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Quarta-feira, 03 de Junho de 2026
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Ciclone Chido causa destruição catastrófica em Mayotte e pode deixar milhares de mortos

Mayotte, território francês no Oceano Índico, foi devastado no último sábado (14) pelo ciclone Chido, que atingiu a região com ventos superiores a 220 km/h

Davi Arraz
Por Davi Arraz
Ciclone Chido causa destruição catastrófica em Mayotte e pode deixar milhares de mortos
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Mayotte, território francês no Oceano Índico, foi devastado no último sábado (14) pelo ciclone Chido, que atingiu a região com ventos superiores a 220 km/h. A tempestade, considerada a mais forte em mais de 90 anos, deixou um rastro de destruição descrito por moradores como "apocalíptico". Autoridades alertam que o número de mortos pode chegar a milhares, em meio a uma crise humanitária sem precedentes.

Bruno Garcia, dono do Hotel Caribou na capital Mamoudzou, descreveu a cena à rede BFMTV: “Perdemos tudo. O hotel inteiro está completamente destruído. É como se uma bomba atômica tivesse caído em Mayotte.” Relatos de destruição generalizada se espalham pelo arquipélago, com bairros inteiros sendo arrasados e infraestrutura básica, como hospitais e escolas, severamente comprometida.

Tragédia humanitária

Mayotte, com pouco mais de 300 mil habitantes, abriga uma grande população de migrantes indocumentados, especialmente vindos das vizinhas Comores e Madagascar. Esses imigrantes, vivendo em condições precárias, foram os mais afetados pela tempestade. Estima-se que mais de 100 mil pessoas vivam em assentamentos informais, que foram destruídos pelo ciclone. François-Xavier Bieuville, prefeito de Mayotte, afirmou à emissora local Mayotte la 1ère: “A situação é desesperadora. Acho que há centenas, talvez milhares de mortos, dada a violência do evento.”

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Estelle Youssouffa, parlamentar de Mayotte, ressaltou a dificuldade dos trabalhos de resgate: “Dois terços da ilha ainda estão inacessíveis. É preciso agir com urgência, mas muitas áreas não têm qualquer chance de sobrevivência, pois foram completamente arrasadas.”

Resposta das autoridades

Com a destruição de redes elétricas, vias de comunicação e estradas, o resgate das vítimas tem sido desafiador. Socorristas relatam que ainda há muitas áreas isoladas, onde o acesso só é possível com apoio aéreo. O ministro da Segurança Cotidiana da França, Nicolas Daragon, confirmou que os primeiros aviões militares com ajuda emergencial chegaram à ilha no domingo (15). Centenas de socorristas, bombeiros e policiais foram deslocados para o território.

Entretanto, a ausência de serviços essenciais tem agravado o sofrimento da população. Muitos moradores estão sem água, eletricidade e comunicação desde o impacto da tempestade. “Nós estamos no escuro há três dias. Ainda não vimos nenhum socorrista”, relatou Fahar, morador de Mamoudzou, à CNN.

Mudanças climáticas e ciclones

A destruição causada pelo ciclone Chido acendeu o alerta para o impacto das mudanças climáticas na intensificação de eventos extremos. Cientistas alertam que o aquecimento global, alimentado pela queima de combustíveis fósseis, está tornando os ciclones tropicais mais potentes e destrutivos. Oceanos mais quentes fornecem mais energia para tempestades, enquanto a umidade no ar gera chuvas torrenciais, ampliando os danos.

No sudoeste do Oceano Índico, a temporada de ciclones se estende de novembro a abril, mas eventos tão devastadores como o ciclone Chido são historicamente raros. Em 2019, ciclones Idai e Kenneth já haviam causado tragédias semelhantes em Moçambique, evidenciando o aumento da vulnerabilidade de regiões costeiras africanas.

Desespero e solidariedade

Familiares desesperados têm recorrido às redes sociais em busca de informações sobre entes queridos desaparecidos. Imagens divulgadas pelo exército francês mostram vilas inteiras reduzidas a escombros. Chad Youyou, morador do norte de Mayotte, registrou em vídeo o cenário de destruição em sua vila: “Mayotte está destruída... Nós estamos destruídos.”

A tragédia em Mayotte destaca a necessidade de uma resposta internacional coordenada para apoiar as vítimas e reconstruir a região. Enquanto os trabalhos de resgate avançam, a ilha luta para lidar com os efeitos de um desastre que promete marcar gerações.

 

FONTE/CRÉDITOS: BFMTV, Reuters, CNN e Associated Press.
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Davi Arraz

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Davi Arraz

Jornalista, Publicitário, 42 anos de experiência no meio de comunicação. Amante do esporte a motor, amor a Deus acima de todas as coisas e amor a família.

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