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Bloqueio dos EUA fez despencar número de turistas em Cuba

Sanções da Casa Branca levaram empresas aéreas e hotéis a deixar de operar no país. Ilha comunista, que já sofria antes com apagões e escassez de insumos, registrou queda de 58% no número de visitantes.

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Por Cidade a Cidade
Bloqueio dos EUA fez despencar número de turistas em Cuba
Número de turistas caiu vertiginosamente após o embargo ao petróleo imposto pelos EUA/Foto: IMAGO/Pond5 Images
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Um dos setores mais importantes da economia de Cuba, responsável por 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2025, o turismo também tem sofrido os efeitos das sanções dos Estados Unidos. A ilha viu o número de visitantes despencar.

Menos de 360 mil turistas viajaram à ilha comunista nos primeiros cinco meses deste ano, uma queda de 58% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do escritório oficial de estatísticas ONEI. Deste total, mais da metade veio em janeiro, antes do embargo americano ao petróleo. Desde então, os números vêm caindo vertiginosamente.

Além da escassez de petróleo, que levou à interrupção de voos por falta de querosene de aviação, a queda de turistas é reflexo também do fechamento de hotéis operados por empresas estrangeiras por pressão da Casa Branca.

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O setor, que já sofria antes com escassez de insumos, apagões e a crise econômica no país, nunca voltou aos patamares pré-pandemia, quando, em 2018, atingiu um pico de 4,75 milhões de visitantes.

A situação piorou muito neste ano, com os Estados Unidos sinalizando a possibilidade de ação militar contra Cuba e impondo novas sanções. Como Washington ameaçou penalizar estrangeiros que façam negócios com indivíduos sancionados, a maioria das principais empresas de turismo e viagens deixou o país ou reduziu drasticamente suas atividades na ilha.

Desde o início de maio, as duas maiores redes hoteleiras estrangeiras que operam em Cuba – as espanholas Meliá e Iberostar – anunciaram que reduziriam o número de hotéis sob sua administração na ilha. A empresa canadense Blue Diamond se retirou completamente.

As companhias aéreas espanholas Iberia e World2Fly suspenderam suas conexões com a ilha, assim como a russa Rossiya e as canadenses WestJet e Air Canada, citando fornecimento instável de combustível de aviação. A própria Air Canada, contudo, já não voava para Cuba desde fevereiro pelo mesmo motivo – um golpe duro para o turismo, já que canadenses eram o maior grupo de visitantes.

Na semana passada, as gigantes de cartões de crédito Visa e Mastercard também suspenderam suas operações em Cuba.

"Os turistas têm medo de vir para cá", disse Adianet Labrada, representante da agência Cubatur, à agência de notícias Reuters. "Eu costumava ver muitos grupos de todo o mundo nos visitando regularmente, mas, após as sanções e a ameaça de agressão militar, perdi praticamente todos eles."

Governo Trump quer mudança de regime

O governo do presidente americano Donald Trump responsabiliza Cuba pela sua penúria econômica. Segundo ele, o governo cubano é corrupto e incompetente, e são necessárias sanções duras para forçá-lo a mudar.

Havana, por sua vez, culpa os Estados Unidos pela crise que a ilha enfrenta. As sanções americanas, somadas a um embargo que impede a ilha de importar petróleo necessário para suprir suas necessidades energéticas, exacerbaram a já existente escassez de combustíveis, remédios e alimentos em Cuba.

A ilha precisa de aproximadamente 100 mil barris de petróleo por dia para atender às suas necessidades energéticas, mas produz apenas cerca de 40 mil.

pressão sobre Cuba aumentou após a captura, pelos Estados Unidos, do presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado de Havana, em janeiro. Desde então, Trump tem repetidamente sugerido que o regime de Miguel Díaz-Canel poderá ser o próximo alvo.

FONTE/CRÉDITOS: DW Brasil

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