O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo (16/08) que ordenou ao Pentágono uma redução "substancial" da participação americana em exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul.
Em publicação na própria rede social, o republicano afirmou que as manobras anuais não apenas geram altos custos, mas também "enviam um sinal totalmente inadequado e hostil" à Coreia do Norte, que, segundo ele, tem sido "não ameaçadora e respeitosa" em relação aos EUA.
A declaração ocorre às vésperas do início de um dos dois principais exercícios militares conjuntos anuais entre Estados Unidos e Coreia do Sul, previsto para esta semana. O país asiático é um dos principais aliados americanos, e a parceria se mantém há mais de sete décadas, apesar das mudanças políticas ao longo desse período.
Trump destacou ainda que Seul se recusou a apoiar o seu governo contra o Irã, enquanto nutre uma "excelente relação" com o líder norte-coreano, Kim Jong-un. "Recentemente perguntei ao presidente da Coreia do Sul se eles gostariam de se juntar a nós na desnuclearização da República Islâmica do Irã, e eles responderam: 'Não, obrigado!'".
"Portanto, e considerando que já é tarde demais para cancelar completamente os exercícios, instruí o secretário da Guerra, Pete Hegseth, a reduzir substancialmente os exercícios militares conjuntos", acrescentou.
Manobras com 18 mil militares
Os exercícios militares conjuntos estão programados para ocorrer até 27 de agosto. Segundo as Forças Armadas sul-coreanas, cerca de 18 mil militares do país participam das manobras.
Os treinamentos devem incluir operações para neutralizar drones, lidar com interferências em sinais de GPS e responder a ciberataques, refletindo a adaptação às capacidades militares cada vez mais sofisticadas da Coreia do Norte.
O Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul disse que os exercícios começaram nesta segunda-feira conforme planejado.
Já a Casa Azul, sede da Presidência sul-coreana, afirmou estar analisando as declarações de Trump. "O governo acompanha atentamente a mensagem publicada hoje pelo presidente Trump nas redes sociais."
Na semana passada, autoridades militares da Coreia do Sul e dos EUA afirmaram que incorporariam aos exercícios lições extraídas da crescente experiência de combate das tropas norte-coreanas na Ucrânia, incluindo novas táticas com drones.
A Coreia do Norte tem estreitado os laços militares com a Rússia desde que os dois países assinaram um pacto de parceria estratégica em junho de 2024, com Pyongyang fornecendo tropas, munição de artilharia e mísseis para apoiar a ofensiva de Moscou na Ucrânia.
Trump defende há muito tempo o fim ou a redução dos exercícios militares com a Coreia do Sul. Ele frequentemente entra em choque com o governo aliado sobre a divisão dos custos da manutenção dos cerca de 28,5 mil soldados americanos baseados no país e sobre seu papel na segurança regional mais ampla.
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Relação de altos e baixos
Seul disse ainda esperar que o aparente "relacionamento amistoso" entre Trump e Kim Jong-un possa levar a "um diálogo significativo entre os dois países, abrindo discussões voltadas ao avanço da paz e da estabilidade na Península Coreana".
"Essa decisão (dos EUA) pode fazer parte de um esforço mais amplo para criar uma oportunidade diplomática com Pyongyang, algo que Trump tem buscado de forma consistente desde seu retorno ao poder," avalia Jenny Town, diretora do programa 38 North, do centro de estudos Stimson Center. "No entanto, a natureza improvisada dessa medida dificilmente causará grande impacto em Pyongyang."
A Coreia do Norte recentemente disparou mísseis balísticos em direção ao Mar do Japão, poucos dias após um teste semelhante com um míssil balístico de curto alcance. Na semana passada, Pyongyang ameaçou adotar medidas duras contra Estados Unidos e Coreia do Sul, classificando os exercícios como um "ensaio para a guerra".
O regime de Kim, que tecnicamente ainda está em guerra com o Sul, costuma denunciar as manobras militares conjuntas entre Washington e Seul como preparativos para uma eventual invasão.
A relação entre Trump e Kim é marcada por altos e baixos há anos. Trump já ridicularizou o líder norte-coreano chamando-o de "pequeno homem-foguete" e ameaçou Pyongyang com "fogo e fúria". Kim, por sua vez, declarou que iria "domar com fogo o idoso americano mentalmente perturbado".
Apesar disso, os dois participaram de três cúpulas bilaterais. Após trocar cartas com Kim, Trump chegou a afirmar que os dois haviam "se apaixonado". Nenhuma dessas iniciativas, porém, resultou em mudanças no programa nuclear nem no desenvolvimento de mísseis balísticos da Coreia do Norte.

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