As equipes de Combate às Endemias da Divisão de Vigilância Epidemiológica e Controle de Zoonoses da Secretaria de Saúde de São Bernardo contaram, nos últimos 30 dias, com o reforço de um pequeno 'exército' formado por quase 100 adolescentes em ação de combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. Grupos de estudantes, de 14 e 15 anos, das Escolas Estaduais Fausto Cardoso de Mello, na Paulicéia, e Jacob Casseb, no Parque Esmeralda, região do Alvarenga, participaram de projeto-piloto destinado a identificar e eliminar possíveis focos do mosquito transmissor da dengue e de outras arboviroses.
Os grupos passaram por treinamento com integrantes do departamento da Saúde e usaram no trabalho de campo, realizado tanto nas regiões onde moram quanto no trajeto de casa para a escola ou trabalho. Com a atividade, esses focos e sua eliminação eram registrados por meio de um aplicativo, o CLIC, ferramenta de geolocalização para mapear e combater focos do Aedes aegypti. As escolas foram escolhidas porque estão localizadas em bairros onde há maior incidência de casos da doença na cidade.
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O projeto é realizado em conjunto com a Secretaria de Estado da Educação e a instituição The Human Project. São Bernardo é um dos quatro municípios que participam da iniciativa, por meio de parceria entre a Divisão de Vigilância Epidemiológica e Controle de Zoonoses da Secretaria de Saúde e a URE (Unidade Regional de Ensino) da cidade. Segundo o coordenador das equipes de combate de endemias da Prefeitura, Ronaldo Novaes de Souza, o projeto pode ser estendido a outras unidades escolares.
RESULTADOS POSITIVOS - O projeto-piloto foi encerrado nesta sexta-feira (15/5) com ato na escola Fausto Cardoso de Mello, que reuniu os 38 alunos que integraram a iniciativa e ficaram em primeiro nos registros de criadouros (locais em condições de proliferar o mosquito Aedes aegypti), com 267, dos quais 259 foram eliminados, enquanto o grupo de 50 estudantes da Jacob Casseb registrou 132, com 126 eliminados. Todos os participantes receberam certificados, enquanto três alunas da unidade da Paulicéia – e da Jacob Casseb -- foram premiadas também com medalhas porque apresentaram os melhores resultados.
O grupo 'campeão' foi coordenado pela professora de Biologia e Ciências Clarissa Razante Garcia, que atua na rede estadual há 13 anos, três dos quais na Fausto Cardoso de Melo. A docente aponta que a unidade foi escolhida pela Unidade Regional de Ensino, responsável pelas escolas de São Bernardo, e ela foi indicada para estar à frente do projeto justamente por causa das disciplinas com as quais trabalha.
A primeira colocação entre os participantes da Fausto Cardoso ficou com a aluna da 2ª série do Ensino Médio Vitória Nunes Zupane, que localizou e registrou 56 possíveis focos do mosquito nas ruas, principalmente no caminho de casa para o ponto de ônibus, quando seguia para o trabalho, em um trabalho praticamente sozinha. Ela garante que vai levar o aprendizado para a vida, pois o mosquito é uma ameaça à saúde de todos.
LEGADO
"Com certeza vou continuar, porque quando a gente anda na rua não dá muita atenção para esse tipo de coisa, que são os pontos que podem ter focos. Mas a partir do momento que a gente tem uma função, como nesse projeto, começa a prestar atenção nos pontos e vê o quanto que tem à nossa volta, como as pessoas jogam o lixo delas, como guardam o lixo que colocam na rua. Vemos quanta coisa tem nas ruas que podem virar um problema grave", ponderou Vitória.
Hilary Ribeiro Santos, também aluna da 2ª série do Ensino Médio, ficou na segunda posição. A adolescente, que localizou e registrou no APP 47 possíveis focos, disse que contou com a ajuda da família, principalmente a mãe, e que participar do projeto a ajudou a prestar mais atenção nos lugares onde passa, porque em qualquer canto pode ocorrer acúmulo de água e virar um ponto de proliferação do mosquito. Segundo ela, assim que localizava um foco, registrava no sistema, colocava o tipo de foco, qual objeto era, se um pote, uma tampinha. E aí postava e registrava, com o foco e o problema resolvido.
"Para mim, a parte que mais pegou quando fiz o projeto foi prestar mais atenção na rua, para a gente realmente saber onde é possível ter focos. Antes, passava sem prestar muita atenção, não dava tanta atenção para o problema, e vendo realmente a situação a gente pôde combater de uma maneira eficaz. Minha família me ajudou, mas minha mãe me ajudava muito quando a gente andava na rua. Ela falava, 'olha lá filha, é um foco'. E aí eu tirava fotos, se conseguia resolver o problema, pegava, se tivesse água, jogava no mato, pegava o produto, jogava no lixo", comentou, enquanto a terceira colocada foi Ana Carolina Silva Santos, que localizou 17 locais.
FONTE/CRÉDITOS: Wilson Moço

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