O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial anunciaram nesta quinta-feira (16/04) que restabeleceram relações com a Venezuela, após um hiato de sete anos.
As relações do país latino-americano com as duas instituições financeiras entraram em colapso em 2019, quando o FMI reconheceu a oposição, que controlava o parlamento, como o governo legítimo.
Consulta aos membros
Nos últimos dias, o FMI consultou seus membros sobre se eles consideravam a presidente interina, Delcy Rodríguez, a líder legítima da Venezuela.
"Guiada pelas opiniões dos membros do FMI que representam a maioria do poder de voto total da instituição e em consonância com a prática de longa data, a diretora-geral Kristalina Georgieva anunciou hoje que o FMI está agora negociando com o governo da Venezuela, sob a administração da presidente interina Delcy Rodríguez", afirmou o FMI em comunicado.
O Banco Mundial rapidamente seguiu o FMI ao reconhecer o governo de Rodríguez. "Guiado pelo resultado do processo de consulta do FMI, o Grupo Banco Mundial anunciou hoje que está retomando suas negociações com o governo da Venezuela", declarou.
A Venezuela é membro do Banco Mundial desde 1946. Segundo comunicado do Banco Mundial, o último empréstimo concedido ao país foi em 2005.
Horas depois, Rodríguez comentou a decisão: "Retomamos a representação da Venezuela nesta organização internacional", afirmou. "Estamos normalizando todos os processos que envolvem os direitos da Venezuela dentro da organização", acrescentou ela.
"Este é um passo muito importante para a economia venezuelana", acrescentou, agradecendo ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, entre outros, pela ajuda na normalização das relações com o FMI.
Coleta de dados e apoio
O reconhecimento do governo de Rodríguez abre caminho para que o FMI comece a coletar formalmente dados econômicos e a oferecer apoio financeiro ao governo, caso a Venezuela o solicite.
Rodríguez foi vice-presidente da Venezuela até o início de janeiro, quando as forças americanas capturaram o presidente Nicolás Maduro em uma operação noturna. Ela foi posteriormente nomeada presidente interina.
"Um passo importante"
Desde a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro, Washington tem exercido forte pressão sobre a Venezuela para que abra sua economia ao investimento estrangeiro, particularmente no setor de energia.
"Trump fala frequentemente e publicamente sobre o quanto gosta de Delcy e sobre a estreita colaboração entre eles”, disse Henry Ziemer, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington, à agência de notícias AFP.
"Mas o reconhecimento institucional, creio eu, é um passo importante, que vai além do pessoal", acrescentou.
Além dos fundos que o FMI e o Banco Mundial podem fornecer, o reconhecimento institucional pode oferecer garantias a investidores estrangeiros privados. "Quanto mais sinais verdes, melhor; eu diria que são necessários para que o investimento estrangeiro direto comece a fluir para a Venezuela", disse Ziemer.
O anúncio ocorre durante as Reuniões de Primavera do FMI e do Banco Mundial em Washington.
Nos bastidores da reunião de autoridades, economistas e investidores, os Estados Unidos pediram maior engajamento com a Venezuela de Rodríguez.
Alívio de sanções
Na terça-feira, os Estados Unidos aliviaram as sanções contra o Banco Central da Venezuela. No mesmo dia, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que o FMI "está trabalhando para reintegrar a Venezuela, para que ela se pareça mais com uma economia normal".
A retomada ocorre em um cenário em que Caracas voltou a ter relações diplomáticas com os Estados Unidos e aceitou as condições econômicas e petrolíferas do governo americano que se materializaram em várias leis aprovadas na Venezuela para permitir investimentos estrangeiros em petróleo e mineração.

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