O mundo registrou o segundo maio mais quente da história, informou nesta quarta-feira (10/06) o serviço climático da União Europeia, o Copernicus. O continente enfrentou no mês uma onda de calor precoce, à medida que extremos climáticos se tornam o "novo normal".
O mês de maio mais quente já registrado foi em 2024, segundo registros que remontam a 1940.
Neste ano, recordes foram registrados no Reino Unido, França, Irlanda e Portugal. Uma massa de ar quente vinda do norte da África elevou as temperaturas muito acima da média em toda a Europa Ocidental.
O mês foi marcado por uma rápida transição: de condições muito mais frias que a média para uma das ondas de calor mais intensas já observadas na Europa Ocidental, observou o Copernicus em seu boletim de maio. O documento destaca que ondas de calor costumavam acontecer mais pra frente no calendário.
Isso demonstra "como extremos climáticos estão rapidamente se tornando o novo normal, em vez da exceção", disse Samantha Burgess, responsável estratégica para o clima no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), que opera o Copernicus.
As temperaturas de sensação térmica chegaram a entre 35°C e 40°C em grandes áreas da Europa, segundo o órgão.
"A transição rápida provavelmente aumentou os impactos sobre as populações, deixando pouco tempo para que pessoas — ou lavouras e ecossistemas durante a estação de crescimento — se adaptassem a temperaturas muito mais altas", afirmou o relatório.
El Nino agrava cenário
A temperatura média global de maio ficou 1,42 °C acima da média do período pré-industrial, no século 19. O valor é muito próximo do limite de aquecimento fixado pelo Acordo de Paris, de 1,5 °C – acima desse patamar, os impactos das mudanças climáticas se tornarão muito mais graves, frequentes e irreversíveis, segundo cientistas.
O Copernicus afirma que o calor extremo na Europa, com ondas sem precedentes em temperatura e antecipação, está em linha com as expectativas dos cientistas sobre o continente que mais aquece no mundo.
A temperatura média da superfície dos oceanos também foi a segunda mais alta já registrada, um anúncio do que esperar do El Niño. O fenômeno climático deve se formar nos próximos meses e intensificar eventos climáticos extremos em todo o mundo. No mês passado, por exemplo, houve inundações fatais na China e na Turquia.
O El Niño ocorre naturalmente a cada dois a sete anos, quando o enfraquecimento dos ventos alísios resulta em águas mais quentes no Pacífico oriental. Isso geralmente eleva as temperaturas globais e altera os padrões de chuva, causando seca em algumas regiões e chuvas intensas em outras.
Previsões da Organização Meteorológica Mundial indicam que o próximo El Niño deve se desenvolver entre junho e agosto, e pode estar entre os mais fortes já registrados, o que poderia elevar as temperaturas globais a níveis recordes em 2027.
O último El Niño contribuiu para que 2023 fosse o segundo ano mais quente já registrado e 2024, o mais quente da história.

Comentários: