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A expectativa de crescimento da economia da Alemanha para o ano de 2026 melhorou significativamente, segundo previsão divulgada nesta quinta-feira (24/09) pelos principais institutos que acompanham o tema no país.
Agora, espera-se que o Produto Interno Bruto (PIB) — ou seja, a soma de todos os bens e serviços finais produzidos pelo país — aumente 1,3% em relação a 2025.
Isso é mais do que o dobro do crescimento de 0,6% projetado ainda no início do ano, após os piores temores em relação a um choque nos preços de energia em decorrência da guerra no Irã não se confirmarem.
O relatório, encomendado pelo Ministério da Economia, é coautorado por cinco institutos de pesquisa.
Intitulado Recuperação sob pressão estrutural: política fiscal em terreno escorregadio, o documento também projeta um crescimento ligeiramente maior para 2027, de 1,1% — 0,2 pontos percentuais a mais.
Para 2028, porém, as perspectivas são menos otimistas, com os economistas prevendo 0,4% de expansão da economia alemã.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo formado majoritariamente por países desenvolvidos, também revisou sua projeção para a Alemanha, prevendo crescimento de 1,1% do PIB em 2026, acima dos 0,7% estimados em junho, e de 1,1% em 2027.
Em Berlim, o chanceler federal Friedrich Merz, que tem demonstrado compromisso em aprovar reformas no Parlamento, também expressou recentemente certo otimismo em relação ao futuro econômico da Alemanha ao declarar que o país já teria saído "do vale da recessão ou da estagnação econômica".
Especialistas afirmam que a tendência é claramente positiva, mas ponderam que a recuperação continua mais fraca do que em períodos anteriores.
Recuperação apoiada em "base bastante frágil"
"A economia apresentou um desempenho mais robusto do que o esperado", afirmou Oliver Holtemöller, do Instituto Leibniz de Pesquisa Econômica de Halle (IWH), sobre a melhora das previsões para 2026.
Analistas disseram que o boom da inteligência artificial e os investimentos extraordinários do governo em infraestrutura e defesa — financiados mediante a contratação de novas dívidas — contribuíram em parte para essa melhora, mas ressaltaram que os investimentos corporativos e o consumo privado seguem fracos.
Para 2027, economistas esperam um maior dinamismo, à medida que o consumo das famílias se recuperar e a construção habitacional ganhar ritmo.
Apesar do otimismo cauteloso expresso no relatório desta quinta-feira, muitos economistas alertam que os investimentos públicos bancados por novos empréstimos podem se revelar apenas um estímulo temporário caso eles não sejam sucedidos por reformas.
Além disso, é consenso que a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio é o maior fator de incerteza para a economia global e, consequentemente, para as perspectivas econômicas.
Holtemöller, do IWH, frisou que a recuperação da economia alemã "se apoia sobre uma base bastante frágil, porque os altos preços da energia e os problemas estruturais continuam a pesar".
Daí a previsão mais modesta para o PIB de 2028, atrelada também à expectativa de estagnação de lucros e produtividade nas empresas, com falta de mão de obra e gastos mais elevados de energia e folha salarial.
Outro fator negativo, segundo especialistas, é o clima de pessimismo entre investidores. "O clima é pior do que o cenário econômico de fato", pontuam eles em seu relatório.

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