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Sexta-feira, 24 de Abril de 2026
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Países pedem retirada da COP30 de Belém por preços de hotéis

Nações acusam "valores exorbitantes" de acomodações. Governos cogitam reduzir delegações ou não comparecer. "Há uma sensação, literalmente, de revolta", diz o presidente do evento, André Corrêa do Lago

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Países pedem retirada da COP30 de Belém por preços de hotéis
Agência Pará
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O Brasil está sendo pressionado a realizar a COP30, conferência climática da ONU, fora de Belém. Parte dos 198 países esperados para participar da conferência sobre o clima em novembro expressa insatisfação com o que classificam como "preços exorbitantes" cobrados pelas acomodações na capital paraense. 

Diversas delegações poderão ser reduzidas ou forçadas a não comparecer diante das diárias cobradas por hotéis, afirmam governos, a pouco mais de cem dias do megaevento, marcado para 10 a 21 de novembro.

"Há uma sensação, literalmente, de revolta dos países por essa insensibilidade, sobretudo por parte dos países em desenvolvimento", disse o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, nesta quinta-feira (31/07). "Ficou público que os países estão pedindo para o Brasil tirar a COP de Belém."

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Dois dias antes, uma reunião de emergência do órgão climático das Nações Unidas convocada pelo Grupo de Negociadores Africanos havia endereçado o impasse, reportou a agência Reuters.

Já o jornal Folha de São Paulo teve acesso a uma carta assinada por 25 países negociadores, incluindo o Grupo de Negociadores Africanos e os Países Menos Desenvolvidos (LDC, em inglês). Entre os signatários, do texto estão também nações desenvolvidas, como Áustria, Bélgica, Canadá, República Tcheca, Finlândia, Holanda, Noruega, Suécia e Suíça.

O texto pede condições mínimas de acomodação e custo, "seja em Belém ou em outro lugar".

"Uma COP melhor"

Nesta semana, o governo brasileiro prometeu endereçar as preocupações dos países e oferecer uma resposta até 11 de agosto, de acordo com o chefe do Grupo de Negociadores Africanos, Richard Muyungi.

"O Brasil tem muitas opções para ter uma COP melhor, uma boa COP. É por isso que estamos pressionando para que o Brasil dê respostas melhores, em vez de nos dizer para limitar nossa delegação", disse ele. 

 André Corrêa do Lago
Presidente da COP30, André Corrêa do Lago: "Sentimento de revolta, sobretudo dos países em desenvolvimento"Foto: Filipe Bispo/Fotoarena/IMAGO

A ameaça de um pedido formal pela retirada do megaevento de Belém já havia sido ventilada durante a reunião preparatória para a COP30, que aconteceu em Bonn, na Alemanha, em junho deste ano, conforme reportou o veículo Sumaúma.

Segundo Correia do Lago, o governo brasileiro está tentando convencer os hotéis a baixar os preços, mas a legislação não permite a imposição de limites. " Os esforços continuam, mas eu acredito, talvez, que os hotéis não estejam se dando conta da crise que estão provocando," disse o presidente da COP30.

Delegações reduzidas

À imprensa, o Brasil vem negando que considere a alteração da sede da conferência, que espera 50 mil visitantes para os dez dias de megaevento.

Autoridades de seis governos, incluindo nações europeias mais ricas, relataram à Reuters que ainda não garantiram acomodações, devido aos preços elevados em Belém. Cotações mostradas pelos países à agência giravam em torno de 700 dólares por noite (cerca de R$ 4 mil).

O vice-ministro do Clima da Polônia, Krzysztof Bolesta, afirmou no início deste mês: "Não temos acomodações. Provavelmente teremos que reduzir a delegação ao mínimo. Em um caso extremo, talvez tenhamos que desistir de comparecer."

Já a Holanda disse que poderá reduzir a delegação, enviando menos do que os seus habituais 90 membros. A oferta e os preços das acomodações já foram um problema em outras conferências do clima. 

"Na maioria das cidades onde as COPS aconteceram, os hotéis passaram a pedir o dobro ou triplo do valor. No caso de Belém, os hotéis estão pedindo mais de 10 vezes os valores normais", disse, ainda, o embaixador Correia do Lago.

Busca por soluções

A bolha hoteleira em Belém é provocada, em parte, pela limitação na quantidade de acomodações, apesar dos esforços para gerar mais leitos para a COP30, e pelas condições precárias em várias partes da cidade. Segundo dados oficiais, em 2022 havia apenas 12,2 mil unidades habitacionais de hospedagem, dos quais 91% eram hotéis. O Brasil diz que haverá acomodação para todos os países. 

No Booking.com, que fechou parceria com o governo do Pará, seis hotéis atualmente disponibilizados para as datas da conferência têm valores entre R$ 30 mil e R$ 297 mil para uma pessoa ao longo das onze noites do evento. A plataforma afirma que não interfere nos preços das reservas.

Em julho, o governo brasileiro anunciou a contratação de dois navios de cruzeiro, que disponibilizarão 3,9 mil cabines, com capacidade de até 6 mil leitos, como hospedagem temporária. Outra aposta da organização foi o aluguel por temporada, o que fez explodirem neste ano os preços em plataformas do nicho, como o Airbnb, para até milhões de reais no período da COP30. 

Além disso, uma plataforma foi contratada para gerir as acomodações, uma solução já adotada em outras COPs.

Segundo a organização da COP30, a prioridade das reservas é para um grupo de 73 países composto, em sua maioria, pelos Países Menos Desenvolvidos e Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS, na sigla em inglês), com diárias de até 220 dólares. Em seguida, os demais países poderiam adquirir acomodações por até 600 dólares, disse a organização.

FONTE/CRÉDITOS: DW Btasil
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