Aguarde, carregando...

Quarta-feira, 19 de Agosto 2026
Mundo

Guerra no Irã faz EUA ficarem sem porta-aviões no Pacífico

Envio de navio ancorado na Ásia para substituir porta-aviões desgastado após meses de missão no Oriente Médio deixa lacuna nas forças dos EUA no Pacífico Ocidental, num momento em que a China busca aumentar influência

Cidade a Cidade
Por Cidade a Cidade
Guerra no Irã faz EUA ficarem sem porta-aviões no Pacífico
Porta-aviões USS George Washington deixou o Pacífico Ocidental rumo ao Oriente Médio em agosto/Foto: AP
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

A continuidade da guerra lançada pelo presidente Donald Trump contra o Irã está levando as forças navais dos EUA ao limite de sua capacidade e deixando o Pacífico Ocidental sem a presença de porta-aviões americanos num momento em que a China busca aumentar sua influência na região.

Segundo relatos na imprensa americana, o porta-aviões USS George Washington (CSG), anteriormente ancorado no Japão, deixou nos últimos dias a região do Pacífico Ocidental, após passar pelo Estreito de Singapura no dia 13 de agosto, a caminho do Oriente Médio, onde a embarcação deverá assumir um papel em meio ao conflito do Irã, que segue sem fim à vista desde fevereiro.

Essa movimentação deixou o Pacífico Ocidental sem nenhum porta-aviões americano em uma região que está no centro da rivalidade militar entre os EUA e a China.

Publicidade

Leia Também:

O USS George Washington deverá substituir o porta-aviões USS Abraham Lincoln, que está em uma missão que já se estende por nove meses no Oriente Médio, e que, segundo relatos na imprensa americana, tem visto as condições a bordo para tripulação se deteriorarem em meio a problemas de manutenção, falta de alimentos frescos e turnos sem folga.

Em todo o período de missão, o USS Abraham Lincoln não aportou uma vez sequer para que os tripulantes tivessem descanso em terra. Familiares dos tripulantes chegaram a relatar que alguns dos 5.000 marinheiros a bordo teriam tentado se lançar ao mar em razão da degradação das condições.

Segundo o contra-almirante aposentado Mark Montgomery, que chefiou o grupo de ataque que incluía o USS George Washington entre 2013 e 2014, a saída do navio do Pacífico deixará os EUA "com presença naval limitada" por mais de um ano e meio, pois o porta-aviões retornará para um período de manutenção após concluir sua missão no Oriente Médio.

"Isso representa um risco à segurança nacional, pois transmite uma mensagem de dissuasão fraca à China e não tranquiliza os aliados e parceiros dos EUA no Pacífico", disse Montgomery à revista americana Newsweek.

Embora Analistas avaliam que, embora as chances de um confronto militar imediato sejam baixas, os aliados regionais dos EUA poderão perder a confiança nos compromissos de segurança de Washington, enquanto a China pode tentar aproveitar a brecha para expandir sua influência na região do Indo-Pacífico.

Maior influência da China na região

Com a intensificação da disputa pela supremacia militar do Pacífico entre Washington e Pequim desde que o presidente Donald Trump retornou ao cargo, analistas acreditam que a China possa se aproveitar da lacuna de segurança deixada pela redução da presença militar americana na Ásia.

O argumento da China de que "os compromissos de segurança dos EUA não são confiáveis" pode ganhar força, pouco antes da cúpula entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e seu homólogo chinês, Xi Jinping, agendada para o próximo mês.

A decisão de Trump de reduzir substancialmente os tradicionais exercícios militares conjuntos entre seu país e a Coreia do Sul marcados para esta semana, visando retomar o diálogo com a Coreia do Norte, também deve abalar a confiabilidade dos parceiros regionais.

Afagos de Trump a Kim preocupam aliados

O jornal americano The Wall Street Journal (WSJ) criticou em editorial a redução dos exercícios conjuntos, assim como a atitude conciliatória de Trump em relação ao líder norte-coreano Kim Jong-un, ao mesmo tempo em que criticava a Coreia do Sul por não aderir aos esforços na guerra contra o Irã.

O WSJ alertou que tais ações reforçariam ainda mais a percepção na Ásia e na Europa de que os Estados Unidos estão se tornando um aliado não confiável, e que isso poderia amplificar os apelos dentro da Coreia do Sul para que o país adquira armas nucleares.

