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Quinta-feira, 16 de Abril de 2026
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Plantas nucleares do Irã podem ter resistido a bombardeio

Relatório de inteligência americana sugere que danos podem ter sido superficiais e que estoque de urânio enriquecido não foi destruído. Casa Branca nega e afirma que vazamento visa prejudicar Trump

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Plantas nucleares do Irã podem ter resistido a bombardeio
Maxar Technologies/AP Photo/picture alliance
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O bombardeio de três instalações nucleares do Irã pelos Estados Unidos não destruiu os componentes centrais do programa nuclear de Teerã e provavelmente apenas o atrasou por alguns meses, informou a imprensa americana nesta terça-feira (24/06), citando uma avaliação inicial da inteligência dos EUA.

Duas dessas fontes teriam dito à emissora CNN que o estoque de urânio enriquecido do Irã não foi destruído. Uma delas teria afirmado ainda que as centrífugas ainda estão praticamente "intactas", e que os danos se limitaram a estruturas acima da superfície.

As centrífugas poderiam ser reativadas em questão de meses, segundo o jornal The Guardian, e boa parte dos estoques de urânio teria sido remanejada antes dos bombardeios.

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A notícia contradiz as declarações do presidente Donald Trump, segundo quem o bombardeio teria "obliterado" as instalações de enriquecimento de urânio do Irã.

A Casa Branca confirmou que a avaliação existe, mas que não condiz com a realidade e que foi vazada para prejudicar Trump. "Todo mundo sabe o que acontece quando você despeja 14 bombas de 13,6 toneladas perfeitamente sobre os alvos: obliteração total", reagiu a secretária de imprensa Karoline Leavitt.

Leavitt referia-se às bombas GBU-57, também conhecidas como "destruidoras de bunkers", já que são capazes de penetrar até 60 metros abaixo do solo antes de explodir. O armamento foi usado contra Natanz e o complexo subterrâneo de Fordo, considerado impenetrável pelos explosivos de Israel, e que teria sido construído a cerca de 100 metros de profundidade.

Isfahan, porém, teria sido bombardeada apenas com mísseis Tomahawk, segundo a CNN, e teria instalações ainda mais profundas que Fordo.

O parecer que contradiz Trump foi produzido pela Agência de Inteligência de Defesa, braço de inteligência do Pentágono, e não tem caráter definitivo, já que diversas agências do governo americano continuam colhendo informações sobre os efeitos dos bombardeios.

Em linha com a Casa Branca, o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, disse à CNN que o bombardeio americano "obliterou a capacidade do Irã de criar armas nucleares" e que as bombas atingiram o alvo certo e funcionaram "perfeitamente". "O impacto dessas bombas está enterrado sob uma montanha de destroços no Irã, então qualquer um que diga que as bombas não foram devastadoras só está tentando minar o presidente e a missão bem-sucedida."

Vista de prédios em Teerã e, atrás deles, nuvens de fumaça e poeira depois de uma explosão
Registro de bombardeio israelense a Teerã; regime afirma ter salvo parte de seus estoques de urânioFoto: UGC/AFP

Dúvidas sobre sobrevivência do programa nuclear iraniano

Ainda de acordo com a CNN, alguns funcionários do governo americano acreditam que o Irã tenha outras instalações nucleares secretas que sequer foram bombardeadas e seguem operacionais.

Já a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão fiscalizador da ONU, diz não ter certeza de que o Irã não tenha conseguido salvar algo de seu estoque de urânio enriquecido, movendo-os de Fordo, Isfahan e Natanz antes dos bombardeios.

O próprio Irã afirma ter feito isso. Mas não se sabe quanto disso é verdade e quanto é retórica para mascarar a humilhação do regime dos aiatolás.

Segundo a AIEA, Teerã dispunha de 400 quilos de urânio enriquecido a 60%, muito próximo dos 90% necessários à fabricação de armas de destruição em massa.

"Gostaria que os estoques estivessem enterrados, mas nosso entendimento é que partes dele foram levados pelo Irã, e não sabemos onde estão", disse David Albright, ex-inspetor de armas nucleares da ONU, à CNN.

A dúvida foi reforçada após o vice-presidente americano, J.D. Vance, sugerir em entrevistas que a questão dos estoques não era tão relevante e que poderia ser negociada posteriormente com o Irã.

À emissora Fox News, Vance frisou na segunda-feira que o objetivo do bombardeio americano era minar a capacidade iraniana de enriquecer o urânio ao nível de armamento e transformá-lo numa arma nuclear.

O Irã, que é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, sempre insistiu que seu programa tem fins pacíficos. Mas a AIEA diz não ter tanta certeza disso, apontando que o país vinha descumprindo suas obrigações nos últimos anos.

Alas mais radicais do regime defendem a produção de armas nucleares justamente como mecanismo de proteção contra ataques como os que o país sofreu nas últimas duas semanas.

Soldados inspecionam local atingido por míssil iraniano em Beer Sheva, Israel
Soldados inspecionam local atingido por míssil iraniano em Beer Sheva, IsraelFoto: Bernat Armangue/AP Photo/picture alliance

Irã diz que vai dar continuidade a programa nuclear

Nesta terça-feira, o governo iraniano anunciou que "tomou as providências necessárias" para assegurar a continuidade de seu programa nuclear.

"Planos para reiniciar [as instalações] foram preparados com antecedência, e nossa estratégia é assegurar que a produção e serviços não sejam parados", disse o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Eslami.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta terça que "a ameaça de aniquilação nuclear" foi removida, junto com a ameaça representada por outros "20 mil mísseis balísticos", e frisou que o país está determinado a deter qualquer tentativa de Teerã de reativar seu programa nuclear.

Desde a manhã desta terça, está em vigor um cessar-fogo entre Irã e Israel. Após ambos os lados se acusarem de violar o acordo, Trump interveio.

"Tenho que fazer Israel se acalmar agora", disse a repórteres antes de partir para uma reunião de cúpula da Otan na Holanda. Os dois países estariam lutando "há tanto tempo e tão intensamente que não sabem mais o que raios estão fazendo".

Horas depois, ambos os países abriram seus espaços aéreos, num sinal de que a situação parece ter se estabilizado.

O saldo oficial de vítimas no conflito é de 28 mortos no lado israelense e 610 no lado iraniano.

FONTE/CRÉDITOS: DW Brasil
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