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Violência de gangues no Haiti matou 5,7 mil em 2026, diz ONU

Contingente insuficiente de força multinacional de segurança impede ações mais efetivas contra grupos de criminosos. Enviado da ONU pede sanções, embargo de armas e reforço da missão internacional no país caribenho

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Por Cidade a Cidade
Violência de gangues no Haiti matou 5,7 mil em 2026, diz ONU
Gangues haitianas continuam a se adaptar e a se expandir, ressurgindo em novas áreas e rearmando-se constantemente/Foto: Hector Adolfo Quintanar Perez/ZUMA/picture alliance
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A violência de gangues no Haiti deixou pelo menos 5,7 mil pessoas mortas ou feridas em 2026, e mais de mil mulheres e meninas foram estupradas, afirmou nesta sexta-feira (02/10) o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk.

Os dados compilados pela missão da ONU no Haiti até 11 de setembro incluem também 230 sequestros, embora Türk tenha ressaltado que "os números reais provavelmente são muito mais elevados".

Ao discursar no Conselho de Direitos Humanos da ONU, Türk alertou que as gangues continuam a se expandir, apesar do envio de uma força internacional de segurança destinada a ajudar as autoridades haitianas a restaurar a ordem.

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"Apesar de algum sucesso na contenção de suas atividades em partes da capital, Porto Príncipe, as gangues continuam a se adaptar e a se expandir, ressurgindo em novas áreas e rearmando-se constantemente", afirmou.

Contingente insuficiente

Türk disse que o efetivo da Força de Combate às Gangues enviada ao país permanece significativamente insuficiente. A missão multinacional tem como meta ampliar seu contingente para 5,5 mil membros, mas conta atualmente com cerca de 1,5 mil, o que, segundo o alto comissário, é "muito abaixo do efetivo necessário".

Ao mesmo tempo, ele reiterou que a ONU tem "sérias preocupações quanto ao uso desnecessário e desproporcional da força" pelas forças de segurança nacionais do Haiti e por grupos civis de autodefesa formados em reação à violência das gangues. Segundo o alto comissário, esses grupos mataram ou feriram cerca de 280 pessoas somente este ano.

"Desde o início do ano, mais da metade de todas as baixas ocorreu no contexto de operações de segurança, com centenas de pessoas atingidas por balas perdidas e drones explosivos", disse Türk.

"Cabeça da serpente"

William O'Neill, especialista designado por Türk para questões de direitos humanos no Haiti, relatou a jornalistas que a situação é "grave, mas não desesperadora".

Ele afirmou que, se uma Força de Combate às Gangues com efetivo completo dispusesse das recursos adequados, como inteligência, equipamentos de visão noturna, helicópteros, poderia ser altamente eficaz contra as gangues, cujo poder está concentrado nas mãos de poucos.

Soldado do Quênia patrulha rua de Porto Príncipe ao lado de veículos blindadosSoldado do Quênia patrulha rua de Porto Príncipe ao lado de veículos blindados
Missão multinacional de combate a gangues conta com efetivo de 1,5 mil, o que é muito abaixo do necessário, segundo especialistaFoto: Odelyn Joseph/AP/picture alliance

O'Neill observou que não é segredo quem são os líderes das gangues nem onde eles estão; portanto, se uma equipe pudesse intervir rapidamente e prender a cúpula, "muito provavelmente a gangue entraria em colapso".

As gangues entendem a dinâmica de poder, "e se você for mais poderoso do que elas, acabou o jogo", disse o especialista, que ajudou a criar a Polícia Nacional do Haiti em 1995.

Capturar um grupo de líderes do alto escalão ou "cortar a cabeça da serpente", seria "absolutamente decisivo", disse O'Neill à associação de correspondentes da ONU.

Armas vindas da Flórida

"Se for possível cortar e sufocar o acesso deles a financiamento e armamento" através de embargos de armas e sanções, "isso se torna muito mais fácil do que qualquer ação cinética", acrescentou.

Quanto às armas recuperadas das gangues, uma "quantidade esmagadora" pôde ser rastreada até lojas de armas em "dez a 12 códigos postais da Flórida", afirmou, advertindo que os Estados Unidos "precisam fazer muito mais".

O'Neill disse que as gangues não possuem ideologias e se sustentam na "criminalidade pura", sendo que cerca de metade de seus membros eram menores de idade.

"As gangues não têm apoio popular; é zero. A população as odeia, e com razão", afirmou.

FONTE/CRÉDITOS: Redação DW

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