Nesta terça-feira, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, renovou sua intenção de recuperar o controle operacional das Forças Armadas de seu país em tempos de guerra, atualmente sob controle dos EUA, e pediu avanços mais rápidos no programa de submarinos nucleares do país.

Segundo o WSJ, o mundo passou a questionar a capacidade americana de cumprir suas obrigações de segurança, enquanto a China utiliza a movimentação militar de Washington para o Oriente Médio para disseminar uma mensagem aos países vizinhos de que eles não podem confiar na defesa dos EUA.

Uma reportagem do portal de notícias Axios afirma que, se a guerra com o Irã permanecer sem solução e o destacamento no Oriente Médio se prolongar, a ausência de um porta-aviões americano no Pacífico poderá persistir por meses.

"A saída do porta-aviões coincide com a redução 'substancial', por parte de Trump, dos exercícios militares conjuntos e com os preparativos para a próxima cúpula com Xi Jinping na China", escreveu o Axios em artigo publicado nesta segunda-feira (17/08). "A combinação da ausência de porta-aviões e da redução dos exercícios militares pode reforçar o argumento de Pequim de que os compromissos de segurança dos EUA não são confiáveis."

Anúncio

A importância da presença militar

O portal de notícias Onest, um veículo independente de análises sobre geopolítica internacional, também alertou que com os EUA criando mais espaço na região, a China é o país mais bem posicionado para se aproveitar disso.

O Onest lembrou que os Estados Unidos mantêm dezenas de milhares de soldados no Japão e na Coreia do Sul, extensas forças aéreas e navais, submarinos, bases e compromissos de tratados em toda a região, e que, portanto, os porta-aviões também não são a única medida de poder militar. "Mas a presença importa", afirmou o portal.

"Washington passou anos descrevendo o Indo-Pacífico como seu principal teatro estratégico de longo prazo, porque a China é o único concorrente capaz de desafiar o poder militar, tecnológico e econômico americano em múltiplos domínios."

Esta não é a primeira vez que a região vive uma lacuna de segurança. Entre agosto e novembro de 2024, o aumento das tensões no Oriente Médio deixou o Pacífico sem um porta-aviões em condições de combate. Antes disso, no entanto, tais casos eram raros.

A Marinha dos EUA possui 11 porta-aviões no total, mas muitos passam longos períodos em manutenção sob a estrutura de implantação rotativa, o que limita o número dessas embarcações que estejam aptas a operar ao mesmo tempo.

Os porta aviões USS Lincoln e USS George H.W. Bush estão atualmente destacados no Oriente Médio e, com o USS George Washington também a caminho da região, apenas três porta-aviões estão efetivamente mobilizados para operações.

Vulnerabilidade no Oriente Médio

O jornal The Washington Post, citando oficiais americanos, informou que o Departamento de Defesa dos EUA está revisando sua postura militar no Oriente Médio, incluindo a possibilidade de retirar algumas forças da região do Golfo Pérsico.

Segundo o jornal, o gabinete do subsecretário de Defesa para Políticas está liderando essa revisão, com o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e o Comando Central dos EUA (Centcom) também examinando a questão. O gabinete é a organização do Pentágono responsável por assessorar a liderança do departamento em estratégia de defesa, planejamento, alianças e respostas a crises

O Centcom, que supervisiona as operações militares americanas no Oriente Médio, possui normalmente cerca de 40 mil soldados baseados em mais de 20 locais, desde a Jordânia até Omã.

Desde o início da guerra, no entanto, os ataques iranianos com mísseis e drones demonstraram a vulnerabilidade dessas bases, levando os Estados Unidos a deslocar um número significativo de pessoal para o Oriente Médio como medida de precaução.

Segundo o Post, algumas dessas medidas podem permanecer em vigor mesmo após o fim da guerra. Qualquer redução duradoura das forças americanas pode gerar preocupações sobre o enfraquecimento da dissuasão regional contra o Irã, dada a longa dependência dos aliados do Oriente Médio em relação às forças americanas em termos de segurança.

FONTE/CRÉDITOS: Redação DW

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.
Cidade a Cidade

Publicado por:

Cidade a Cidade

Cidade a Cidade abrindo espaço para você, cadastre-se e tenha o portal do Usuário. Fique por dentro de tudo o que acontece na sua cidade, opine, mande sua informação, reclamação ou dica.

Saiba Mais

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Cidade a Cidade
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível.
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR