Um mergulhador militar das Maldivas morreu neste sábado (16/05) enquanto buscava os corpos de quatro mergulhadores italianos que se acredita estarem no interior profundo de uma caverna subaquática. O corpo de um quinto mergulhador já havia sido encontrado.
Acredita-se que os cinco mergulhadores italianos tenham morrido enquanto exploravam, em grupo, uma caverna a cerca de 50 metros de profundidade no Atol de Vaavu, na quinta-feira, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Itália. O limite para mergulho recreativo nas Maldivas é de 30 metros.
O porta-voz da Presidência das Maldivas, Mohammed Hussain Shareef, informou que Mohamed Mahudhee, membro das Forças de Defesa Nacional das Maldivas, morreu de doença descompressiva após ser transferido para um hospital na capital.
Resgate arriscado
"Essa morte mostra a dificuldade da missão”, disse ele.
Anteriormente, Shareef havia declarado que os socorristas prepararam um plano com base no progresso da exploração da caverna na sexta-feira. Mahudhee fazia parte do grupo que apresentou o plano de resgate ao presidente das Maldivas, Mohamed Muizzu, quando ele visitou o local das buscas na sexta-feira.
O mau tempo tem prejudicado repetidamente os esforços de resgate.
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que tudo o que for possível será feito para trazer as vítimas de volta ao país. Seu ministério declarou que está coordenando com a Divers Alert Network, uma organização especializada em mergulho, para apoiar as operações de recuperação e o repatriamento dos corpos. A causa das mortes ainda está sob investigação.
As vítimas foram identificadas como Monica Montefalcone, professora associada de ecologia da Universidade de Gênova; sua filha, Giorgia Sommacal; o biólogo marinho Federico Gualtieri; a pesquisadora Muriel Oddenino; e o instrutor de mergulho Gianluca Benedetti, segundo o governo das Maldivas.
O corpo de Benedetti foi recuperado na quinta-feira.
Missão científica
Montefalcone e Oddenino estavam nas Maldivas em missão científica oficial para monitorar ambientes marinhos e estudar os efeitos das mudanças climáticas na biodiversidade tropical, afirmou a Universidade de Gênova em comunicado na sexta-feira. No entanto, o mergulho durante o qual ocorreu o acidente fatal não fazia parte da pesquisa planejada e foi realizado "de forma privada”.
O comunicado também destacou que as outras duas vítimas – a estudante Sommacal e o recém-formado Gualtieri – não estavam envolvidas na missão científica.
O mergulho em cavernas é uma atividade altamente técnica e perigosa que exige treinamento especializado, equipamentos adequados e protocolos rigorosos de segurança. Os riscos aumentam significativamente em ambientes onde os mergulhadores não podem subir diretamente à superfície e em grandes profundidades, especialmente em condições adversas. Segundo especialistas, é fácil se desorientar ou se perder dentro de cavernas, principalmente quando sedimentos reduzem drasticamente a visibilidade.
Profundidade máxima
Mergulhar a 50 metros também ultrapassa a profundidade máxima recomendada para mergulho recreativo pela maioria das principais agências certificadoras, sendo que profundidades acima de 40 metros são consideradas mergulho técnico, exigindo treinamento e equipamentos específicos.
Shareef afirmou que o corpo de Benedetti foi encontrado próximo à entrada da caverna e que as autoridades acreditam que os outros quatro entraram mais profundamente na caverna.
Dois italianos, um especialista em resgate em mar aberto e um especialista em mergulho em cavernas, devem se juntar aos esforços de recuperação, disse Shareef.
Caverna tem três grandes câmaras
Autoridades italianas informaram que cerca de 20 outros italianos que estavam na mesma expedição a bordo do navio "Duke of York” estão em segurança. A embaixada italiana em Colombo está prestando assistência aos que estão a bordo e entrou em contato com a Cruz Vermelha, que se ofereceu para enviar voluntários para ajudar com apoio psicológico.
O Ministério do Turismo das Maldivas informou que suspendeu a licença de operação do "Duke of York” enquanto a investigação está em andamento.
O Ministério das Relações Exteriores da Itália declarou que a caverna é dividida em três grandes câmaras conectadas por passagens estreitas. As equipes de resgate exploraram duas das três câmaras na sexta-feira, mas a busca foi limitada devido a questões relacionadas ao oxigênio e à descompressão.
A previsão é que a exploração da terceira câmara fosse realizada neste sábado, segundo o ministério.
Autoridades italianas e o cônsul honorário estão em contato com as famílias das vítimas para prestar assistência.

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