A Prefeitura de São Bernardo do Campo confirmou a primeira morte por febre maculosa registrada no município em 2026. O caso acende um alerta para uma doença considerada grave, de rápida evolução e que exige diagnóstico e tratamento precoces. No Estado de São Paulo, a febre maculosa continua sendo um importante desafio para a saúde pública devido à elevada taxa de letalidade quando o tratamento é iniciado tardiamente.
A vítima era uma mulher de 43 anos, moradora da região do Alvarenga, área com muita mata e de onde, provavelmente, saíram os carrapatos responsáveis pela contaminação.
O caso ocorreu em março, mas foi divulgado apenas agora. A paciente foi levada ao serviço de saúde já em estado de choque e morreu menos de 24 horas depois de dar entrada no hospital.
A febre maculosa é uma doença infecciosa causada pela bactéria Rickettsia rickettsii. A transmissão ocorre por meio da picada de carrapatos infectados, principalmente das espécies conhecidas como carrapato-estrela (Amblyomma sculptum) e carrapato-amarelo-do-cão (Amblyomma aureolatum). O carrapato precisa permanecer aderido à pele por algumas horas para transmitir a bactéria, motivo pelo qual a inspeção do corpo após atividades em áreas de mata ou vegetação é uma das principais medidas de prevenção.
Os primeiros sintomas costumam surgir entre dois e quatorze dias após a picada e podem ser confundidos com outras doenças. Os principais sinais incluem febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, mal-estar, náuseas e vômitos. Em alguns pacientes aparecem manchas avermelhadas na pele, principalmente nas mãos e nos pés, embora esse sinal nem sempre esteja presente no início da doença. Sem tratamento adequado, a infecção pode evoluir rapidamente para complicações graves, como insuficiência renal, comprometimento pulmonar, alterações neurológicas e morte.
A prevenção é a principal forma de combater a febre maculosa. Especialistas recomendam evitar áreas infestadas por carrapatos sempre que possível. Quando a visita a esses locais for necessária, é indicado utilizar roupas de mangas compridas, calças compridas com a barra por dentro das botas ou meias, roupas de cores claras para facilitar a visualização dos carrapatos e repelentes indicados para esse tipo de ambiente. Também é importante examinar cuidadosamente o corpo e as roupas a cada poucas horas durante a permanência em áreas de risco e remover imediatamente qualquer carrapato encontrado, utilizando uma pinça e evitando esmagá-lo.
Outra medida importante é manter animais domésticos protegidos contra carrapatos, especialmente em regiões próximas a áreas de mata. Cães podem transportar carrapatos infectados para dentro das residências, aumentando o risco de exposição das pessoas.
Atualmente, não existe vacina contra a febre maculosa para uso humano no Brasil ou em qualquer outro país. Dessa forma, a prevenção depende exclusivamente da adoção de medidas para evitar o contato com carrapatos e do reconhecimento precoce dos sintomas. Ao apresentar febre após frequentar áreas de mata, parques, trilhas ou locais com presença de carrapatos, a orientação é procurar imediatamente atendimento médico e informar a possível exposição. O tratamento é feito com antibióticos e deve ser iniciado o mais cedo possível, mesmo antes da confirmação laboratorial, pois isso aumenta significativamente as chances de recuperação.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se