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Terça-feira, 11 de Agosto 2026
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Tremor gera crise hospitalar e toque de recolher na Colômbia

Com ao menos 240 mortos e mais de mil feridos, desastre leva unidades de saúde ao limite e faz autoridades restringirem a circulação para facilitar os resgates e evitar saques.

Cidade a Cidade
Por Cidade a Cidade
Tremor gera crise hospitalar e toque de recolher na Colômbia
Pacientes foram transferidos às pressas após danos estruturais em hospitais de Cali, onde unidades de saúde atingiram o limite da capacidade de atendimento/Socorristas e voluntários trabalham coFoto: Santiago Saldarriaga/AP Photo/dpa/picture alliance
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Socorristas e voluntários trabalham contra o tempo nesta terça-feira (11/08) para encontrar sobreviventes após o terremoto mais forte registrado na Colômbia na última década. Segundo o balanço mais recente, o desastre deixou ao menos 240 mortos, mais de mil feridos e dezenas de desaparecidos.

Em Cali, onde os hospitais atingiram a capacidade máxima, as autoridades decretaram toque de recolher e determinaram a militarização da cidade.

O presidente Abelardo de la Espriella, empossado há quatro dias, declarou estado de emergência em todo o país e prometeu coordenar uma ampla operação de resgate. Dezenas de unidades de saúde e instituições de ensino sofreram danos estruturais. Alguns aeroportos também registraram problemas e suspenderam operações comerciais.

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O terremoto, de magnitude 7,4, ocorreu às 7h34 no horário local (9h34 em Brasília), segundo os serviços geológicos da Colômbia e dos Estados Unidos. O epicentro foi registrado no município de San José del Palmar, no departamento de Chocó, a 103 quilômetros de profundidade.

Nas primeiras horas após o tremor, cidades do oeste do país viveram momentos de pânico. Milhares de pessoas deixaram suas casas e ocuparam as ruas enquanto edifícios desabavam ou apresentavam graves danos estruturais.

Hospitais entram em colapso em Cali

Em Cali, terceira maior cidade da Colômbia e uma das áreas mais atingidas, equipes de resgate removiam escombros com as próprias mãos em busca de sobreviventes.

Ao menos 95 pessoas morreram e 700 ficaram feridas na cidade, informou o prefeito local, Alejandro Eder, nesta terça-feira. Segundo ele, há sob os escombros "239 pessoas presas, 56 edifícios colapsados". 

Os hospitais locais atingiram 100% da capacidade de atendimento, situação agravada pela evacuação de quatro grandes unidades de saúde afetadas pelos tremores.

Uma ala do Hospital Universitario del Valle Evaristo García (HUV), um dos principais centros de alta complexidade da cidade, sofreu colapso parcial. Imagens do desabamento viralizaram nas redes sociais. Os danos obrigaram a transferência de pacientes e serviços para tendas instaladas no estacionamento e nas áreas verdes do complexo hospitalar.

Paciente em cadeira de roda sendo transferidaPaciente em cadeira de roda sendo transferida
Mais de 500 pessoas ficaram feridas no terremoto que devastou o oeste da Colômbia, segundo o balanço mais recente das autoridadesFoto: Santiago Saldarriaga/AP Photo/picture alliance

Também registraram danos estruturais a Clínica Nuestra Cali, a Clínica Dessa e a Clínica Colombia.

Diante da emergência, as autoridades suspenderam temporariamente cirurgias, consultas ambulatoriais e atendimentos não considerados urgentes, com o objetivo de liberar leitos e equipes para receber as vítimas do terremoto.

Em todo o Valle del Cauca, departamento onde fica Cali, 130 pessoas morreram no total. A governadora de Valle del Cauca indicou, pelo X, que municípios inteiros foram devastados pelo terremoto e que há "três hospitais colapsados, 18 com estragos, 39 centros educativos afetados" e cerca de 5 mil casas danificadas. 

Em Risaralda, situado na região cafeeira do centro do país, cerca de 90 pessoas morreram, informou o governo local. No departamento de Chocó, no oeste do país e epicentro do terremoto, o número de mortos foi a 14, com 138 feridos e cinco desaparecidos, além de danos na rede elétrica e nos serviço de telefonia, apontou a governadora Nubia Carolina Córdoba-Curi. 

