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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2026
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Trump em Davos: "Não vou usar força" para obter Groenlândia

Em discurso no Fórum Econômico Mundial, presidente afirma que "só os EUA podem proteger essa enorme massa de terra" e pede negociações imediatas para adquirir o território

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Trump em Davos:
Em seu discurso, Trump elogiou o desempenho da economia dos EUA durante o seu governo e teceu pesadas críticas à Europa / Fabrice Coffrini/AFP/Getty Image
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, destacou nesta quarta-feira (21/01), durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, a importância estratégica da Groenlândia para seu país, mas disse que não usará de força excessiva para obter o controle do território pertencente à Dinamarca, aliada dos EUA na Otan

"Pensaram que eu usaria a força, mas eu não preciso usar a força", afirmou. "Eu não quero usar a força. Eu não vou usar a força."

As crescentes ameaças de Trump à Europa em relação à Groenlândia desgastaram as relações transatlânticas e geraram preocupações na Europa, ofuscando um discurso que pretendia se concentrar principalmente na economia dos EUA.

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Em sua fala, Trump disse ter "enorme respeito" pelos povos da Groenlândia e da Dinamarca e descreveu a ilha como "um vasto território quase desabitado e subdesenvolvido, indefeso".

"Não existem terras raras na Groenlândia. O que importa é a sua segurança nacional e internacional estratégica", acrescentou.

Groenlândia é só "um pedaço de gelo"

Trump afirmou que presidentes americanos tentam comprar a Groenlândia há quase dois séculos. O presidente disse que não há "nenhum sinal" da Dinamarca na ilha e que a o país europeu investe menos dinheiro do que o prometido na Groenlândia.

"Só os EUA podem proteger essa enorme massa de terra, esse enorme pedaço de gelo, desenvolvê-lo e melhorá-lo", afirmou. É por isso, continuou, que ele busca negociações imediatas para adquirir o país.

"Provavelmente não conseguiremos nada a menos que eu decida usar força excessiva, o que nos tornaria, francamente, impossíveis de parar. Mas eu não farei isso", disse Trump.

Chamando a Dinamarca de "ingrata", o republicano minimizou a questão como um "pequeno pedido" e argumentou que uma aquisição não representaria uma ameaça à aliança da Otan.

Trump começou seu discurso com várias horas de atraso devido a problemas com o seu voo para a Suíça. Antes de embarcar para a viagem, Trump disse brevemente à imprensa que "esta será uma viagem muito interessante, não sei o que pode acontecer".

Europa "não está na direção certa"

Trump adotou um tom agressivo ao repreender os aliados europeus pelo que considerou como insolência, deslealdade e por erros políticos em áreas que vão desde energia eólica e meio ambiente até imigração e geopolítica.

Ele criticou o "foco em energias renováveis" e afirmou que "a migração em massa feriu" a Europa. "Alguns lugares na Europa não são mais reconhecíveis", disse.

O republicano afirmou que, graças à sua eleição, os EUA evitaram uma "nova fraude verde", que ele chamou de "talvez a maior farsa da história", criticando a energia eólica. Ele disse que, na Europa, viu o "destino que a esquerda radical tentou impor aos EUA".

O americano, no entanto, disse acreditar "profundamente nos laços que compartilhamos com a Europa como civilização".

Trump zombou do presidente da França, Emmanuel Macron, criticando os óculos de sol que seu homólogo francês usou por questões de saúde e o acusando de ser intransigente nas negociações de preços de medicamentos.

Presidente da França, Emmanuel Macron, usa óculos de sol em Davos
Trump zombou do presidente da França, Emmanuel Macron, criticando os óculos de sol que ele usou por questões de saúdeFoto: Denis Balibouse/REUTERS

"Eu o observei ontem com aqueles belos óculos de sol. O que diabos aconteceu? Mas eu o vi sendo meio 'durão'", disse Trump, criticando a hesitação de Macron em aumentar os preços dos medicamentos para que fiquem mais alinhados com as taxas dos EUA.

"Eu disse: 'Emmanuel, você tem se aproveitado dos Estados Unidos por 30 anos com os medicamentos prescritos. Você realmente deveria fazer isso, e você fará'", disse Trump.

Von der Leyen: Abandonar a cautela

Em Estrasburgo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta quarta-feira que a União Europeia precisa agir mais rapidamente para impulsionar sua economia e defesa, diante de uma nova ordem mundial definida pelo "poder bruto".

Ao discursar perante o Parlamento Europeu, Von der Leyen afirmou que a Europa precisa se fortalecer para influenciar o mundo ao seu redor. "A mudança na ordem internacional não é apenas sísmica, mas permanente", disse ela aos parlamentares, mencionando a "situação instável" em torno da Groenlândia, os bombardeios incessantes da Rússia na Ucrânia e as tensões do Oriente Médio ao Indo-Pacífico.

"Precisaremos abandonar a cautela tradicional da Europa", disse a presidente da Comissão Europeia. "Vivemos agora em um mundo definido pelo poder bruto – seja econômico ou militar, seja tecnológico ou geopolítico. E embora muitos de nós não gostemos disso, precisamos lidar com o mundo como ele é agora."

Falha técnica no Air Force One

O Air Force One, que levaria Trump e sua comitiva para a Suíça, sofreu uma falha técnica e foi obrigado a retornar à base na noite de terça-feira. Segundo funcionários da Casa Branca, um problema elétrico menor forçou o Air Force One a dar meia-volta e retornar a Maryland pouco menos de uma hora após a decolagem.

O presidente americano partiu novamente rumo à Suíça em uma outra aeronave aproximadamente uma hora depois, de acordo com a imprensa americana. 

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a tripulação do Air Force One detectou o problema quando haviam transcorrido apenas 45 minutos de voo, razão pela qual retornou à Base Conjunta Andrews, em Washington. 

Quase 3 mil representantes de alto nível de 130 países, além de um grande número de ativistas e observadores, se reúnem no evento anual, programado para durar até sexta-feira.

FONTE/CRÉDITOS: DW Brasil
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