Equipes de resgate trabalham contra o tempo nesta quinta-feira (30/07) para localizar sobreviventes dois dias após um terremoto de magnitude 7,1 atingir o sul do Japão. O tremor matou ao menos 30 pessoas, deixou milhares de imóveis sem energia e provocou danos em estradas, pontes e edifícios da região.
Cerca de 5.000 integrantes militares mobilizados na região enfrentaram temperaturas de até 35°C na quinta-feira, informaram autoridades, acrescentando que uma réplica de magnitude 5,8 ocorrida durante a noite prejudicou ainda mais os esforços de resgate.
O foco das buscas está em um shopping center parcialmente destruído perto da cidade de Kumamoto. O prédio sofreu uma explosão cerca de uma hora após o terremoto. Cerca de 3.000 clientes foram evacuados para um estacionamento antes das explosão. Seis das 12 pessoas retiradas dos escombros morreram.
Todas as pessoas afetadas pela explosão eram funcionários de lojas que haviam retornado ao prédio após a evacuação, informou a administração do shopping.
"Mesmo agora, há pessoas aguardando resgate, e esta é uma corrida contra o tempo", declarou a primeira-ministra Sanae Takaichi a jornalistas em Tóquio na quarta-feira. "Mobilizaremos todos os recursos disponíveis para salvar o maior número possível de pessoas."
As causas da explosão no shopping ainda estão sob investigação. Equipes de resgate relataram cheiro de gás no interior do edifício, informou o porta-voz do governo Minoru Kihara.
"Eu achei que uma bomba tivesse explodido", disse à agência Jiji Press Takateru Sonoda, de 41 anos, proprietário de um salão de beleza e café próximo ao local. "Havia pessoas pedindo para todos evacuarem, as sirenes não paravam e as ruas estavam congestionadas. Foi um estado de pânico."
Bombeiros, policiais e cerca de 170 militares concentravam as operações em áreas do prédio de onde partiram pedidos de socorro.
Danos em prédios e infraestrutura
Em toda a província, que já havia sido atingida por um terremoto devastador há dez anos, cerca de 260 mil pessoas receberam orientação para procurar centros de evacuação. A polícia informou ter recebido 386 chamadas de emergência após o tremor, incluindo relatos de desabamentos e pedidos de resgate.
Cerca de 23 mil residências ficaram sem eletricidade e 75 mil, sem água encanada, informaram as autoridades de Kumamoto.
O epicentro foi localizado cerca de 20 quilômetros ao sul da cidade de Kumamoto, com população de aproximadamente 700 mil habitantes. Mais de 100 réplicas foram registradas após o terremoto principal.
Na cidade vizinha de Yatsushiro, uma das mais afetadas, muitas residências tiveram telhados danificados e alguns edifícios desabaram. Estradas de acesso à região apresentavam rachaduras e deformações, enquanto diversos estabelecimentos permaneciam fechados.
Parte de uma ponte desabou sobre o rio Kumagawa, atraindo moradores ao local.
As autoridades alertaram a população para a possibilidade de novos tremores fortes ao longo da próxima semana e para o risco de deslizamentos de terra. Em algumas áreas, a intensidade sísmica atingiu o nível máximo 7 na escala japonesa.
Com mais de 36 mil residências ainda sem energia elétrica e temperaturas próximas de 34°C nesta quarta-feira, os órgãos de defesa civil também alertaram para o risco de insolação e exaustão pelo calor.

Hospitais sob pressão
Um hospital na cidade de Uki, próxima ao epicentro, informou na quarta-feira que ficou inoperante devido à interrupção no fornecimento de energia.
"Tornou-se praticamente um hospital de campanha", afirmou o responsável pelo departamento administrativo à emissora NHK.
Outra unidade de saúde da cidade suspendeu novas internações após receber 86 feridos, incluindo três em estado grave.
Operadoras ferroviárias relataram que passageiros de trens de alta velocidade ficaram feridos durante o terremoto. Os serviços foram interrompidos imediatamente após o abalo.
A atenção pública voltou-se principalmente para o colapso parcial do shopping da Aeon, o maior da província. Imagens mostraram uma das laterais do edifício completamente arrancada, com vigas metálicas expostas e destroços espalhados pelo estacionamento.
Empresas com fábricas na região, como Renesas Electronics, Sony, Tokyo Electron e Honda, suspenderam operações. A Toyota informou que também interromperá temporariamente a produção em três unidades fora da província de Kumamoto até sexta-feira, devido à situação enfrentada por fornecedores.
A TSMC, maior fabricante terceirizada de semicondutores do mundo, evacuou funcionários de sua fábrica local por precaução, mas afirmou ter iniciado a retomada gradual das atividades ainda na noite de terça-feira.
Situado no chamado Anel de Fogo do Pacífico, o Japão concentra cerca de 20% dos terremotos de magnitude 6 ou superior registrados no planeta.
Há dez anos, um forte terremoto em Kumamoto matou 275 pessoas, feriu outras 2.739 e causou danos extensos a milhares de construções, incluindo o castelo da cidade, um dos principais pontos turísticos da região.
O castelo está entre os edifícios históricos afetados pelos tremores desta semana. Santuários com pesados telhados de cerâmica sofreram desabamentos parciais, assim como uma casa de chá do século 12.

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