Ja o governo estadual de Caldas, também na região cafeeira, contabilizava até a tarde de segunda-feira seis pessoas falecidas, 76 feridas e mais de 1,3 mil casas afetadas. 

No único balanço da tragédia feito pelo governo nacional, ao meio-dia de segunda-feira, foram informadas 111 pessoas mortas, e a Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD), que habitualmente administra as emergências, disse ontem que "por instrução" do novo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, "toda a informação oficial sobre a situação será emitida exclusivamente pela Presidência da República". 

A Associação Colombiana de Cidades Capitais (Asocapitales) tinha confirmado nesta manhã pelo menos 169 mortos pelo terremoto, mas seu balanço leva em conta apenas os dados das capitais de cada departamento, sem contar os de municípios e zonas rurais. 

Por sua vez, o Instituto de Medicina Legal (IML) da Colômbia apontou que até o momento "recebeu 160 corpos provenientes dos departamentos de Chocó, Caldas, Risaralda e Valle del Cauca, relacionados com o terremoto ocorrido em 10 de agosto". 

Toque de recolher e militarização da cidade

"Chegar até aqui foi impressionante. Parecia o fim do mundo. Carros e motos circulavam na contramão à procura de familiares", afirmou à agência de notícias AFP o socorrista Nelson Moreno, que participou das buscas por uma amiga soterrada após o desabamento de duas torres residenciais de cinco andares. Segundo ele, o pai da mulher e seu bebê ficaram feridos, mas conseguiram escapar com vida.

"Agora precisamos de lanternas e óculos de proteção", acrescentou, cercado por centenas de voluntários e cães de resgate.

Os socorristas formam correntes humanas para retirar os destroços com picaretas e ferramentas básicas. Em vários momentos, interrompem o trabalho e pedem silêncio para tentar ouvir sinais de vida sob os escombros.

Diante do cenário de caos, a prefeitura de Cali decretou toque de recolher entre 20h de segunda-feira e 6h desta terça, além da militarização da cidade. O prefeito Alejandro Eder afirmou que a medida busca garantir a circulação e a segurança das equipes de emergência e permitir que os organismos de socorro concentrem esforços nas operações de busca e resgate.

"Há ameaças de saques. Por isso determinei o toque de recolher e a militarização de Cali", disse Eder, ao pedir que a população informe qualquer tentativa de saque ou situação de insegurança. A administração municipal também decretou estado de calamidade pública para concentrar recursos e esforços institucionais no atendimento à emergência e na assistência às áreas mais afetadas.

A prefeitura de Pereira também impôs toque de recolher. A restrição entrou em vigor às 18h de segunda-feira e seguiu até as 5h desta terça. "Decretamos toque de recolher para proteger o comércio da cidade", afirmou o prefeito Mauricio Salazar.

Com 90 mortes confirmadas até o momento, o departamento de Risaralda é o mais afetado pelo terremoto. Os hospitais da região também relatam superlotação. 

População procura desaparecidos no escuroPopulação procura desaparecidos no escuro
Diante das ameaças de saques e do cenário de destruição, Cali decretou toque de recolher e reforçou a presença militar nas ruasFoto: Christian Escobarmora/REUTERS

Comunidade internacional oferece ajuda à Colômbia

O tremor foi sentido em países vizinhos, incluindo regiões da Venezuela, a capital equatoriana Quito e diversas províncias do Panamá.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informou que a União Europeia disponibilizou o sistema de observação por satélite Copernicus para auxiliar nas operações de resgate.

Os Estados Unidos ofereceram ajuda de 15,5 milhões de dólares (R$ 79 milhões) para apoiar a resposta à emergência.

Israel, México, Chile, Argentina e El Salvador também anunciaram apoio ao país. Em nota, o Itamaraty afirmou acompanhar os esforços de busca e assistência e declarou estar pronto para colaborar com as autoridades colombianas.

FONTE/CRÉDITOS: Redação DW

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