Ao menos oito pessoas morreram neste domingo (30/08) no naufrágio de uma balsa perto da costa do norte de Chipre, enquanto as buscas por 18 desaparecidos prosseguem, informou o primeiro-ministro turco-cipriota, Unal Ustel.
Havia mais de 260 pessoas a bordo. Destas, pelo menos 237 foram resgatadas, declarou o chefe do governo da autoproclamada República Turca do Norte de Chipre (RTNC), um território separatista reconhecido apenas pela Turquia e não controlado pela República de Chipre, de maioria grega, que fica ao sul da ilha.
"Infelizmente, sete pessoas perderam a vida. Os trabalhos de busca e resgate para localizar os 23 desaparecidos continuam sem interrupção com todos os meios disponíveis", acrescentou Unal Ustel..
Segundo Ustel, a embarcação ficou completamente submersa em uma área onde a profundidade do mar é de cerca de 514 metros e teme-se que ainda haja pessoas em seu interior.
Entre os resgatados há um número não especificado de feridos que estão sendo transferidos para hospitais turco-cipriotas.
Mau tempo
As autoridades abriram uma investigação para esclarecer as causas do acidente. Ustel apontou para o mau tempo no momento do naufrágio, com um temporal de fortes chuvas, granizo e rajadas de vento de até 160 km/h, algo que classificou como "incomum para um mês de agosto".
"O barco deveria ter partido para a Turquia ontem, mas devido às condições meteorológicas, zarpou hoje" de Girne rumo à cidade turca de Mersin.
Pouco depois da partida, "a primeira onda atingiu a embarcação em alto-mar e, enquanto o capitão tentava contornar a situação, o barco começou a embarcar água com a segunda onda", explicou Üstel.
Testemunhas afirmaram que alguns passageiros pularam no mar depois que a embarcação começou a afundar.

A embarcação emitiu um pedido de socorro às 12h10 (horário local, 6h10 de Brasília), informando que estava "fazendo água" a uma distância de cerca de três milhas ao norte da costa de Chipre.
Por sua vez, o Comando das Forças de Segurança da RTNC declarou em um comunicado que a balsa de passageiros naufragou a 8 quilômetros do porto de Girne.
A nota indicava que, após receber o alerta, o Comando das Forças de Segurança, o Comando da Guarda Costeira, a Presidência da Organização de Defesa Civil e a Direção-Geral de Polícia responderam ao incidente com todos os seus recursos, incluindo navais e aéreos.
Também foi informado que navios das Forças Navais turcas, junto com elementos do Comando da Guarda Costeira, continuam as operações de busca e resgate na região.
Além disso, é esperada a chegada de especialistas procedentes da Turquia para auxiliar nas tarefas de salvamento, segundo assinalou o primeiro-ministro.
A ilha de Chipre está dividida desde uma invasão militar turca em 1974. A República de Chipre, de maioria greco-cipriota e membro da União Europeia (UE), controla o sul, enquanto o norte é ocupado pela República Turca do Norte de Chipre, reconhecida apenas pela Turquia e por vezes descrita como estado-fantoche da Turquia.
Atualmente, a República Turca do Chipre do Norte mantém conexões aéreas e marítimas com a Turquia.

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