2027, 70% em 2028 e 80% em 2029; ampliar o número de exames em contatos de casos novos de tuberculose pulmonar em 50% em 2026; 60% em 2027; 70% em 2028 e 80% até 2029.

Em outubro de 2025, a Prefeitura de Santos criou a Comissão Municipal de Enfrentamento da Tuberculose, formada por servidores das secretarias de Saúde, Desenvolvimento Social, Cohab Santista, além da Câmara Municipal e de universidades. As reuniões acontecem toda última terça-feira de cada mês e são discutidos aspectos epidemiológicos e estratégias de enfrentamento.

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Em 2025, Santos confirmou 402 casos de tuberculose pulmonar entre moradores do município - incidência de 96 casos/100 mil habitantes. Em 2024, foram 338 casos, com 80,7 casos /100 mil habitantes.

O aumento do número de casos em 2025 já era esperado, uma vez que foram aprimoradas as estratégias de controle de transmissão da doença, com mais busca ativa a contactantes dos pacientes, incluindo pessoas sem sintomas, e também de pessoas sintomáticas em ações fora das unidades, oferecendo a coleta do teste de escarro.

A taxa de abandono do tratamento em 2024 foi de 30%. Os dados de 2025 ainda não foram concluídos, pois 40% dos tratamentos seguem em andamento.

O secretário de Saúde de Santos, Fábio Lopez, destaca que a tuberculose é um dos principais desafios da cidade e que as medidas executadas podem não surtir resultado imediato, mas serão constatados futuramente.

“Somente com dados epidemiológicos é que conseguimos desenvolver as políticas públicas cabíveis. Se testarmos mais, encontraremos mais pessoas infectadas. Não temos receio do que vamos encontrar, porque precisamos ter transparência para enfrentar a tuberculose”, afirmou o secretário.

A Organização Mundial da Saúde tem como metas para 2030 reduzir em 80% a incidência da tuberculose e em 90% as mortes pela doença. “Ao longo dos últimos anos, houve muitos avanços em relação à tuberculose, que é uma doença tratável e curável. E ainda encontramos desafios no combate", destacou Paula Covas, presidente da Comissão Municipal de Enfrentamento da Tuberculose e assessora técnica do gabinete da Secretaria de Saúde. .

"É uma doença que atinge as populações mais vulneráveis, mas temos casos também em outros bairros. A comunicação, em todas as frentes, em articulação com toda a sociedade, é muito importante para diminuir estigmas e identificar mais precocemente a doença”, pontuou Paula Covas.

A pneumologista Lisieux De Maria Pereira Da Costa Bailão, servidora da Prefeitura de Santos e integrante da equipe do ambulatório de tuberculose de Santos desde 2004, foi homenageada pelo seu trabalho pelo enfrentamento da tuberculose no Município. O evento contou ainda com a Mesa Redonda ‘Entendendo a Tuberculose em Santos’, com apresentações sobre o trabalho desenvolvido no Ambulatório Especializado em Tuberculose, pelas policlínicas e pela equipe do programa Consultório na Rua.

O médico infectologista Evaldo Stanislau proferiu a palestra “Desmitificando mitos sobre a tuberculose”. Dentre os mitos exemplificados pelo profissional estão que a tuberculose seria uma exclusiva para quem tem HIV; que a contaminação pode se dar por objetos compartilhados; que a doença só afeta os pulmões ou que só incidiria em populações vulneráveis nos aspectos socioeconômicos.

Outros pontos apontados incluíam que a tuberculose latente, aquela onde o paciente não apresenta sintomas, é intransmissível, e que a vacina BCG garante a imunização para a vida toda.

A tuberculose é causada por bacilos, sendo a mais comum a Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. Esses bacilos são transmitidos de uma pessoa a outra, por meio de gotículas expelidas na tosse, fala ou espirro pela pessoa infectada e inaladas desses aerossóis.

O principal sintoma da doença é a tosse persistente por três semanas ou mais, seca ou com secreção. Podem aparecer ainda febre durante o período da tarde, suor noturno, emagrecimento e falta de apetite.

A recomendação é sempre que houver tosse persistente há pelo menos três semanas, a pessoa desconfie de tuberculose.

Para ter o diagnóstico, basta ir à policlínica de referência do local de moradia e conversar com a equipe técnica – não é necessário agendamento de consulta. Após avaliação, será colhida secreção (escarro) em um pote estéril.

Essa amostra será encaminhada para análise laboratorial. Havendo confirmação da hipótese diagnóstica, o tratamento, com duração de pelo menos seis meses, é iniciado imediatamente. É importante realizá-lo corretamente até o fim.

Caso seja interrompido antes do previsto, a doença não terá sido efetivamente combatida, haverá recidiva, que tende a se tornar resistente ao medicamento anteriormente utilizado, havendo necessidade da adoção de uma nova terapia.

É importante manter os ambientes arejados, pois o bacilo é sensível à luz solar e a circulação do ar dispersa as partículas infectantes. Pessoas com suspeita de contaminação ou caso confirmado da doença devem usar máscaras até que o exame indique que o paciente não possui risco de transmissão. Pessoas imunossuprimidas são mais vulneráveis à infecção da tuberculose.

FONTE/CRÉDITOS: Prefeitura de Santos
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