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A gigante automobilística alemã Volkswagen confirmou nesta quinta-feira (03/09) que cortará um total de 100 mil postos de trabalho em todo o mundo até o final da década, no que promete ser a maior reestruturação já vista na indústria automobilística global.
O anúncio surgiu horas após a notícia de que a empresa planeja fechar quatro de suas fábricas na Alemanha.
A empresa afirmou que a administração e os sindicatos aprovaram um plano que envolve a redução de mais 50 mil vagas, além das 50 mil demissões que já estavam planejadas.
"É essencial alinhar sistematicamente os níveis da força de trabalho com as realidades econômicas", diz um comunicado do grupo Volkswagen, que, além da própria VW, também inclui a Audi e a Porsche.

O total de 100 mil cortes, que representam cerca de 15% do quadro de funcionários da Volkswagen em todo o mundo, supera as 50 mil demissões realizadas pela montadora americana General Motors pedir concordata em 2009.
Sindicatos e administração da VW entraram em conflito público antes de aprovarem os planos. Os sindicalistas acusaram os executivos de não serem honestos com os trabalhadores depois de o número de 100 mil possíveis cortes ter surgido na imprensa antes de ser comunicado internamente.
A empresa está sob forte pressão em meio às tarifas impostas pelos Estados Unidos, a concorrência da China e o crescimento lento da demanda por veículos elétricos. Todos esses fatores vêm corroendo a margem operacional do grupo, que ficou em 3,8% no primeiro semestre, abaixo dos 7,9% registrados em 2022, seu nível mais alto na última década.
"Mancha negra no mapa"
A decisão da VW foi anunciada pouco depois da divulgação da notícia de que a diretoria da empresa aprovou por unanimidade o encerramento da produção em quatro de suas fábricas na Alemanha, segundo informou a revista alemã Wirtschaftswoche citando um documento interno da VW.
A Volkswagen afirmou que o futuro a longo prazo dessas quatro grandes fábricas do grupo – em Hannover, Emden, Zwickau e Neckarsulm – não podia ser garantido. Este deverá ser o primeiro fechamento em larga escala de fábricas da VW em seu país de origem. Juntas, as fábricas empregam 44 mil pessoas na Alemanha.
"Se esta fábrica realmente fechar, deixará uma grande mancha negra no mapa", afirmou um funcionário da VW em Zwickau, no estado da Saxônia, à agência de notícias AFP. "A fábrica e os empregos fora dela, nossos fornecedores, são o motor de toda a região."
O CEO da VW, Oliver Blume, insistiu que a decisão de cortar 100 mil empregos envia "um sinal forte para o futuro do Grupo Volkswagen".
Maior reestruturação nos 89 anos do grupo VW
A Volkswagen não detalhou o cronograma dos cortes e como eles serão distribuídos entre as diferentes regiões onde a VW possui fábricas e escritórios. A empresa, porém, informou que seu foco estará voltado para a América do Norte e que busca expandir as exportações para o Sul Global.
O plano também inclui um investimento de centenas de bilhões de dólares nos próximos anos, à medida que a VW busca aprimorar sua tecnologia por meio de pesquisa e desenvolvimento e se tornar mais competitiva.
As ações da Volkswagen atingiram sua maior cotação em 11 semanas após o anúncio do acordo. que representa a maior reestruturação nos 89 anos de história do grupo.
Acionistas e analistas manifestaram alívio pelo fato de a Volkswagen, com uma força de trabalho de mais de 650 mil funcionários, uma estrutura complexa e poderosos grupos de interesse, ainda ser capaz de tomar decisões de grande alcance em tempos de crise.
"O acordo [...] é um sinal positivo para a Volkswagen e o mercado de capitais, mesmo que envolva cortes severos entre a força de trabalho e dentro do grupo", disse Moritz Kronenberger, da Union Investment, grupo de investimentos que detém ações da Volkswagen.
"A decisão agora está inteiramente nas mãos da diretoria executiva. Não há mais desculpas", afirmou, em relação à implementação do programa.

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