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Israel rompe relações com chefe da diplomacia da UE

Kaja Kallas teria comparado o tratamento dado por Israel aos palestinos ao Apartheid, regime de segregação racial na África do Sul. Ministro israelense exige retratação.

Cidade a Cidade
Por Cidade a Cidade
Israel rompe relações com chefe da diplomacia da UE
Kallas lembrou que a UE condenou os assentamentos israelenses na Cisjordânia, que impossibilitam a solução de dois Estados/Foto: Kay Nietfeld/dpa/picture alliance
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O ministro do Exterior de Israel, Gideon Saar, entrou em conflito nesta quinta-feira (18/06) com a chefe de política externa e segurança da UE, Kaja Kallas, em uma troca de mensagens nas redes sociais. A discussão começou quando Saar anunciou em postagem no X que estava rompendo relações com Kallas, após acusá-la de comparar o tratamento dado por Israel aos palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ao Apartheid – o sistema de segregação racial que perdurou na África do Sul entre 1948 a 1994.

"Recentemente, foi noticiado que, durante sua visita ao México, ela comparou Israel ao regime racista do Apartheid que existiu na África do Sul", escreveu Saar, em um comunicado.

"Não tenho outra escolha senão romper todos os laços com Kallas até que ela se retrate da vil calúnia que proferiu contra o único Estado judeu do mundo, que é também a única democracia no Oriente Médio", afirmou o ministro.

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O israelense se baseou em uma reportagem do Euractiv – um portal de notícias especializado em temas da UE –, segundo a qual a diplomata europeia fez essa comparação em uma série de reuniões a portas fechadas durante uma visita ao México, em maio.

A Euractiv, citando alguns funcionários que estavam presentes nas reuniões em que Kallas teria feito a comparação, disse que Kallas se disse comovida após ter visitado o museu sobre o Apartheid em Joanesburgo.

Kallas apela para o diálogo

Após a declaração de Saar, Kallas, também em postagem no X, apelou para o diálogo e disse que "a UE está sempre empenhada numa relação construtiva com Israel". "Valorizo nosso diálogo e engajamento, e estou aberta a continuar nesse espírito, respeitosamente e de forma construtiva."

"Para trazer a paz ao Oriente Médio, a solução de dois Estados continua sendo o único caminho viável. A UE condenou os assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia, que tornam cada vez mais difícil alcançar esse objetivo. Essa é a posição da UE", escreveu.

Ministro do Exterior de Israel, Gideon Saar, em coletiva de imprensaMinistro do Exterior de Israel, Gideon Saar, em coletiva de imprensa
"Não tenho outra escolha senão romper todos os laços com Kallas" disse ministro do Exterior de Israel, Gideon SaarFoto: Sebastian Christoph Gollnow/dpa/picture alliance

Menos de uma hora depois, Saar retrucou que não mudaria sua posição e destacou que Kallas, em sua publicação, "se abstém de negar ou condenar o que lhe é atribuído e que foi divulgado publicamente". "Isso fala por si só", acrescentou.

"As declarações que lhe são atribuídas sobre o Apartheid não refletem a posição da União Europeia, escreveu o ministro. "A questão é simples: se você realmente fez essas declarações vis e difamatórias, então as assuma. Se você não as fez, negue. Até que essa questão seja esclarecida, minha decisão permanecerá inalterada."

Obstáculo à solução de dois estados

A comparação com o Apartheid já foi feita pela ONU, pela própria África do Sul e pelas entidades de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional e Human Rights Watch, em relatórios sobre o tratamento dado por Israel à população palestina — embora seja rejeitada, por exemplo, pelo governo da Alemanha.

A Anistia Internacional acusou recentemente o governo de Israel de ter declarado a anexação formal da Cisjordânia ocupada como um objetivo político, mencionando um sistema israelense de Apartheid.

A ONU considera os assentamentos um obstáculo à solução de dois Estados, na qual Israel e um Estado palestino independente coexistiriam pacificamente. O governo de Israel rejeita essa visão, por considerá-la uma ameaça à existência do país.

O sistema segregacionista vigente por quase 50 anos na África do Sul garantiu a supremacia da minoria branca. De acordo com o direito internacional, o Apartheid é considerado um crime contra a humanidade, por se tratar da opressão e dominação sistemáticas de um grupo étnico sobre outro.

O termo, que também é usado fora do contexto sul-africano, continua sendo objeto de controvérsia política e jurídica.

Israel assumiu o controle da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, entre outros territórios, em 1967, onde mais de 700 mil colonos vivem atualmente em meio a cerca de 3 milhões de palestinos.

Os palestinos reivindicam esses territórios para seu próprio Estado, com Jerusalém Oriental como capital.

FONTE/CRÉDITOS: DW Brasil

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