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Acusação de Trump sobre eleições ameaça trégua com chineses

Após arrefecimento de guerra tarifária, Trump volta a elevar tensões com China ao acusar Pequim de interferência nas eleições de 2020. Chineses acusam presidente de difamação.

Cidade a Cidade
Por Cidade a Cidade
Acusação de Trump sobre eleições ameaça trégua com chineses
Trump e Xi Jinping durante visita do americano à China em maio/Foto: Kenny Holston/AFP
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As novas acusações de Donald Trump de que a China teria interferido nas eleições presidenciais de 2020 nos EUA podem provocar prejudicar sua frágil trégua com o líder Xi Jinping. Tudo isso a apenas dois meses de uma cúpula entre os dois líderes que está prevista para ocorrer em Washington.

Na noite de quinta-feira (16/07), em pronunciamento televisionado, o presidente dos EUA voltou a propagar teorias conspiratórias sobre fraudes em sistemas de votação e contagem eleitoral nos EUA. Isso também num momento em que seu partido está diante de eleições desafiadoras para o Congresso em novembro. 

O discurso de 25 minutos em horário nobre também escancarou a estratégia de Trump de tentar transformar a segurança eleitoral em uma questão política central antes das eleições de meio de mandato.

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As acusações de Trump se concentraram especialmente na China e incluíram a alegação de que os chineses teriam obtido indevidamente dados sobre milhões de eleitores americanos.

"Essa perda de dados representa um pesadelo sem precedentes para a segurança eleitoral", disse Trump.

China rejeita acusações

Em resposta, a China acusou Trump de propagar "invenções". "As alegações feitas pelo lado americano são puras invenções e difamações maliciosas que, há muito, já foram comprovadas como infundadas", disse Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.

Antes do pronunciamento, Liu Chang, porta-voz da embaixada chinesa em Washington, já havia dito: "A China nunca interferiu e nunca interferirá nas eleições presidenciais dos EUA".

Trump, que frequentemente se gaba de ter uma relação pessoal cordial com Xi, dirigiu acusações diretas contra a liderança chinesa.

"O governo chinês queria que o presidente dos EUA perdesse a próxima eleição, e a razão pela qual queriam que eu perdesse é porque sabiam que eu os conhecia bem", disse ele.

As falas de Trump representaram um afastamento drástico dos comentários recentes mais amistosos de Trump em relação a Pequim nos últimos meses.

Ameaça

Segundo analistas, o discurso também tem potencial de prejudicar a trégua cuidadosamente orquestrada que interrompeu a guerra comercial do ano passado entre as duas maiores economias do mundo.

Depois de impor tarifas de três dígitos contra a China em 2025, Trump recuou em outubro passado em meio a temores de que medidas retaliatórias de Pequim, que incluíram principalmente exportações de metais de terras raras, pudessem prejudicar a indústria manufatureira dos EUA.

Em maio, Xi recebeu Trump para uma visita de Estado, durante a qual Trump minimizou as disputas sobre Taiwan e chamou Xi de "amigo".

Trump então convidou Xi para visitar Washington em 24 de setembro e também estaria considerando participar da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico em novembro em Shenzhen, na China.

A China ainda não confirmou a visita de Xi a Washington. Pequim informou reservadamente à administração Trump que futuras reuniões entre os líderes dependerão da manutenção de relações positivas, segundo a agência Reuters.

Não foi a primeira vez que Trump lançou acusações sobre suposta interferência eleitoral nos EUA. Há anos Trump tem usado tais argumentos para sustentar a tese — refutada — de que a eleição de 2020, na qual foi derrotado por Joe Biden, teria sido fraudada.

Mas uma relatório de serviços de inteligência dos EUA elaborado em 2021 não encontrou indícios de que qualquer agente estrangeiro, incluindo a China, tenha tentado ou conseguido alterar "qualquer aspecto técnico" da votação da eleição presidencial de 2020, incluindo registros de eleitores, cédulas, apurações ou resultados.

Ainda seu pronunciamento na quinta-feira, Trump culpou burocratas não identificados do "Deep State" por não o terem supostamente alertado sobre vulnerabilidades na segurança eleitoral.

Não ficou claro se o governo Trump tomaria alguma medida contra a China após o pronunciamento, embora o presidente tenha instruído as autoridades policiais a investigarem qualquer irregularidade.

"As 'revelações bombásticas' e chocantes de Trump sobre a China são totalmente falsas", afirmou em um comunicado, durante o discurso, o senador democrata Mark Warner, vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado. "O fato é que nossas agências de inteligência concordaram unanimemente que a China sequer tentou alterar um único voto na eleição de 2020."

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Estratégia eleitoral

Além de lançar acusações contra a China, Trump aproveitou o pronunciamento para pressionar novamente os republicanos no Congresso a aprovarem uma legislação que imponha novas exigências de identificação e comprovação de cidadania para eleitores, apesar de constatações de longa data de que fraudes eleitorais nos EUA são raras. O projeto de lei está travado no Senado em meio à forte oposição democrata.

O discurso ocorreu em um momento político desafiador para Trump e os republicanos, com sua taxa de aprovação pressionada pela impopular guerra no Irã e pelos altos preços da energia.

Segundo especialistas, as acusações de Trump se inserem num cálculo político. "O presidente Trump está usando uma alegação falsa sobre interferência chinesa para pressionar o Congresso a aprovar a legislação que restrinja o acesso ao voto", disse Mira Rapp-Hooper, ex-diretora sênior para o Leste Asiático no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

Além disso, a retomada das alegações de interferência estrangeira também se insere num esforço de Trump para assumir o controle das eleições americanas — e para lançar dúvidas sobre qualquer futura votação que ele não vença.

"O objetivo de levar essa questão aos tribunais é preparar o terreno para as próximas eleições de meio de mandato, de modo que o governo Trump possa alegar que qualquer eleição cujo resultado não lhes seja favorável é ilegítima", disse Eva Galperin, diretora de segurança cibernética da Electronic Frontier Foundation, uma organização de direitos digitais.

Eddie Perez, membro do conselho do OSET Institute — organização que trabalha para construir a confiança pública nas eleições —, concordou que o pronunciamento foi voltado, pelo menos em parte, para futuras disputas eleitorais.

"Se o partido dele perder, ele poderá alegar fraude", disse ele.

FONTE/CRÉDITOS: Redação DW

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