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Colisão de trens deixa dezenas de mortos e feridos na Espanha

Acidente com trens de alta velocidade aconteceu em ferrovia que liga Madri a Sevilha. Dois vagões chegaram a sair dos trilhos

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Por Cidade a Cidade
Colisão de trens deixa dezenas de mortos e feridos na Espanha
Trem bateu na traseira de outro veículo que estava parado/Foto: Juanma Jiménez/EUROPA PRESS/dpa/picture alliance
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Um acidente com dois trens de passageiros nesta quarta-feira (28/10) deixou ao menos 68 mortos e mais de cem feridos na Espanha, em uma das piores tragédias ferroviárias da Europa neste século.

Os trens colidiram numa linha de alta velocidade perto da estação de Urda, em Toledo, a cerca de 150 quilômetros ao sul da capital Madri, pouco antes das 9h (horário local). O impacto chegou a tirar dois vagões dos trilhos.

Segundo a empresa Adif, que gere as infraestruturas ferroviárias espanholas, o acidente envolveu dois trens de alta velocidade que faziam a rota entre Madri e Sevilha, no sul do país. Os trens são da empresa pública Renfe, que levava 397 passageiros, e da empresa privada Iryo, com 147 passageiros.

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O transporte ferroviário entre Madri e Sevilha foi interrompido.

De acordo com o jornal espanhol EL País, o trem da Renfe teria colido com a traseira do trem da Iryo que estava parado na ferrovia, provocando o descarrilhamento de dois vagões da Iryo. A ordem para o trem da Renfe seguir viagem teria partido de um controlador em Atocha.

Acidente causado por "erro" 

O ministro espanhol dos Transportes, Oscar Puente, disse a jornalistas que a colisão ocorreu depois que o trem da Renfe foi ordenado, por "erro", a seguir viagem apesar de uma falha técnica que afetava o sistema automático de controle e que havia interrompido todos os serviços em um trecho de 63 quilômetros da linha.

"A decisão de retomar o tráfego, enquanto esse sistema ainda não havia sido restabelecido, cabe ao centro de controle", afirmou ele, acrescentando que a circulação foi retomada "em circunstâncias que, do nosso ponto de vista, são inexplicáveis".

Segundo o ministro, a ordem dada ao trem da Renfe para seguir viagem não deveria ter sido dada, ou a velocidade ao menos teria que ter sido reduzida, já que havia um "sinal de parada" ativo na linha.

O trem da Renfe percorreu 25 quilômetros até colidir com o trem da Iryo, que estava parado, a uma velocidade que poderia ter chegado a "até 200 quilômetros por hora", segundo Puente.

O político afirmou que o centro de controle "teve mais do que tempo suficiente para verificar o erro, e não o corrigiu".

Segundo grande acidente neste ano

O acidente desta quarta-feira é o segundo do tipo registrado neste ano na Espanha. 

Em janeiro, 46 pessoas morreram no sul da Espanha quando um trem saiu dos trilhos e colidiu com outro que vinha em sentido contrário. A tragédia foi a mais letal no país desde o acidente de 2013 que deixou 80 mortos. O episódio de janeiro abalou a confiança dos espanhóis em sua extensa rede ferroviária de alta velocidade.

Até então, as linhas ferroviárias de alta velocidade nunca haviam registrado um acidente fatal desde a abertura da rede, em 1992.

A tragédia desta quarta também pode ter impacto sobre as eleições gerais na Espanha, previstas para 29 de novembro.

O pleito foi antecipado pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, depois que o Parlamento espanhol rejeitou as medidas do governo para conter a crise habitacional no país.

Sánchez cancelou a agenda pública que tinha hoje de manhã por causa do acidente e decretou luto oficial de três dias a partir de quinta-feira. Via X, ele afirmou estar "chocado" com a tragédia e enviou "todo o meu carinho, solidariedade e apoio às vítimas e suas famílias".

O premiê declarou ainda ser "inaceitável que um país como a Espanha sofra dois acidentes de trens de alta velocidade no mesmo ano".

O líder da oposição conservadora, Alberto Nunez Feijoo, que está à frente na maioria das pesquisas de intenção de voto, declarou que a "Espanha tem o direito de saber o que se passa com sua infraestrutura".

A rede de trens de alta velocidade da Espanha recebeu investimentos maciços nos últimos anos, expandindo-se até se tornar a segunda maior do mundo, atrás apenas da China, e é uma fonte de orgulho nacional.

FONTE/CRÉDITOS: Redação DW

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