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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (14/10) que seu país está preparando o início dos trabalhos de exploração em massa de recursos naturais na Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.
"A exploração em massa de petróleo, gás e minerais está se preparando para começar em nossa nova e bela Groenlândia!", afirmou Trump em uma mensagem em sua rede Truth Social, na qual também classificou o território como fundamental para a segurança do seu país e da Europa.
Segundo o mandatário, há especialistas que acreditam que as reservas de petróleo "facilmente acessíveis" que existem na Groenlândia são "muito maiores do que quase as de qualquer território em qualquer lugar do mundo".
Além dos recursos energéticos, Trump considera que, do ponto de vista da segurança "defensiva e ofensiva" de EUA e Europa, a Groenlândia é "insuperável".
"Qualquer ataque futuro contra os Estados Unidos terá que passar pela Groenlândia, onde nossa Defesa derrubará sistematicamente drones, mísseis ou qualquer outra forma de armamento ainda não concebida. Isso nos dá tempo, localização e campo de visão como nenhum outro lugar no mundo!", escreveu.
O anúncio de Trump ocorre apenas três semanas depois de os EUA, Dinamarca e Groenlândia assinarem, à margem da Assembleia Geral da ONU, o acordo de segurança que alcançaram após as ameaças do presidente americano de invadir a ilha ártica.
O documento foi assinado em uma cerimônia na presença de Trump, da primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e do primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen.
Pacto não concede direitos de exploração
O pacto autoriza a presença militar permanente dos EUA na ilha e veta o acesso de Rússia e China, ao mesmo tempo em que respeita a soberania da Dinamarca sobre o território autônomo e o direito de autodeterminação da Groenlândia. Mas não concede aos EUA quaisquer direitos especiais de exploração, embora cite "cooperação" em minerais e desenvolvimento econômico. O texto também impõe certos limites a investimentos de países que não pertencem à Otan em setores estratégicos.
A Groenlândia proibiu em 2021 a mineração de urânio em seu território, bem como toda futura exploração de petróleo.
O governo groenlandês informou que está analisando se uma empresa do Texas, a Greenland Energy, pode utilizar licenças obtidas antes dessa proibição.
A empresa declarou, em agosto deste ano, que planejava perfurar poços de petróleo em 2027 em uma bacia inexplorada na costa leste da Groenlândia, embora não possuísse a licença necessária para isso. A proprietária anterior, a ARCO, investiu pesadamente em estudos sísmicos na década de 1970, mas nunca realizou perfurações.
O vice-ministro da Mineração da Groenlândia, Jorgen Hammeken-Holm, admitiu à emissora CNN que há empresas americanas explorando recursos naturais na ilha, mas enfatizou que "estamos muito longe de uma exploração em massa", já que os projetos seriam pequenos e poderiam levar "anos" até se tornarem operacionais.
Jacob Kaarsbo, consultor dinamarquês independente especializado em política de segurança, afirmou que os comentários de Trump poderiam ser interpretados como um sinal de que seu desejo de controlar a Groenlândia permanece inalterado.
"É extremamente perigoso encarar esse acordo entre a administração Trump e a Dinamarca como algo que tenha mudado as intenções de Trump", disse ele à agência de notícias Reuters.
Trump, que em seu primeiro mandato (2017-2021) já cobiçava o território, gerou no início deste ano uma forte tensão com Groenlândia, Dinamarca e os demais aliados da Otan ao sugerir a possibilidade de invadir a ilha militarmente.
"Alvo do anúncio são os americanos"
Naaja H. Nathanielsen, que representa a Groenlândia no parlamento da Dinamarca, disse à agência de notícias Associated Press (AP) na quarta-feira que não ficou muito surpresa – nem preocupada – com a publicação de Trump.
"Essa é apenas a maneira como o presidente decide interagir", disse ela. "Acho que todos nós já esperávamos algo assim."
Nathanielsen afirmou que quaisquer projetos atuais relacionados à extração de recursos ainda levariam anos para se concretizar. Ela disse acreditar que o público-alvo da publicação – em meio à proximidade das eleições de meio de mandato nos EUA – eram os americanos preocupados com o preço da gasolina, e não os habitantes da Groenlândia.
"Reconheço a preocupação nos EUA, mas acho que não existe uma solução rápida", disse ela à AP. "Não haverá barris de petróleo groenlandeses disponíveis em um futuro próximo."
O ministério dinamarquês das Relações Exteriores reagiu à fala de Trump dizendo que, caso os EUA queiram explorar o subsolo groenlandês em busca de petróleo, gás e minerais, terão que fazê-lo seguindo as leis do território.

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