O Pentágono afirmou nesta segunda-feira (28/10) que forças norte-coreanas estão sendo deslocadas para a região russa de Kursk, na fronteira com a Ucrânia, e acrescentou que não imporá restrições ao uso de armas americanas contra elas.
Os Estados Unidos estimaram em cerca de 10 mil o número de soldados norte-coreanos enviados para treinamento militar na Rússia e afirmaram que uma parte desses soldados já se aproximou do campo de batalha.
No início do mês, o Serviço Nacional de Inteligência (NIS) da Coreia do Sul informara que a Coreia do Norte havia decidido enviar um total de 12 mil soldados para apoiar a Rússia na guerra.
Especialistas militares disseram que esses números são baixos diante da ampla mobilização de soldados de ambos os lados, mas podem fazer diferença para que a Rússia recupere posições na região russa de Kursk, atacada pela Ucrânia e onde os russos recapturam vários vilarejos nas últimas semanas.
A Ucrânia calculou em 50 mil o número de soldados russos na região de Kursk e não divulgou o seu contingente, mas especialistas dizem que ele chega a 30 mil.
A Coreia do Norte tem 1,2 milhão de soldados, um dos maiores exércitos permanentes do mundo, mas não luta em conflitos de grande escala desde a Guerra da Coreia, entre 1950-53. Muitos especialistas questionam o quanto as tropas norte-coreanas ajudariam a Rússia, citando a falta de experiência de batalha.

Nesta terça-feira, parlamentares sul-coreanos disseram, após uma reunião com representantes dos serviços secretos do país, que os militares russos estavam ensinando aos militares norte-coreanos cerca de cem termos militares, como "voltar à sua posição" e "disparar", mas os militares norte-coreanos estavam tendo dificuldades para entendê-los.
Coreia do Sul reage
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, disse nesta terça-feira ter conversado por telefone com o presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, e que ambos concordaram em fortalecer a cooperação de segurança. "A conclusão é clara: essa guerra está se internacionalizando, indo além de dois países", afirmou Zelenski.
Os relatos de que o Norte está enviando tropas para a Rússia provocaram nervosismo na Coreia do Sul. As autoridades sul-coreanas temem que a Rússia possa recompensar a Coreia do Norte fornecendo-lhe tecnologias armamentistas sofisticadas que poderiam impulsionar os programas nucleares e mísseis do Norte que têm como alvo a Coreia do Sul.
Diante disso, a Coreia do Sul afirmou nesta terça-feira que consideraria o fornecimento de armas à Ucrânia em resposta ao envio de tropas relatado pelo Norte. Até agora, a Coreia do Sul enviou apoio humanitário e financeiro à Ucrânia, mas evitou fornecer armas, de acordo com sua política de não fornecer armamento a países ativamente envolvidos em conflitos.
Escalada "significativa" no conflito
A Otan pediu que Rússia e Coreia do Norte interrompam imediatamente o envio de soldados. O secretário-geral Mark Rutte afirmou que esse passo marca "uma escalada significativa no envolvimento contínuo da Coreia do Norte na guerra ilegal da Rússia".
Rutte lembrou que o regime de Pyongyang já forneceu à Rússia "milhões de munições e mísseis balísticos que estão alimentando um grave conflito no coração da Europa e minando a paz e a segurança globais" e que, em troca, o presidente russo, Vladimir Putin, está fornecendo à Coreia do Norte tecnologia militar e "outros apoios para contornar sanções internacionais".


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