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Agosto de 2026 se tornou o mês mais quente já registrado no mundo, igualando julho de 2023, com temperaturas globais 1,65 °C acima dos níveis pré-industriais, afirmaram cientistas do Copernicus, o serviço de monitoramento climático da União Europeia (UE).
Segundo os dados divulgados nesta quinta-feira (10/09), as temperaturas dos oceanos também atingiram níveis sem precedentes. O registro ocorreu no mesmo ano em que Europa Ocidental atravessou sua temporada de verão mais quente da história, superando o recorde anterior estabelecido em 2003.
As ondas de calor na Europa em agosto deram continuidade a uma sequência de calor extremo iniciada em maio, com condições de seca severa atingindo o Reino Unido, a França, a Hungria, a Romênia e a Sérvia. As temperaturas extremamente altas provocaram a morte de milhares de pessoas em todo o continente. Os grandes rios europeus – do Reno e Danúbio, na Europa Central e Oriental, ao Dnipro, na Ucrânia – apresentaram níveis excepcionalmente baixos.
A temperatura média global de 16,96 °C em agosto superou em 0,01 °C o recorde de julho de 2023. O Copernicus, no entanto, considera que ambos os meses empataram no topo da lista, dada a pequena diferença.
O registro ficou 1,65 °C acima da média estimada para o período de 1850 a 1900, que antecede o início do uso de combustíveis fósseis em larga escala – processo que libera gases causadores do efeito estufa, os quais continuarão a aquecer o planeta até que as emissões sejam reduzidas a zero.
Papel dos combustíveis fósseis
"Os seres humanos não vivenciam temperaturas tão altas quanto as de hoje há, possivelmente, pelo menos 100 mil anos", afirmou Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), órgão que supervisiona o Copernicus.
Em reação à avaliação do Copernicus, a ONU alertou que, enquanto a humanidade não abandonar os combustíveis fósseis, o planeta avançará cada vez mais em território desconhecido.
"As evidências são irrefutáveis. Este é o preço crescente da dependência da humanidade em combustíveis fósseis e da crise climática global que ela alimenta", disse Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC),
As observações do Copernicus remontam a 1940, mas outras evidências – como núcleos de gelo, anéis de árvores e esqueletos de corais – permitem aos cientistas situar o clima atual em um contexto histórico muito mais amplo.
Oceanos também registram recorde
Cientistas afirmam que a atividade humana – principalmente a queima de carvão, petróleo e gás – aqueceu o planeta em cerca de 1,4 °C desde a era pré-industrial e aumentou a gravidade e a probabilidade de eventos climáticos extremos. As emissões de gases de efeito estufa, que retêm calor, atingiram novos patamares em 2025.
Os cientistas afirmam que agosto marcou o retorno das temperaturas acima do limite crítico de 1,5°C em relação às médias pré-industriais, sendo a primeira vez que esse patamar foi ultrapassado desde novembro de 2023.
No âmbito do Acordo de Paris de 2015, os países se comprometeram a limitar o aquecimento global, a longo prazo, a um nível "bem abaixo" de 2 °C acima dos níveis pré-industriais e a ampliar os esforços para contê-lo em 1,5 °C, visando evitar as piores consequências das secas, ondas de calor, inundações, elevação do nível do mar e colapsos da vida selvagem provocados pelas mudanças climáticas.
O mês passado também registrou recordes de temperatura na superfície do mar, resultado da queima de combustíveis fósseis e do rápido aquecimento das águas do Oceano Pacífico, associado ao fenômeno climático El Niño.
As temperaturas da superfície do mar fora das regiões polares atingiram o recorde para o mês de agosto, chegando a 21,07°C, igualando março de 2024 como a marca mais alta já registrada em qualquer mês.
Alerta aos líderes na COP31
"Combinadas com as temperaturas recordes da superfície do mar em nível global e o verão mais quente já registrado na Europa Ocidental, essas observações mostram como as mudanças climáticas estão impulsionando eventos extremos tanto na atmosfera quanto nos oceanos", observou Samantha Burgess, do ECMWF.
"Os impactos dessas condições estão sendo sentidos cada vez mais por comunidades, economias e ecossistemas em todo o mundo", pontuou, acrescentando que o clima "continuará se tornando mais extremo, a menos que fechemos a torneira das emissões globais".
Gareth Redmond-King, chefe do programa internacional da Energy and Climate Intelligence Unit (ECIU), disse que mais uma "sirene de alerta" estava sendo acionada, apenas dois meses antes da próxima Conferência da ONU sobre o Clima, a COP31.
"Os líderes mundiais que se reunirão antes da COP31 nas próximas semanas sabem qual é a solução: reduzir rapidamente as emissões dos gases causadores do efeito estufa rumo à neutralidade de carbono (net zero), ao mesmo tempo em que fortalecem a resiliência aos impactos que já estão consolidados.
"A tarefa agora é alinhar a escala da ação à escala indicada pela ciência, apoiando comunidades que já estão na linha de frente dos impactos climáticos e acelerando a transição para abandonar o carvão, o petróleo e o gás, a fim de restaurar o equilíbrio do nosso clima", sublinhou Redmond-King.
Recordes ao redor do globo
Níveis sem precedentes de calor também foram registrados em diferentes partes do mundo.
Nesta quarta-feira, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos informou que a parte continental do país enfrentou o verão mais quente já registrado.
Além disso, regiões onde vivem cerca de 900 milhões de pessoas passaram pelo mês de julho mais quente já observado, segundo uma análise da agência de notícias AFP baseada em dados do Copernicus.

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