Investigadores da Croácia prenderam um segundo suspeito relacionado à explosão dos gasodutos Nord Stream. Segundo as autoridades, o ucraniano Volodimir Z. teria sido um dos mergulhadores que instalaram os explosivos nos dutos, a cerca de 80 metros de profundidade no Mar Báltico, utilizando um veleiro como base de operação.
A prisão foi revelada pela emissora pública alemã ARD nesta quarta-feira (19/08). Trata-se do mesmo homem que o Ministério Público Federal da Alemanha já havia localizado na Polônia no ano passado e cuja extradição havia sido solicitada às autoridades polonesas.
Na ocasião, a Justiça polonesa se recusou a extraditá-lo, contrariando acordos de cooperação entre os dois países e gerando atritos diplomáticos. Volodimir S. acabou sendo libertado. Agora, ele foi localizado na Croácia, e a Alemanha deverá solicitar novamente sua extradição.
Ataque destruiu os gasodutos
Em setembro de 2022, explosões submarinas destruíram três das quatro tubulações dos gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2, interrompendo uma importante rota de fornecimento de gás russo para a Europa.
As autoridades alemãs identificaram um suposto grupo responsável pelo atentado. O alegado líder da operação, também ucraniano, foi preso na Itália e deve ser julgado nas próximas semanas em Hamburgo.
Ainda não está claro quem ordenou o ataque. Fontes ligadas à segurança apontam suspeitas contra Roman Chervinsky, ex-oficial dos serviços de inteligência da Ucrânia, considerado por investigadores um possível planejador da ação.
Instrutor de mergulho em Kiev
Segundo as investigações, Volodimir Z. trabalhava como instrutor especializado em mergulhos de grande profundidade na escola de mergulho Scuba Family, em Kiev.
Vários suspeitos do caso teriam ligação com a mesma empresa. Antes de atuar como mergulhador profissional, ele teria servido nas Forças Armadas da Ucrânia.
De acordo com apurações da ARD e dos jornais Süddeutsche Zeitung e Die Zeit, os investigadores encontraram diversas pistas que levaram ao suspeito. Uma delas foi uma multa por excesso de velocidade. Em 8 de setembro de 2022, poucos dias antes das explosões, Volodimir Z. e outro suspeito teriam sido fotografados por um radar na ilha alemã de Rügen, dirigindo uma van Citroën com placas ucranianas.

Além disso, turistas entregaram à polícia fotos tiradas na mesma época mostrando o veículo no porto de Wiek, próximo ao local onde estava atracado o veleiro Andromeda, apontado como embarcação utilizada pelos autores do atentado.
Posteriormente, investigadores encontraram no barco vestígios dos explosivos militares hexógeno (RDX) e octógeno (HMX), substâncias compatíveis com as utilizadas nas bombas instaladas no fundo do mar.
Escutas telefônicas e mandado de prisão
Segundo as reportagens, Volodimir Z. também teria se comprometido em conversas telefônicas interceptadas pelas autoridades.
O número da placa do veículo permitiu inicialmente identificar um motorista de entregas sem envolvimento no caso. Em depoimento, ele forneceu informações sobre possíveis suspeitos e reconheceu Volodimir Z. em uma fotografia.
Essas evidências serviram de base para a emissão do mandado de prisão. De acordo com o documento, o suspeito teria participado, junto com outras pessoas, da instalação de pelo menos quatro cargas explosivas, cada uma contendo entre 20 e 35 quilos de explosivos. Seu papel específico teria sido o de mergulhador responsável pela colocação das bombas nos gasodutos.
Polônia rejeitou extradição
Em setembro de 2025, Volodimir Z. foi detido na Polônia, onde vive com a família. No entanto, um tribunal de Varsóvia barrou sua extradição para a Alemanha.
O juiz argumentou que a explosão dos gasodutos poderia ser interpretada como uma ação militar em contexto de guerra, o que impediria responsabilizar criminalmente um indivíduo específico. O magistrado também questionou se a Alemanha teria competência para julgar o caso, já que as explosões ocorreram em águas internacionais.
O suspeito negou qualquer envolvimento, afirmando a jornalistas poloneses que nunca cometeu crimes na Alemanha e que não participou da sabotagem dos gasodutos. Seu advogado chegou a declarar que ele nem sequer esteve no Mar Báltico ou prestou serviço militar.
A recusa da Polônia chegou a ser comentada pelo primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, que afirmou na época que não era interesse do país extraditar o suspeito.
Até a publicação desse texto, o advogado polonês de Volodimir Z. não havia comentado a nova detenção na Croácia.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se