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Quinta-feira, 05 de Novembro 2026
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RDC tem mais de mil novos casos de ebola em 10 dias

Dos 3.200 pacientes que contraíram a doença no país africano desde o início do surto, em abril, quase metade morreu. Trata-se da terceira pior epidemia de ebola já registrada na história

Cidade a Cidade
Por Cidade a Cidade
RDC tem mais de mil novos casos de ebola em 10 dias
Enterro de supostas vítimas do ebola no cemitério de Nyamurongo, na República Democrática do Congo (Arquivo: 18/06/2026)/Foto: Gradel Muyisa Mumbere/REUTERS
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O governo da República Democrática do Congo (RDC) elevou nesta segunda-feira (27/07) para 1.405 o número de mortos e para 3.200 o total de casos confirmados de ebola desde o início do surto da doença no fim de abril. Com isso, a taxa de letalidade está em 43,9%, segundo o último boletim do Ministério da Comunicação e Mídia da RDC, com dados compilados até 25 de julho.

Além disso, 773 pacientes estão em "isolamento ou hospitalização" e 571 pessoas conseguiram se recuperar da doença, enquanto a taxa de rastreamento de contatos está em 77,8%.

Especialistas, no entanto, partem do princípio de que há um elevado número de infecções não contabilizadas, que até agora não foram detectadas ou notificadas.

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No domingo, as autoridades congolesas já haviam confirmado 3.075 casos, entre eles 1.354 mortes. Em apenas dez dias, o número de infecções aumentou em mais de mil, o que sugere um ritmo acelerado de contágio.

Epidemia concentrada no leste da RDC

O atual surto se concentra sobretudo no leste do país, uma região assolada por mais de 30 anos de conflitos armados. Até o momento, as cinco províncias afetadas são Ituri (responsável por quase 90% dos casos, segundo a OMS), Kivu do Norte, Kivu do Sul e Haut-Uele, além de Tshopo (centro-norte).

A epidemia também acabou se propagando para Uganda, que faz fronteira com a província de Ituri, epicentro do surto. Em 16 de julho, contudo, após registrar um total de 20 infecções confirmadas, a Uganda deu alta ao último paciente que permanecia internado no país. Com isso, tem início a contagem regressiva de 42 dias sem novos contágios, período necessário para declarar o fim do surto.

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Uma doença sem tratamento nem vacina

Causada pelo vírus Bundibugyo, contra o qual não existe vacina nem tratamento específico, a doença é transmitida por contato com fluidos corporais e provoca febre hemorrágica.

Cientistas trabalham atualmente em várias vacinas e medicamentos contra a variante do vírus. Na sexta-feira, um primeiro voluntário de 37 anos recebeu uma vacina experimental direcionada especificamente à variante Bundibugyo, informou a Universidade de Oxford.

O imunizante ChAdOx1 BDBV utiliza a mesma tecnologia da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca. O estudo recebeu financiamento da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), enquanto o Instituto Serum da Índia já produziu um estoque de 620 mil doses.

Outras vacinas contra a variante Bundibugyo também estão sendo desenvolvidas em ritmo acelerado para avançar à fase de testes clínicos, além de duas possíveis terapias.

Um desafio para as autoridades

Oficialmente declarada em 15 de maio, esta é a terceira pior epidemia de ebola já registrada na história e a 17ª a atingir a RDC.

"As capacidades de vigilância e atendimento seguem plenamente mobilizadas nas áreas afetadas", afirmou o ministério.

Por sua vez, o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) destacou em suas redes sociais a importância de realizar enterros "seguros e dignos" para interromper a transmissão da doença.

Em 2020, a epidemia mais letal da RDC provocou cerca de 2.300 mortes entre os 3.500 casos registrados entre 2018 e 2020. Na África como um todo, o ebola já matou mais de 15 mil pessoas nos últimos 50 anos.

FONTE/CRÉDITOS: Redação DW

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