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A Volkswagen anunciou nesta segunda-feira (07/09) que uma de suas fábricas na Alemanha, que terá sua produção de automóveis encerrada, será vendida e convertida para a fabricação de armas produzidas por uma empresa israelense.
A medida faz parte de uma ampla reestruturação na maior fabricante de automóveis da Europa, que atravessa uma grave crise. A empresa anunciou recentemente o maior plano de demissões da história da indústria automotiva global, enquanto se vê pressionada pela concorrência chinesa, tarifas de importação dos Estados Unidos e a baixa demanda dos consumidores por veículos elétricos.
O anúncio também representa a mais recente parceria entre uma automobilística alemã e o setor de defesa – um mercado em expansão à medida que vários países reforçam suas Forças Armadas em meio à ameaça cada vez maior representada por conflitos e guerras, em um cenário internacional cada vez mais instável.
O acordo ainda não constitui uma venda definitiva, mas visa estabelecer as bases para as próximas etapas, incluindo a definição de responsabilidades, a determinação da estrutura e a preparação para a transição.
Domo de Ferro e Iron Beam
A fábrica da VW em Osnabrück, no noroeste da Alemanha, será vendida para a empresa de investimentos Aurelius Capital, sediada em Tel Aviv, e para o estado alemão da Baixa Saxônia – um importante acionista da VW –, para desenvolver um projeto inicial de defesa para a empresa israelense Rafael Advanced Defence Systems. A produção de automóveis na unidade será encerrada em 2027.
A Rafael fabricante de sistemas de defesa aérea, mísseis guiados e sistemas de guerra eletrônica, é conhecida pelo Domo de Ferro, o sistema de defesa antiaérea utilizado por Israel.

A empresa também produz o Iron Beam, uma arma a laser projetada para interceptar alvos aéreos. Além disso, fornece o sistema de proteção ativa Trophy, capaz de destruir mísseis e armas antitanque, utilizado nos tanques de guerra Leopard, fabricados na Alemanha.
Sistemas de defesa antiaérea
"Com o acordo de hoje, damos um passo importante para abrir um novo futuro industrial para o local", disse o CEO da Volkswagen, Oliver Blume, assegurando que a empresa "assume sua responsabilidade em relação a Osnabrück".
O acordo garantirá a preservação de pelo menos 1,2 mil dos 1,8 mil empregos na fábrica, segundo o conselho de trabalhadores da VW, após a decisão tomada pela empresa, em 2024, de encerrar a produção de veículos em Osnabrück até 2027.
O projeto com a Rafael estará centrado na possível fabricação de sitemas de defesa aérea e componentes voltados para a Alemanha e outros países europeus, informou a montadora, sem fornecer mais detalhes. O valor da venda também não foi divulgado.
"Estamos construindo uma relação industrial de longo prazo com nossos parceiros alemães, com o objetivo de que a tecnologia seja totalmente produzida na Alemanha, para proteger a Alemanha e a Europa", disse Yoav Tourgeman, presidente e CEO da Rafael.
A unidade de Osnabrück, com 125 anos de história, produz atualmente os veículos T-Roc Cabriolet, bem como os modelos Cayman e Boxster para a Porsche, empresa controlada pelo grupo Volkswagen.
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Sindicato: VW "não está isenta" de responsabilidade
O futuro a longo prazo de outras quatro fábricas alemãs do grupo VW permanece incerto, enquanto a empresa avança sua estratégia de reduzir custos.
Na semana passada, a direção e os sindicatos concordaram em avaliar "usos alternativos" para essas unidades, ao mesmo tempo em que aprovaram a redução de mais 50 mil postos de trabalho, elevando para 100 mil o total de vagas a serem eliminadas no grupo nos próximos anos.
Até o momento, a gigante automotiva – que engloba dez marcas, incluindo a Audi e a Seat – conseguiu evitar o fechamento de grandes fábricas em seu país de origem ao longo de seus 89 anos de história.

Ao comentar o acordo, Christiane Benner, membro do conselho de supervisão da VW e .
"A medida de hoje abre oportunidades para a unidade, mas não exime a Volkswagen da responsabilidade de criar perspectivas sólidas também para os funcionários restantes", disse Benner.
VW evita polêmica ao não negociar diretamente com Israel
A venda da fábrica para o estado da Baixa Saxônia e para a Aurelius Capital ajuda a VW a evitar a questão politicamente delicada de negociar diretamente com uma empresa de defesa israelense. O Catar, cujo fundo soberano é o terceiro maior acionista da automobilística alemã, não reconhece o Estado de Israel.
O anúncio é a mais recente parceria entre os setores automotivo e de defesa. Em junho, a Mercedes-Benz informou ter fechado um acordo com a fabricante de drones Tytan Technologies para adaptar algumas de suas vans para operações móveis de defesa contra drones.
Segundo relatos, a Mercedes também manteve conversas com a KNDS – fabricante franco-alemã de tanques e armamentos – sobre a possibilidade de produzir veículos blindados para transporte de pessoal em uma fábrica da empresa.

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