O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, afirmou nesta quinta-feira (30/07) que o objeto que caiu durante a madrugada no leste do país seria um míssil russo Kh-101. Autoridades encontraram uma cratera de cerca de 10 metros de largura e destroços espalhados em um campo agrícola.
O incidente é o mais recente de uma série de violações do espaço aéreo de países do flanco leste da Otan, incluindo a Romênia e os Estados Bálticos.
A Polônia mobilizou caças para proteger o espaço aéreo após ataques russos que mataram ao menos 13 pessoas na vizinha Ucrânia. Os bombardeios atingiram áreas tão distantes quanto a cidade de Lviv, no oeste ucraniano, próxima à fronteira polonesa.
"Todos os indícios apontam para um míssil russo Kh-101, mas queremos ter 100% de certeza sobre o tipo de míssil e quem o lançou", disse Tusk durante uma reunião de emergência.
Mais tarde, em entrevista coletiva no local do impacto, o premiê afirmou que análises preliminares dos fragmentos recuperados reforçam essa conclusão. "A análise da maior parte dos vestígios e dos fragmentos recuperados aponta para um míssil russo Kh-101", declarou.
"Não houve ameaça direta, porque o míssil caiu em uma área desabitada. Estávamos preparados para abatê-lo caso tivesse continuado sua trajetória", acrescentou.
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, também escreveu na rede X que um míssil de cruzeiro russo Kh-101 cruzou o espaço aéreo polonês durante os ataques lançados por Moscou contra a Ucrânia e violou o espaço aéreo da Otan.
Polônia reforça defesa e mantém apoio à Ucrânia
Tusk visitou o local da queda, próximo ao vilarejo de Tarnawa-Kolonia, entre 80 e 100 quilômetros da fronteira com a Ucrânia.
"Não há razão para pensar que a Polônia fosse o alvo", declarou. Segundo ele, pilotos ucranianos tentaram interceptar mísseis que se aproximavam da fronteira polonesa.
Tusk reafirmou o apoio de seu governo à Ucrânia e disse que a Polônia avaliará fornecer assistência adicional, incluindo mais sistemas de defesa antiaérea Patriot. As relações bilaterais entre os dois países vêm enfrentando tensões recentemente devido a disputas históricas.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também indicou que o espaço aéreo da Polônia foi violado durante a ofensiva russa com mísseis e drones.
A embaixada da Rússia em Varsóvia não respondeu sobre as acusações.
Otan acompanha investigação e ativa medidas de segurança
Um porta-voz da Otan informou que o comandante supremo aliado na Europa, general Alexus G. Grynkewich, conversou nesta quinta-feira com o chefe das Forças Armadas da Polônia, general Wieslaw Kukula, para discutir a resposta ao incidente.
Segundo o porta-voz, a Otan e a Polônia ativaram suas defesas aéreas e terrestres após a entrada do projétil. O caso permanece sob investigação.
Grynkewich destacou que a aliança continuará tomando "todas as medidas necessárias" para defender o território dos países-membros, segundo o comunicado.
De acordo com a polícia, moradores de Tarnawa-Kolonia relataram ter ouvido uma explosão por volta das 4h da manhã, que fez as janelas das casas tremerem.
O Ministério do Interior informou que o objeto deixou uma cratera de cerca de 10 metros de largura. Segundo autoridades locais, a área do impacto fica em terras agrícolas a cerca de 2 quilômetros das residências mais próximas.
O morador Roman Bartoszek, que vive a cerca de 4 quilômetros do local da queda, relatou ter ouvido aeronaves sobrevoando a região e disse que as janelas de sua casa chegaram a tremer.
Incidentes semelhantes aumentam tensão no leste europeu
Nos últimos dois anos, episódios semelhantes foram registrados em diversos países do leste europeu. Drones e outros artefatos aéreos cruzaram ou caíram nos territórios de Estônia, Lituânia, Moldávia e Romênia, alimentando preocupações sobre a segurança da região desde o início da invasão russa da Ucrânia.
Em setembro do ano passado, mais de dez drones russos entraram no espaço aéreo polonês durante ataques contra a Ucrânia. No mês anterior, outro objeto aéreo caiu e explodiu em uma área rural do país. Na ocasião, Tusk afirmou que o risco de um conflito militar aberto na Europa estava "mais próximo do que em qualquer momento desde a Segunda Guerra Mundial".

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