O estado alemão da Baviera está promovendo neste mês uma ação incomum no país vizinho ao leste, a República Tcheca: retirar cerca de 300 toneladas de lixo despejado lá ilegalmente por uma empresa privada alemã.
O primeiro caminhão levando os detritos partiu nesta segunda-feira da cidade de Jirikov, a cerca de 200 quilômetros a leste de Praga, segundo o ministro do Meio Ambiente Tcheco, Petr Hladik.
A empresa alemã que levou os detritos para lá faliu, e coube à região administrativa do Alto Palatinado, na Baviera, financiar a operação, que deve ser concluída até o final da próxima semana.
A prefeita de Jirikov, Barbora Siskova, afirmou à emissora alemã ARD que o lixo começou a ser despejado ilegalmente em dezembro passado, em uma propriedade privada em uma área de proteção ambiental, e que entre os detritos havia partes de turbinas eólicas e baterias.
Outros caminhões repetiram o despejo em janeiro, mas as autoridades locais estavam alertas e detiveram um dos motoristas, um homem de nacionalidade tcheca, e aprofundaram a investigação. O diretor administrativo da empresa, sediada na cidade alemã de Weiden, está em prisão provisória desde 21 de agosto.
Esquema para evitar custos altos de reciclagem
Segundo a agência ambiental tcheca, como a reciclagem profissional de lixo é cara na Alemanha, terceirizados da República Tcheca vêm sendo contratados para levar os detritos para lá de forma ilegal.
Após o esquema ser descoberto, ficou acordado que o governo do Alto Palatinado retiraria os detritos em junho. O prazo foi adiado para agosto, o que gerou protestos da comunidade local.
A prefeita Siskova está agora satisfeita. "Vamos ser honestos, há três trimestres, ninguém pensava que isso ocorreria tão rápido, e que realmente seria organizado com a Baviera assumindo os custos", disse ela à ARD.
Outros locais de despejo ilegal de lixo foram descobertos na República Tcheca, inclusive na periferia de Brno, onde haveria detritos despejados pela mesma empresa alemã, inclusive plásticos, laminados e partes que parecem vir de turbinas eólicas, como em Jirikov.
"Do meu ponto de vista, isso é crime organizado, não tem nada a ver com reciclagem", afirmou o ministro Hladik à agência tcheca de notícias CTK. "Se alguém achou que iria se livrar desse lixo de uma forma barata, estava muito errado."

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