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Ministra renuncia após dizer que "não há mendigos" em Cuba

Titular da pasta do Trabalho gerou revolta ao afirmar que só há pessoas "disfarçadas de mendigos" em Cuba, apesar do aumento da pobreza extrema na ilha, palco da pior crise econômica em três décadas

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Por Cidade a Cidade
Ministra renuncia após dizer que
Alexandre Meneghini/REUTERS
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A ministra do Trabalho de Cuba, que se tornou alvo de críticas após afirmar que não há mendigos ou moradores rua em Cuba, apenas pessoas "disfarçadas de mendigos", renunciou nesta terça-feira (15/07) em meio a uma onda de pedidos por sua demissão,

O gabinete do Presidência de Cuba afirmou em uma publicação na rede social X que a Ministra do Trabalho e Previdência Social, Marta Elena Feitó Cabrera, "reconheceu seus erros e apresentou sua renúncia".

Feitó fez os comentários na última segunda-feira perante deputados de uma comissão da Assembleia Nacional. Sua fala viralizou e gerou uma enxurrada de críticas em um país que atravessa uma grave crise econômica.

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"Vimos pessoas, aparentemente mendigos, [mas] quando você olha para as mãos delas, olha para as roupas que essas pessoas estão vestindo, elas estão disfarçadas de mendigos, elas não são mendigos", disse Feitó na Assembleia Nacional. "Em Cuba não há mendigos."

Ela acrescentou que as pessoas que pedem esmolas ao limpar para-brisas de carros nas ruas usam o dinheiro para "beber álcool". Feitó também criticou os que vasculham os lixões, dizendo que estão recuperando materiais "para revender e não pagar impostos".

Críticas generalizadas

Usuários de redes sociais reagiram com indignação, postando fotos de pessoas comendo em latas de lixo. O economista Pedro Monreal ironizou a ministra em um comentário no X, dizendo que há "pessoas disfarçadas de 'ministros'" em Cuba.

Feitó também recebeu críticas públicas do líder do regime cubano, Miguel Díaz-Canel. Sem mencioná-la nominalmente, ele escreveu em seu perfil no X que "a falta de sensibilidade em lidar com a vulnerabilidade é altamente questionável. A revolução não pode deixar ninguém para trás; esse é o nosso lema, nossa responsabilidade militante."

Mulher paga com notas de pesos cubanos em banca de alimentos
População cubana enfrenta uma inflação galopante, salários baixos e escassez de alimentos, levando alguns a recorrer à mendicânciaFoto: Ramon Espinosa/AP/picture alliance

Mais tarde, em uma sessão parlamentar, ele afirmou que "nenhum de nós pode agir com arrogância, agir com fingimento, desconectado das realidades em que vivemos". Os indigentes, acrescentou Diaz-Canel, são "expressões concretas das desigualdades sociais e dos problemas" que Cuba enfrenta.

Pior crise em três décadas

pior crise econômica em três décadas no país aumentou a vulnerabilidade social e agravou a escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis, além de apagões diários no fornecimento de energia.

Analistas atribuem esse quadro a uma combinação de fatores como as sanções americanas e má gestão interna da economia pelo regime.

Cenas de pobreza extrema se tornaram comuns, especialmente em Havana, onde a população enfrenta uma inflação galopante, salários baixos e escassez de alimentos, levando alguns a recorrer à mendicância ou a procurar comida no lixo.

Até alguns anos, apesar da pobreza, não havia sinais de mendicância ou falta de moradia na ilha, graças aos benefícios do Estado que agora foram bastante reduzidos. No ano passado, o governo afirmou que havia 189.000 famílias e 350.000 indivíduos, de uma população de 9,7 milhões, vivendo em condições "vulneráveis" e se beneficiando de programas de assistência social. A situação também tem alimentado um êxodo migratório de habitantes da ilha, que passa por uma redução dramática da sua população.

Nesta segunda-feira, as autoridades cubanas informaram que o Produto Interno Bruto do país caiu 1,1% em 2024, em comparação com 1,9% no ano anterior, acumulando uma queda de 11% nos últimos cinco anos. O salário médio mensal é inferior a 20 dólares (R$ 111) na taxa de câmbio não oficial.

FONTE/CRÉDITOS: DW Brasil
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