Temendo ataques ucranianos, a Rússiadeixará, pela primeira vez em quase duas décadas, de exibir armamentos pesados em seu tradicional desfile comemorativo da vitória na Segunda Guerra Mundial sobre a Alemanha nazista.
A medida foi anunciada pelo Ministério da Defesa russo na noite desta terça-feira (28/04), que citou a atual "situação operacional" da Rússia. Dessa forma, não serão exibidos veículos militares pesados ou armamentos como sistemas de mísseis. Cadetes militares também vão evitar tomar parte no desfile,
Ao ser questionado por repórteres sobre a decisão, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, citou nesta quarta-feira ataques ucranianos em território russo.
"O regime de Kiev, que está perdendo terreno no campo de batalha todos os dias, agora lançou uma atividade terrorista em grande escala. E, portanto [...] todas as medidas estão sendo tomadas para minimizar o perigo."
Peskov também disse que este ano não marca um aniversário significativo, ao contrário do ano passado, quando se celebraram 80 anos do fim da guerra.
O que é o desfile do Dia da Vitória da Rússia?
O desfile de 9 de maio em Moscou, na Praça Vermelha, está entre as maiores celebrações anuais da Rússia. A data marca a assinatura da rendição da Alemanha nazista diante das forças aliadas em 1945.
Tradicionalmente, sob o líder russo Vladimir Putin, o dia é uma oportunidade para exibir armas do arsenal militar, que vão de tanques a mísseis balísticos intercontinentais.
Desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022, Putin vem usando o desfile para mobilizar apoio à guerra. Mas, nos últimos meses, Kiev intensificou seus ataques, atingindo áreas distantes do território russo continental e danificando vários portos e refinarias de petróleo.
O desfile militar do ano passado marcou 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial e, por isso, foi realizado em escala maior que o habitual, recebendo figuras de peso, incluindo o presidente da China, Xi Jinping, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
Especialista vê sinal de "vulnerabilidade"
John Foreman, ex-adido de defesa britânico em Moscou, disse à agência de notícias Reuters que 11 mil soldados e cerca de 150 veículos militares — incluindo tanques, que haviam estado ausentes nos dois anos anteriores — participaram do desfile de 2025.
Analistas e críticos do Kremlin, como Foreman, sugerem que a decisão foi tomada para evitar expor ativos militares russos como alvos fáceis para possíveis ataques de drones ucranianos. Eles também acrescentam que a medida sinaliza que Moscou está preservando seus recursos para os combates.
"Essa decisão sinaliza um grau de vulnerabilidade, e não de força, porque mesmo no ano passado a Rússia demonstrou uma série de novos tanques e drones diante de líderes mundiais convidados", disse Natia Seskuria, pesquisadora associada do Royal United Services Institute, à agência de notícias Associated Press.
As exibições de armamentos são uma marca registrada dos desfiles do Dia da Vitória na Rússia desde 2008.

Comentários: